As trutas do Âncora a caminho do mar …

As trutas do Âncora a caminho do mar …




Domingo, dia 13 de Junho de 2010. Sem muita vontade de pescar, mas também sem grande plano alternativo, resolvi realizar uma breve visita ao rio Âncora no troço entre a ponte da EN 13 e o mar. O meu intuito era sobretudo averiguar o estado da população de trutas na área. O dia claro com temperaturas a aumentar gradualmente não parecia o ideal para visitar o Âncora. Antes pelo contrário, com águas extremamente limpidas e céu azul, as trutas do Âncora são quase impossiveis de pescar.

Neste panorama relativamente pouco animador, cheguei ao rio às 10h00. Já muita gente na estrada, por isso parei o carro na proximidade da antiga ponte sobre o Âncora, paralela à da EN. Rio limpo e com pouca corrente. Perdi algum tempo a mudar o material, pois o material de heavy spinning utilizado no dia anterior nos Pisões não era o mais adequado para as condições no Âncora. Troquei a cana de 1,8 pela 1 metro, meti o fio 0,12 da Falcon e voltei à Mepps Aglia nº1 de pintas vermelhas.

Entrei junto à ponte da EN e comecei a bater a margem direita. Os primeiros lançamentos não foram produtivos. De qualquer forma, comecei a ver as primeiras trutas. Apesar de não terem um grande tamanho, fiquei agradavelmente surpreendido pela grande densidade. Comparativamente a anos anteriores, apraz-me verificar que a densidade de trutas no rio Âncora está a aumentar. Possivelmente um sinal de que os problemas que afectaram este rio recentemente foram atenuados. Talvez a criação da concessão de pesca desportiva também tenha ajudado.

Um facto digno de registo, foi a visualização de algumas crias de tordo comum. Depois de vários relatos fortuitos, confirma-se que esta espécie está a nidificar na zona norte do nosso país. Claramente uma noticia interessante para aqueles de nós que também se dedicam às práticas cinegéticas.

Voltando à pesca! À medida que fui avançando para o último açude antes do mar, comecei a ver as primeiras trutas de bom tamanho. Em cerca de 150 metros, visualizei pelo menos 7 trutas com mais de 20 cm e uma com cerca de 40 cm. Na sua maioria estavam muito encostadas à margem e demonstravam alguma passividade e furtividade. Possivelmente, o resultado de  uma forte pressão de pesca, pois as margens estavam bem calcadas.

Até ao açude, não tive nenhum toque. Já na queda de água, as coisas começaram-se a inverter. A maré estava baixa e as trutas tinham pouca água, logo estavam mais expostas à vibração da colher. Levei o primeiro toque num lançamento à contra corrente, mas a truta não cravou. Depois resolvi insistir na margem direita, tentando aproveitar a sombra e o acesso mais facilitado a determinadas zonas mais próximas da água e com mais vegetação. Em 30 metros levei dois toques e, de repente, num lançamento cruzado, cravo a primeira truta. Sem medida, mas de qualquer maneira bastante combativa. Era um lindo exemplar que se prestou a uma bela fotografia antes de ser devolvida à água. 

Apesar de a captura me ter dado algum alento, a vegetação adensou-se e começou a tornar a pesca muito dificil. Ainda consegui visualizar uma truta de 28 cm, mas ela tinha-me visto primeiro. Tinha passado 1 hora desde o inicio da pescaria e achei que já não valia a pena insistir. A visita valeu sobretudo pelo reconhecimento das condições do rio e pela agradável surpresa com o aumento da densidade de trutas. Para completar esta pequena incursão, ainda tive uma pequena doninha a passear calmamente a meio metro dos meus pés. Enfim, pura beleza 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.