De volta às trutas do Vez – Arcos e Vilela.

De volta às trutas do Vez – Arcos e Vilela.


Sábado, dia 17 de Abril de 2010. Motivado pelas boas previsões meteorológicas da véspera, com fortes possibilidades de chuva e trovoada, resolvi apostar num dos rios mais dificeis, mas também mais produtivos em termos de trutas: o Vez. Já não era a minha primeira visita este ano e como tal resolvi entrar numa zona de pesca super frequentada, mas onde ainda não tinha pescado nos últimos tempos: o troço dentro dos Arcos de Valdevez. Sabendo de antemão que as trutas já estariam mais que assustadas nesta área, o meu único trunfo residia na possibilidade de entrar uma chuvada forte que fizesse o rio subir um pouco, levando as trutas a começarem a alimentar-se no centro do rio.

Cheguei aos Arcos por volta das 7h30. O tempo apresentava-se instável, mas nem sinais de chuva forte. Perante este cenário, resolvi entrar ao light spinning com um rapala CD-3, linha 0,12 e cana de 1,8 metros. Com águas bastante claras, importava reduzir tudo o que pudesse alertar as trutas para a nossa presença. Comecei a pescar na margem esquerda, junto à esplanada central dos Arcos. Na primeira corrente, senti os primeiros toques. Eram as primeiras trutas minúsculas a dar ao dente no rapala. As poucas trutas que vimos activas nesta área estavam encostadas às margens mais profundas, normalmente debaixo das árvores, nas quedas de água e nas corrente mais fortes.

Pesquei em dois turnos, Primeiro para montante, durante cerca de 800 metros até chegar uma ponte pedonal sobre o rio Vez e depois para jusante numa extensão de 100 metros. Logo na primeira meia hora de pesca, tirei uma truta na primeira queda de água. Lancei o rapala mesmo para a queda de água e a truta entrou rápidamente. Como tinha um pequeno tamanho, não deu muita luta e foi rápidamente trazida para a margem. Em breves segundos, regressou à água.

Depois desta captura, a pescaria avançou sem novidades até perto das 11 horas da manhã. Encontramos vários pescadores ao isco natural sobre a ponte pedonal e nas margens do rio, mas as capturas eram inexistentes. A chuva que era ansiada acabou por não aparecer e portanto, pouco mais havia a fazer naquela zona. Tinha que mudar de sitio. 

Voltei ao carro e após alguma ponderação e consulta do mapa, resolvi ir até à ponte de Vilela. Neste troço existem bons açudes e também boas trutas. Talvez estivessem menos tocadas pelos pescadores! Bem, mesmo que não estivessem, valia sempre a pena visitar este local pela sua enorme beleza natural e paisagistica. 

Mal cheguei à Ponte de Vilela, começou a entrar uma chuva forte e fria. Simultaneamente, também verifiquei que era o único pescador na área. O potencial de pesca estava a melhorar significativamente. Será que a chuva iria durar? Munido com o rapala, comecei a realizar os primeiros lançamentos para jusante da Ponte. Pesquei durante 20 minutos e senti um leve toque. Entretanto, a chuva apertou mais e eu resolvi mudar rápidamente de estratégia e atacar o excelente troço a montante da Ponte. Aí começaram as grandes emoções.

O primeiro lançamento do rapala, mesmo debaixo da Ponte, proporcionou logo o ataque de uma truta de 21 a 23 cm. Entrou com uma força brutal, mas não cravou. Lá estavam os anzóis do rapala a falhar! Pelo menos, já tinha sentido alguma coisa decente! Fui avançando e lentamente a chuva começou a parar. Ia ter provavelmente mais 10 minutos razoáveis, antes de entrar o sol. Nisto, cheguei a uma área onde depois uma forte corrente começava um poço com uma profundidade de 3 a 4 metros. Realizei 3 lançamentos. Neste três lançamentos levei três boas pancadas no rapala! Vi as trutas a virar no centro do rio e a não ficarem cravadas. Tudo boas trutas! Já sabia o que me esperava quando meti o rapala sem lhe trocar os triplos, portanto agora havia que aguentar a desilusão. Nesse momento crucial, decidiu-se o resultado da pescaria no Vez! Depois de um primeiro momento de exaltação, fiquei resignado.

Com o sol a entrar, também chegaram os pescadores de mosca ao rio. Em 15 minutos, estavam 3 a pescar em pouco menos de 200 metros. Ao mesmo tempo, as trutas abriram os olhos e alteraram o seu comportamento radicalmente. Fugiam da amostra ou simplesmente nem se mexiam atrás dela. Com céu claro e águas limpidas, o Vez rápidamente se tornou impescável ao spinning. Os pescadores à mosca também não estavam a ter melhor sorte.

Tinha que procurar outras paragens :). Tive as minhas oportunidades, mas faltou concretização. No entanto, os momentos vividos tinham sido um excelente tónico para esquecer os problemas do dia à dia. Vale sempre a pena!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.