Durrães depois de uma leve chuva …

Durrães depois de uma leve chuva …


Depois de um inicio de manhã chuvoso e pouco produtivo na zona de Ardegão, resolvi mudar de sitio para um local onde o rio tivesse mais caudal e onde fosse mais acessível pescar. Dentre as várias opções possíveis, ocorreu-me a ideia de visitar o rio Neiva nas proximidades de Durrães.  Começaram a aparecer as primeiras abertas e os primeiros raios de sol, e como tal uma zona com boa cobertura vegetal poderia eventualmente tornar-se a mais produtiva.  Durrães apresenta troços bastante interessantes para a pesca à truta e existe a possibilidade de capturar excelentes exemplares. Destacam-se sobretudo as boas sequências de açudes em zona de planicie. Estas estruturas permitem a manutenção de massas de água bastante razoáveis, mesmo durante o verões mais secos. Adicionalmente, a forte cobertura vegetal é também um factor bastante importante, reduzindo a temperatura da água, permitindo a abundância de esconderijos para as trutas e criando condições para o desenvolvimento de muitas variedades de insectos.

Cheguei a Durrães por volta das 11h30 e estacionei o carro próximo da ponte. Mantive o material de light spinning e comecei logo por atacar a zona do açude para montante da ponte. Lançamentos cruzados em várias direcções, mas nada mexeu.

Perante a impossibilidade de seguir pela margem esquerda, devido a vários muros, resolvi avançar para montante pela margem direita, procurando ao máximo ocultar a minha silhueta com a vegetação. Os primeiros lançamentos eram sempre realizados a maior distância da margem para escapar ao olhar aguçado das trutas. Comecei a ver os primeiros peixes a seguir a amostra. Eram escalos! Trutas … nenhuma.

Passados os primeiros 200 metros, vislumbro a primeira truta encostada à margem por entre as raízes de uma árvore. Veio ver a amostra, mas nada de morder. Tinha cerca de 24 cm. Mais à frente, noutra zona mais fechada, vislumbro outra truta do mesmo tamanho e nas mesmas condições. Também sem grande vontade de picar. Comecei logo a pensar que estavam em boa posição para o saltarico. Entretanto, fui avançando para as correntes mais viva. Ali, com a chuva da manhã, deveriam estar algumas trutas em actividade.

Encostei a uma pequena entrada de água que vinha dos campos. Tinha 30 metros desimpedidos para lançar para montante no rio Neiva. No primeiro lançamento cravo uma truta de 17 cm. Uma linda truta que rápidamente devolvi à água. No segundo lançamento, levo uma boa pancada e arranca uma truta a favor da corrente. Nem me deu tempo para recolher o fio. Rápidamente avançou no sentido de umas raízes que se encontravam dentro de água e tive que me mexer para controlar a situação. Dei dois saltos para montante e bobinei ao máximo para a segurar. Consegui encontrar tensão no fio e com um puxão firme, evitei, quase nas últimas, que ela me enrodilhasse o fio nas raízes. Com calma, comecei a controlá-la , tirei o camaroeiro e consegui finalizar a captura. Uma linda truta da zona de Durrães com grande pintas pretas e tons metalizados. Estava bem alimentada e media cerca de 24 cm. Um lindo peixe 🙂 

Animado por esta captura, avancei mais um pouco para montante. Nessa mesma corrente voltei a tirar mais duas trutas, mas sem tamanho mínimo. As trutas em Durrães estavam claramente nas linhas mais activas de alimentação. Não eram grande exemplares, mas onde estão as pequenas também podem estar as grandes 🙂

As próximas duas horas vieram confirmar o posicionamento das trutas. Nos 3 açudes que consegui bater, a maioria das trutas estava concentrada nas correntes. As maiores, nas correntes lentas e profundas, e as mais pequenas, nas correntes vivas e de pouco profundidade. Vi alguns bons exemplares a fugir (trutas entre 23 e 30 cm), mas só consegui capturar 4 trutas, todas abaixo do tamanho mínimo.

No global, e apesar da falta de bons exemplares, passei um feriado divertido atrás das trutas do Neiva. Fui tendo várias picadelas e consegui capturar meia dúzia de exemplares em zona de forte cobertura vegetal. A estratégia de ataque foi bem conseguida e na maioria dos casos consegui-me manter fora do alcance visual das trutas. Durrães continua a ser uma zona de elevado potencial e apresenta boas densidades de trutas. As de maior tamanho (de kilo para cima) conhecem bem as manhas dos pescadores e só saiem em dias de forte de chuva. Gostei de matar saudades e mais tarde ou mais cedo voltarei.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.