De volta a Touvedo … Trutas? Achigãs!

De volta a Touvedo … Trutas? Achigãs!

13 horas do dia 24 de Julho. Ainda era muito cedo para ir à Feira da Caça e Pesca. Depois de uma visita matinal ao Rio Lima na zona de Ponte de Lima, resolvi encaminhar-me para a Barragem de Touvedo, à procura de algum exemplar mais descuidado que andasse a patrulhar as zonas de lenha morta mais abrigadas. Apesar de estar sobretudo a pensar em trutas, também não descurei a possibilidade de capturar algum achigã. Já em anos passados tinha tido boas surpresas com os “big mouth” em Touvedo.

Cheguei a Touvedo passados 20 minutos e logo uma má surpresa para começar:  a albufeira estava muito cheia! O volume de água era um problema por duas razões: dava aos peixes mais margem para se esconderem e movimentarem, e dificultava claramente a passagem do pescador ao longo das margens. Em zonas especificas era mesmo impossivel passar. Enfim, nada como verificar o local de pesca, por isso avancei directamente para a margem direita da Barragem de Touvedo.  Ia ficar com o sol de frente!

O local estava cheio de água, mas permitia alguma deslocação ao longo da margem, sobretudo para montante. Para jusante, não conseguia pescar mais de 200 metros. Lá preparei o material de heavy spinning; cana de 1,8 metros, linha 0,18 e rapala F-7 RT. Queria brincar um bocado em zona de barragem, procurando sobretudo insistir nas zonas de lenha morta e nas poucas sombras existentes.

Comecei pela zona a jusante onde existia uma pequena baía cheia de lenha morta. Os primeiros lançamentos foram realizados em águas mais profundas, mas não renderem nem um toque. Para dizer a verdade, não se via nenhum peixe. Resolvi então encostar à parte final daquele troço, onde a profundidade baixava para níveis bastante reduzidos. Aì as coisas começaram a mudar de figura. Por entre ramos e árvores mortas, surgiram os primeiros movimentos de peixe. Resolvi forçar um lançamento para cima de uma confusão de ramalhos e logo no primeiro toque tenho uma cravadela forte. Dois saltos fora de água, cabeçadas fortes e secas … era um bom achigã. Saltou até mais não, mas não teve nenhuma hipótese de fugir, pois estava muito bem cravado. Ficou a fotografia abaixo para a posteridade … um bom e musculado achigã 🙂

Animado por esta captura, resolvi insistir no mesmo local. Ainda vi mais dois ou três achigãs (mais pequenos), mas já estavam escaldados. No entanto, é sempre emocionante vê-los a correr atrás da amostra e a dar pequenos toques. Bem, o local estava esgotado. Tinha que voltar para trás e fazer o caminho para montante.

No troço seguinte, as boas sensações estiveram reservadas para os locais com sombra, especialmente as baías com lenha morta. Depois de 20 minutos de pesca nesta zona, vi o primeiro peixe: uma truta com cerca de 28 cm. Mas muito manhosa … parecia que já tinha visto todos os rapalas do mundo. Insisti um pouco mais na zona e ainda vi um grupo de pequenos achigãs que andavam a deambular pela zona, mas nada. Só na saída de um pequeno ribeiro é que tive alguma acção. Lanço para perto de uma árvore que caía ligeiramente sobre a água e entra um pequeno achigã sem medida que foi rápidamente devolvido à água. Enfim … deu para me divertir um pouco.

Ainda com mais uma horita de pesca, até chegar ás 16, resolvi insistir em duas baías com sombra cheias de lenha. Aí encontrei boa acção! Tirei um bom achigã que estava debaixo de uma árvore que estava caída sobre a água. Lancei para lá o rapala e mal entra na água, só vejo uma sombra a arrancar debaixo da árvore e a abocanhar a amostra por todo. Não havia fuga possível. Mais um bom combate 🙂

Após esta captura, andei uns 5 metros e vi mais um grupo de achigãs. Tinham mais de 25 cm. Lancei, cravei um, combati-o durante 10 metros e cuspiu o isco. Bonito serviço! Já sem grandes esperanças, lancei para a margem, mesmo para a ponta de água. Duas sacudidelas na amostra e vejo uma sombra a deslocar-se … era peixe de kilo … achigã … avançou mesmo á minha frente … abriu a boca e rapala lá dentro. Cravo com força, começo a controlar e ele avança direitinho para mim … tento manter a tensão, mas quando ele chega perto de mim, o rapala descrava-se. Sem comentários … parecia que estava quase no papo, mas nem por isso. Enfim, as emoções da pesca ao máximo.

Com esta sequência de eventos já eram 16 horas e portanto comecei a fazer contas ao meu regresso. Já tinha tido a minha dose de diversão. Não foram trutas, mas sim achigãs! No global, mais uma dia bem passado em Touvedo.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.