Por entre os moinhos do Rio Neiva.

Por entre os moinhos do Rio Neiva.

Domingo, dia 11 de Abril de 2010. Resolvi aproveitar a manhã para visitar um rio velho conhecido: o Neiva. Sabendo que o mesmo já tinha sido bem batido no dia anterior, restava-me tentar a minha sorte num dos troços mais a jusante, na zona de Forjães. Este é um daqueles troços do Neiva com menor densidade de trutas, mas que normalmente também estão sujeitos a menor pressão em termos de pesca. Mesmo assim, as minhas esperanças não eram muitas, pois com céu claro e água limpida, as trutas do Neiva tornam-se quase impossiveis de capturar.

Verdadeiramente, o que eu queria era matar saudades do Neiva, pois já há mais de um ano que não pescava neste rio. Foi nele que eu aprendi a pescar e portanto o bom filho a casa retorna!

Sem grandes pressas, acordei tarde, por volta das 8 horas, e como tal cheguei ao rio às 9 horas. Quando parei o carro, verifiquei que o rio apresentava uma boa corrente e, portanto, as poucas trutas que não tinham sido assustadas no dia anterior deveriam estar nos seus locais de alimentação favoritos. Isto era tudo muito bonito em teoria, porque na prática, a pescaria começou a demonstrar o contrário.

Com a cana de 1 metro artilhada do dia anterior, mantive o 0,12 e a amostra nº1 para os primeiros lançamentos. Entrei num bom açude na margem esquerda, encravado entre duas casas e comecei a pescar. O caudal do Neiva corria com alguma força e a colher não afundava o suficiente. Perante isto, resolvi meter o fio 0,18 e um Rapala Floating nº7 RT. Com este isco, ataquei de forma detalhada a corrente para jusante do açude.  Como a corrente tem profundidade média e não estava extremamente forte, o rapala floating pareceu-me uma boa escolha. Insisti com calma nos sitios mais produtivos, mas nada mexeu. Esta estratégia levou-me até à ponte da EN 103 em menos de 1 hora.

Quando subi à ponte, pensei em mudar para a margem direita para deixar de ter o sol nas costas, mas um cão solto na outra margem não permitiu que tal acontecesse. Perante esta adversidade, voltei para a margem esquerda, entrei num caminho para jusante e dirigi-me a um açude entre dois moinhos. Aí resolvi adoptar duas estratégias simples: bater a corrente para montante do açude e depois regressar para lançar na queda de água do próprio açude.

A primeira sequência foi cumprida sem novidade. Calmamente, lancei em vários pontos ao longo da corrente. A altura das margens punha a minha sombra sobre a água, mas fui tentando avançar por entre algumas árvores, de forma a esconder a minha silhueta. Os lançamentos para montante foram bem direccionados, mas não trouxeram resultados. O rapala não estava a funcionar ao seu melhor nível ou as trutas não estavam nas posturas tipicas: ao centro do rio viradas de frente para a corrente.  

Sentido que a pescaria não estava a correr bem, resolvi trocar o rapala pela amostra nº1 e fui directo à queda de água do açude (foto da capa). Lancei três vezes para a outra margem, mas nada mexeu. Enquanto estava a recolher a amostra, visualizo uma pequena truta, num pequeno redemoinho perto de mim. Lanço para aí e mal começo a recuperar vejo uma outra truta de cerca de 21 cm a sair como um raio debaixo das pedras da margem. Ataca a amostra com força, dá dois saltos fora de água e descrava-se! Bonito serviço! Voltei a insistir na queda de água, mas nada!

O dia não estava a correr bem e eu já estava decidido a mudar de local de pesca. Por descargo de consciência, resolvi voltar ao topo do açude e lançar. Realizo um lançamento para montante e começo a recuperar. Quando a colher vem a entrar no canal de água para o moinho de água, sinto um esticão forte na cana e vejo uma bela truta a dar flanco dentro de água. Sentindo-se presa, arranca rápidamente contra a corrente e o carreto começa a dar fio. Deixo-a ir e começo a fazer contas á vida. Tinha que evitar que a truta se metesse pelo canal do moinho a dentro. Nunca mais a voltava a ver! Portanto, adoptei mais uma vez a estratégia de a cansar a dois tempos, deixando-a correr para montante e depois puxando-a lentamente para mim. Assim andamos durante 2 minutos até começar a vê-la mais a jeito. Quando isso acontece, tiro o camaroeiro, ajoelho-me e começo a manobrar a truta à contra corrente. Com o camaroeiro na retaguarda, a truta só se apercebeu do que estava a acontecer quando entrou lá para dentro. Um combate intenso e uma excelente  truta do Neiva de 34 cm (ver foto), quando já estava de malas aviadas para outro sitio! Que grande sorte!

Mesmo com esta boa captura, não quis continuar no Neiva. Tive a sensação que a próxima truta só iria sair após alguns kilometros de rio. Tinha visualizado algumas pegadas do dia anterior e já tinha tomado a decisão ir visitar um dos pequenos ribeiros de Lanheses (afluentes do Lima) até à hora do almoço. De qualquer forma, a boa truta que tirei foi uma grande surpresa e tinha sido um excelente sinal para voltar a visitar o Neiva brevemente! Assim farei :), porque sei que outros bons exemplares lá estarão à minha espera.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.