Final da temporada de trutas – Pisões

Final da temporada de trutas – Pisões




Sábado, dia 25 de Setembro de 2010. Para terminar a temporada de pesca às trutas de 2010, resolvi avançar para a Barragem de Pisões. No dia anterior tinham caído uns chuviscos e ainda pensei que o panorama estivesse mais fresco e talvez … talvez as trutas estivessem mais activas e mais próximo da superficie. Da última vez que estive em Pisões (há cerca de 15 dias), o panorama foi desolador, devido às altas temperaturas e céu limpo que se fizeram sentir.

As expectativas de encontrar um clima favorável para a pesca às trutas não eram muitas, mas de qualquer maneira fiz-me ao caminho. Mais uma vez o que importava era celebrar o final da temporada num cenário espectacular. Mais do que as capturas, ia à procura de viver a experiência e do ar puro.

 Acordei um “bocado” tarde e como tal, só cheguei a Pisões por volta das 9 horas. O tempo estava um pouco instável, com nuvens e períodos de sol. O vento corria de leste. O nível da barragem pareceu-me um pouco mais baixo do que há 15 dias e como tal as trutas tinham menos espaço para se esconder. Animado por esta perspectiva, parei logo perto do viveiro e arranquei para a primeira volta da manhã.

Artilhei a cana de 1,8 metros com o material de spinning mais pesado e com um X-Rap de 8 cm. Comecei a minha jornada de pesca numa descarga de água que se encontra junto ao cruzamento para Covelães. Aí havia água corrente e como tal oxigenação e água fria não faltavam. Logo ao segundo lançamento levo um toque quando a amostra está a chegar a menos de 5 metros da margem. Era um pequeno achigã … e não cravou. Avancei mais para perto da entrada de água e procurei uma posição para conseguir lançar sobre a zona com mais oxigenação. Mais uma vez, levei outro toque de um achigã. Estava ali um pequeno cardume de achigãs e nada mais mexeu.

Depois desta primeira tentativa, resolvi avançar e bater o troço para montante até ao viveiro. Concorrência não faltava. Contei pelo menos 11 pescadores até chegar perto do viveiro. Foram duas horas de lançamentos e só levei um toque de um bom achigã que estava encostado a uma pedra saliente, numa pequena baía. Entretanto, o vento começou a engrossar e tanto vinha de leste como do norte. Como tal, começaram-se a desenvolver linhas de nutrientes que se encaminhavam para o muro da barragem. Resolvi avançar para lá!

Cheguei lá e mais uma vez concorrência não faltava. Especialmente no muro e nas proximidades. Contei pelo menos 15 canas. As linhas de nutrientes e alguma espuma estavam a desembocar por ali. Quiçás as trutas estivessem activas. Com o vicio na pele, resolvi coar água a toda a força. Mesmo com vento forte de frente, ataquei 400 metros de margem esquerda avançando do muro para montante. Foi escusado. Nada ali mexeu. Apenas vi um barco ao corrico que fez uma pequena paragem junto do viveiro. Se calhar com melhor sorte do que eu 🙂

Com estas duas zonas batidas, queimei o período da manhã e já estava quase nas 14 horas. O vento vinha do norte, mas corria em rajadas descontinuas. Depois de um almoço frugal, resolvi avançar para a outra margem e tentar a minha sorte a montante de Negrões. Sabia que havia por ali umas boas baías com alguma profundidade e portanto talvez conseguisse picar alguma trutita que saisse da profundidade de segurança.

Lá encontrei uma baía bastante razoável e com pouca gente. Só lá estavam dois pescadores. Foram 3 horas de lançamentos contínuos, a trabalhar a amostra de diferentes formas. Passado 1 hora lá tive a primeira surpresa razoável. Num canto de uma baía, levo uma pancada na amostra quando já estava a sair fora de água. Perante isto, cravei com força e o peixe acabou logo na margem. Era um achigã de 22 cm. Pequenito, mas de qualquer maneira bastante bonito (foto abaixo).

A captura do achigã ainda me animou um pouco. Lá consegui ganhar forças para entrar a outra baía de areia fina onde existia uma pequena entrada de água. Logo à entrada, vejo um peixe à minha frente … era uma besta autêntica! Arrancou levemente e quando me viu parado a olhar, meteu o turbo! Era uma carpa com pelo menos 10 kg. Que grande bicho!

Já sem grande esperança, fui até à ponta da baía onde o vento norte batia com mais força. Realizo um bom lançamento contra o vento, a amostra cai a cerca de 30 metros e quando começo a recuperar, sinto uma cravadela forte. Puxo a cana fortemente e sinto peixe preso. A luta começa e noto que do outro lado há força e cabeçada constante. Era uma truta quase de certeza. Começo a tentar recuperar e sinto um forte esticão. A truta salta fora de água e a amostra sai-lhe da boca.

Palavras para quê? Ali fechou a temporada. Depois de 7 horas de spinning numa zona super batida como Pisões, as oportunidades são de ouro. Eu tinha tido a minha, mas houve qualquer coisa que falhou. A truta tinha levado a melhor, mas isso não me preocupou muito. Rápidamente compreendi que só por aquele toque tinha valido a pena deslocar-me a Pisões.

A adrenalina da pesca à truta é algo que só poucos compreendem e agora há que esperar até Março do próximo ano para voltar à acção. A temporada fechou ali com aquele momento mágico de uma truta que me foge, mas não por muito tempo 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.