Corrico às trutas de Verão.

Corrico às trutas de Verão.


Nos meses estivais e sobretudo em Agosto, a pesca das trutas em barragens torna-se muito mais dificil. Com o calor e a diminuição da oxigenação na água, as grandes trutas refugiam-se nas vertentes mais profundas onde a água é mais fria. A abundância de alimento também torna as trutas mais lentas na perseguição das amostras. Muitos dos grandes exemplares só saiem das grandes profundidades durante a noite e alimentam-se rápidamente. Só em situações muito excepcionais de trovoadas ou chuvas fortes é que estes exemplares podem subir às linhas de água e à superficie.

Neste cenário, o spinning torna-se muito dificil e só o corrico pode continuar a produzir alguns bons exemplares, desde que estejamos dispostos a realizar algumas alterações relativamente às técnicas que utilizamos durante a temporada. No inicio da temporada, as trutas andavam próximas da superficie e portanto as capturas realizavam-se sem grande esforço, bastando para isso práticamente atar a amostra à linha de pesca. Com as trutas a desaparecer nas profundezas, há que segui-las e tentar colocar a amostra abaixo dos 20 ou 30 metros.

Para isso, deve-se acrescentar peso à linha alguns metros antes da amostra, utilizando um sistema do tipo downrigging (ver foto abaixo). Como podem verificar, a linha está temporariamente presa por um fio bastante fino a um peso que vem de um dispositivo próximo da cana. Quando o peixe pica, o fio fino de ligação rebenta, a linha separa-se do peso e o pescador pode lutar com o peixe de forma directa. O peso a ser utilizado deve atender aos seguintes factores: profundidade a que se pretende pescar, corrente na massa de água, vento e velocidade do barco. Todo o sistema obedece portanto a algumas variáveis e tem que ser sempre alvo de experimentação, antes de se encontrar a formula correcta durante cada sessão de pesca. 

Técnicas de corrico às trutas de Verão

Este é um dos muitos sistemas de downrigging disponiveis. As soluções que podem ser encontradas para o problema da profundização das amostras são várias e cada uma tem a sua legião de seguidores. Nenhum é 100% eficaz e portanto aconselha-se sempre alguma flexibilidade, por quem tem a última palavra no sucesso de uma pescaria são sempre as trutas … e quanto mais velhas … pior!

Durante estes meses de Verão, há também um instrumento que ganha especial importância que é a sonda. A detecção dos bons exemplares em zonas profundas e a determinação exacta da profundidade a que se movem só pode ser realizada com a ajuda deste instrumento inestimável. Depois, é tudo uma questão de conseguir ajustar o peso à profundidade que marca na sonda e tentar aperfeiçoar a apresentação da amostra ao máximo.   

Tudo isto é mais dificil do que o que parece. Efectivamente, vários são os videos com informação sobre a pesca às trutas ao corrico, sobretudo nos EUA … E muitos mais continuarão a ser produzidos. O que se nota, é que apesar da abundância de peixes nas águas dos grandes lagos, não é nada fácil encontrar o sistema correcto de os por a picar. São muitas variáveis a tomar em consideração, antes de nos preocuparmos com a amostra que vai na ponta da linha. Um dos videos do YouTube que aborda este tipo de problemática é o video do Rapala Tail Dancer, que pode ser visualizado abaixo.

Apesar de neste momento da temporada, o corrico às trutas estar práticamente confinado à Barragem dos Pisões, alguns devem ser aqueles que ainda por lá tentam a sua sorte. Possivelmente, as maiores dificuldades que encontram na procura dos grandes exemplares está ligada à problemática da colocação do isco a grande profundidade. Com águas quentes e vento forte, surgem correntes profundas que não nada fáceis de destrinçar. É, portanto, um óptimo quebra-cabeças … e para quem encontrar a solução existirão certamente bons troféus à espera de serem pescados :).

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.