Na Ponte da Mizarela …

Na Ponte da Mizarela …


Sábado, dia 17 de Julho de 2010. Mais um fim de semana na zona raiana e mais uma jornada de pesca em zona de montanha. O dia despertou relativamente fresco, mas o céu estava limpo e a temperatura estava a aquecer de forma gradual. O cenário não estava muito favorável para a pesca às trutas, até porque já eram quase 9 horas e a indecisão entre Côa e Mondego voltava mais uma vez a assombrar os meus pensamentos. Do Zêzere nem me lembrei, porque nesta altura o seu baixissimo caudal, associado à falta de açudes, não permite grandes opções para a pesca. Depois de alguma indecisão e depois das boas recordações proporcionadas pelo Mondego na semana anterior, ficou a vontade de regressar rápidamente a este rio.

A decisão estava tomada! Iria entrar no rio Mondego, mas numa zona a montante de onde tinha estado na última semana.  Pela primeira vez, este ano, iria visitar o troço da Ponte da Mizarela, para montante do local onde a Barragem do Caldeirão realiza as suas descargas. Não sabia muito bem o que esperar, mas tinha um feeling de que iria desfrutar de mais um excelente dia atrás das trutas. E neste desporto, o feeling é muito vezes o mais importante para conseguir uma boa pescaria 🙂

Cheguei à Ponte da Mizarela às 10 horas e estacionei o carro na margem esquerda muito perto da central de descarga da Barragem do Caldeirão. Sem pensar muito, peguei de imediato no material de light spinning que vinha da semana passada e que já tinha feito estragos no Mondego, e comecei avançar para o rio. No entanto, a descida não ocorreu sem alguma dificuldade, porque as margens nesta zona são bastante inclinadas e têm muitos e grandes blocos de pedra partidos. Enfim, depois de algumas arranhadelas, lá consegui chegar a um local mais perto do rio e realizar o primeiro lançamento para montante numa pequena corrente. Pura beleza … mal a colher entra na corrente vejo movimento rápido, uma truta mete a colher na boca, mas não crava!

Voltei a insistir no local, mas pelo vistos a truta não gostou da dureza do isco. Virei então a minha atenção para o poço que se seguia à corrente. Lá desci para um local mais próximo da água e comecei a realizar vários lançamentos. Havia algum movimento à superficie, síntoma de peixe a mosquear, e vi duas boas trutas com mais de 27 cm a seguir a amostra. O cenário estava claramente preparado para uma boa pescaria e a confiança subiu exponencialmente.

Nos 20 minutos seguintes, ainda realizei um pequeno percurso até á saída do tubo da Barragem do Caldeirão, mas sem resultado. A pouca água e a falta de correntes substanciais não ajudava às condições de pesca. Perante isto, decidi inverter a marcha e começar a trilhar os caminhos que me iriam levar aos contrafortes da Serra da Estrela. Fui-me concentrando sobretudo nos poços e correntes mais profundas, pois era aí que eu esperava encontrar os bons exemplares. Cem metros antes da Ponte da Mizarela, vi duas trutas com mais de 28 cm a seguir a amostra. Eram bons peixes, mas estavam muito desconfiadas.

Com estas brincadeiras de Verão das trutas, cheguei ao poço que fica mesmo por baixo da Ponte de Mizarela. Local ideal para uma boa truta! Estamos a falar de um poço com cerca de 30 metros de diâmetro, mais de 5 metros de profundidade e várias entradas de água. Três destas entradas correspondiam a substanciais quedas de água com mais de 2 metros de altura. Primeiro lançamento para o meio das quedas de água e nada! Segundo lançamento para a última queda de água, a colher faz dois metros e entra uma boa truta. Arranca para o fundo e temos luta. Carreto começa a chiar e a truta faz de tudo para se libertar. Tirei o camaroeiro para fora, mas só passados dois minutos é que o consegui por a funcionar. A truta não parava de nadar frenéticamente e ganhava força renovada quando via a rede. Enfim, lá a consegui por a salvo depois de alguma ginástica. A truta … pura beleza … 32 cm de força e muito bem alimentada. Mais um excelente e lindo exemplar do Mondego (ver foto abaixo).

A captura realizada num local especial como é a Ponte de Mizarela deixou-me imensamente feliz e motivou-me para continuar a galgar monte. A partir daí, todos os locais com acesso a partir da margem esquerda foram batidos de forma intensiva. Infelizmente, os poços começaram a tornar-se raros da Ponte de Mizarela para montante e tive que começar a lançar em correntes menos profundas. Mas nem isso me preocupou muito, até porque passados 200 metros para montante tive uma nova surpresa. Numa pequena corrente com menos de meio metro de profundidade e na sequência de um lançamento para montante, entra uma excelente truta quando a colher já estava para deixar a água. A luta foi brutal e a truta saltou por todo o lado. Sem pensar muito resolvi arrastá-la rápidamente para perto de mim, isto sem me preocupar com algumas das pedras que tornavam a tarefa mais dificil. Correu bem … a truta rápidamente parou nas minhas mãos. E que truta! Que cores ,,, que exemplar! Sem palavras … a foto fala por si.

Com esta beleza, o dia já estava a correr muito melhor do que o esperado. Portanto, resolvi relaxar e começar a desfrutar dos lançamentos e da movimentação das trutas. À medida que fui avançando para montante, as condições foram-se tornando cada vez mais dificeis para as boas trutas. Com a entrada na montanha, os poços de boa profundidade práticamente desapareceram e comecei a ver sobretudo correntes com baixa profundidade. Simultaneamente, as trutas começaram a baixar o seu tamanho para níveis inferiores aos admitidos legalmente. E assim foram as três horas seguintes. Ainda consegui tirar um escalo e mais duas trutas, mas ambas sem a medida.

Quando cheguei às 14 horas, comecei a deparar-me com alguma entrada de banhistas que vieram aproveitar algumas poças de água límpida do Mondego. Perante este cenário e com as boas trutas a escassear, resolvi dar o dia de pesca por terminado. Mais um vez, o Mondego mostrou a sua melhor faceta com trutas de uma qualidade e beleza insuperável. Trutas alimentadas pelas águas límpidas da Serra da Estrela e que tornam os nossos sonhos em realidades.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.