Manhã de Abril no Rio Lima.

Manhã de Abril no Rio Lima.

Dia 10 de Abril de 2010. Depois de muito reflectir sobre o paradeiro inicial da minha jornada de pesca, resolvi prestar uma visita ao Rio Lima, na área de Ponte da Barca. Com o céu claro e temperaturas amenas, seleccionei este rio porque tem sido resguardado dos pescadores pelo constante débito das barragens a montante, nomeadamente Touvedo. Com as expectativas em cima, arranquei do Porto por volta das 6h15 da manhã e cheguei ao local de pesca às 7h15.

Como já tinha passado pela ponte da A28, sabia que a Barragem de Touvedo estava a debitar muito pouca água e como tal reforcei a minha motivação a caminho de Ponte da Barca. Quando cheguei ao local, constatei que os açudes apresentavam caudais normais e que os locais de pesca mais produtivos estavam acessíveis. O cenário estava preparado para uma boa jornada de pesca. No entanto, a questão ficava sempre no ar: a que horas volta a abrir Touvedo? Caso abrisse com a força que lhe é conhecida, tinha que alterar o meu plano de pesca. 

(Fica aqui a nota: no Lima, a jusante de Touvedo e sobretudo nos açudes, não convém facilitar! De um momento para o outro a Barragem abre e um pescador pode ficar bem encurralado em algum local de mais dificil acesso. Sei bem daquilo que falo :))

Com base no registo do rio (baixo caudal) e da meteorologia (céu claro e sem vento), decidi-me por uma sessão de light spinning. Cana de 1,8 metros, linha 0,18 da Asari e Mepps Aglia nº1. Desci pela margem direita e preparei-me para realizar os primeiros lançamentos junto a um moinho de água e respectivo açude. Conhecendo o local de visitas passadas, resolvi insistir calmamente nos lançamentos para montante. Não convinha deixar nenhum canto por bater, porque ali costumavam parar boas trutas mariscas. Bem insisti no local, mas nada. Senti dois leves toques, mas não consegui perceber se eram trutas ou algas.

Perante isto, resolvi deslocar-me 50 metros para jusante para cobrir a corrente que saía do açude. Lançando na perpendicular e ligeiramente para montante, lá consegui cravar a primeira truta da jornada. Deu uma boa luta e proporcionou uma bela foto. No entanto, era pequena demais e teve que ser devolvida à água o mais rápidamente possível. 

Animado pela primeira captura, comecei a pescar lentamente para montante numa margem coberta de salgueiros. Interessava sobretudo bater todos os buracos que se conseguiam descortinar por entre as árvores. Lá fui lançando e começaram a sair as primeiras trutas. Todas com tamanhos na ordem dos 15 e 17 cm. Tirei três e rápidamente as devolvi à água, com o mínimo de desgaste possivel.

Com o avançar da pescaria, cheguei a uma zona de árvores mais altas e mato mais denso. Era um daqueles sitios onde só se podia pescar com a Barragem fechada. Portanto, pensei logo em truta de bom tamanho. Tinha que andar por ali uma! Por entre os vários ramos que assentavam na água, existia apenas um pequeno carreiro de 10 cm por onde a amostra podia passar. Tinha que lançar com muita precisão, assegurando-me que a colher passava por esse carreiro. O lançamento saiu-me bem e caiu a cerca de 30 metros do local em que me encontrava. Comecei a recuperar, a colher faz os primeiros 5 metros e de repente sinto um puxão repentino e a cana começa a vergar. Segue-se um período de combate intenso. Com 0,12, tive que a deixar cansar, antes de começar a encostar ao carreiro por entre as árvores. Ela bem cabeceava e enrolava, mas a sorte estava do meu lado. Com calma, lá a consegui trazer até à minha beira e meti-lhe o camaroeiro por baixo. Tinha tirado uma linda truta de 25 cm (ver foto capa). Se repararem, as pintas e coloração da truta (do arvoredo) são completamente diferentes daquela que foi capturada na corrente. 

Animado por este bom exemplar, comecei a pensar que a pescaria ia subir de tom. Avancei um pouco mais para montante no meio do mato e senti mais dois toques. Enquanto estava nisto, reparo numa corrente súbita e verifico que o rio começa a aumentar o caudal rápidamente. Os acessos aos locais debaixo das árvores fecharam-se e a pescaria ficou condenada. Eram 10 horas da manhã e Touvedo tinha aberto as comportas. Tinha que mudar de sitio! 

Pela segunda vez este ano, passei rápidamente pelo Lima nas proximidades de Ponte da Barca. O débito da Barragem de Touvedo continua a condicionar fortemente as condições de pesca, salvaguardando as boas trutas que povoam este rio. No entanto, nada está perdido! Algumas trutas já foram capturadas e mais tarde ou mais cedo, o nível das águas irá baixar na albufeira e as descargas tornar-se-ão menos frequentes. Nessa altura, voltaremos com força ao Lima! Até lá, vamos visitando outras paragens.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.