A pesca à fisga às trutas.

A pesca à fisga às trutas.

Na sequência de uma intervenção do PingoDoce neste site, surgiu a ideia de finalmente colocarmos um artigo sobre um tipo de pesca à truta ao spinning que é bastante técnico e exige alguma prática. Estamos a falar da pesca à fisga ou pesca a ballesta, como é conhecida em Espanha. Este é um tipo de pesca às trutas que foi desenvolvido na Galiza, devido à imensa cobertura vegetal dos seus rios, mas também ao caudal bastante estreito de alguns dos seus ribeiros mais abundantes em trutas.

Em rios ou ribeiros estreitos, com baixo caudal e onde exista uma forte cobertura vegetal, dentro e fora de água, as trutas estão sempre alerta e não aceitam o menor erro em termos de lançamentos. Importa, neste tipo de condições, lançar o mais longe possível, evitar qualquer tipo de ruído nas margens e reduzir ao mínimo a silhueta e os movimentos do pescador. O tipico lançamento lateral normalmente não se adequa a este tipo de condições, pois exige espaço para a rotação da cana e obriga a movimentos bruscos que são fácilmente visualizados pelas trutas. Neste tipo de circunstâncias, a pesca à fisga é a mais produtiva, permitindo lançamentos desde longe, que podem ser realizados através de um pequeno buraco na vegetação e que reduzem ao mínimo a silhueta do pescador e os movimentos que são realizados por este.

Como todos os pescadores, comecei a pescar às trutas ao spinning com o lançamento lateral e só mais tarde é que evoluí para a pesca à fisga. Nas pequenas ribeiras do Lima, esta é uma técnica que me dá muitas alegrias e que abre novas possibilidades em termos de utilização da amostra. Mesmo em troços de rio que parecem destinados aos minhoqueiros ou ao isco natural, é possivel realizar uma excelente pescaria com colher, desde que baseada na pesca à fisga.

No entanto, e tal como em tudo na vida, esta técnica exige algum conhecimento que só se adquire com a experiência e muito prática. Desde logo, o lançamento, para ser perfeito, obriga a uma forte familiarização com a cana e uma sincronização quase perfeita entre a mão que segura a linha e a que segura a amostra. Isto para começar, porque depois há ainda que saber medir as distâncias para evitar que os lançamentos acabem em cima das árvores ou em zonas mais complicadas. Portanto, só depois de centenas ou milhares de lançamentos é que se começa a alcançar um patamar de qualidade que se reflecte de forma significativa em termos de capturas. Mais uma vez, a paciência é fundamental e há que insistir 🙂

Mas deixemos falar os entendidos no assunto. Afinal, foi com eles que eu aprendi. Abaixo, segue a página de um site que nos foi recomendado pelo PingoDoce e que realizar uma excelente cobertura desta técnica de pesca:


Para a pesca à fisga, tive que mandar fazer uma cana de pesca de propósito para mim. Esta cana foi idealizada e concebida por um grande amigo e alia um punho rigido de cerca de 40 cm a uma ponta de barba de baleia com cerca de 80 cm. No global, é um metro e vinte de puro nervo e flexibilidade para permitir lançamentos que podem ir até aos 30 metros, com 0,12 e amostras nº1.

Depois de 14 anos a pescar com esta máquina, só posso agradecer os excelentes resultados ao grande video lançado pelo programa Jara y Sedal sobre esta modalidade de pesca. Foi com base neste video editado por Rafael del Pozo que eu me iniciei nesta vertente da pesca à truta.

Bem … pouco mais há a dizer … algumas das grandes pescarias que realizei na época passada utilizaram esta técnica. Aliás, durante uma jornada de pesca misturo muitas vezes o lançamento lateral com a pesca à fisga.

Boas pescarias …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.