Trutas de Valença – por entre as árvores.

Trutas de Valença – por entre as árvores.


Mais um ano e mais uma abertura da pesca às trutas no rio Minho. Este ano, as boas novidades em termos de alteração da legislação só chegaram ao meu conhecimento tarde e a más horas, e como tal falhei o dia da abertura. Mas isso não me deteve de começar logo a planear uma saída para o fim de semana seguinte, em que iria atacar alguns sitios estratégicos que costumam ter sempre algumas trutas.

As primeiras informações que me chegaram do rio Minho apontavam para fortes caudais e barragens com débitos elevados e portanto antecipei logo condições bastante complicadas para conseguir tirar algumas trutas. Com base em cenários de pescarias passadas, considerei logo que não valia a pena pescar fora das zonas onde não existisse influência da maré. Portanto, o limite norte para a minha acção de pesca seria Monção. Para montante, antecipava fortes correntes, com as trutas colocadas no centro do rio e as amostras a passar completamente fora do alcance das mesmas. Só uma ou outra que estivesse no remanso ou redemoinho dalguma pesqueira, é que poderia eventualmente sair. Não valia a pena!

Decidi assim atacar a zona de Valença, procurando focalizar a minha atenção nas margens com maior profundidade e cobertura vegetal. Interessava procurar locais com árvores frondosas, lenha morta dentro de água e algumas entradas de linhas de água.

Depois de uma viagem mais atribulada, cheguei ao Rio Minho por volta das 7 horas da manhã. Valença à vista, material fora do carro e andamento para o rio. Ninguém nas redondezas e portanto, o plano era muito simples; bater primeiro 3 horas para jusante e depois mais 3 para montante. A maré estava a baixar e portanto pareceu-me que as trutas estariam viradas para montante e teriam menos água sobre as suas cabeças. Talvez conseguissem ver as amostras …

Os primeiros lançamentos foram realizados debaixo de uns choupos e numa zona com alguma areia. Estava com cana de 1,8 metros, linha 0,18 nova da Asari, carreto cheio até cima e amostra Super Vibrax no modelo UV-Bright. Gostei imenso desta amostra na versão vermelha com pintas pretas e como tal achei que era a indicada para uma zona onde o marisco era um dos principais alimentos das trutas. Tentando lançar o mais longe possível, ao décimo lançamento começo a recuperar e de repente sinto uma pancada na cana. Era a primeira truta. Deu uma luta razoável, procurando sempre o fundo e com alguma calma consegui trazê-la a bom porto. Mediu 23 cm e rápidamente foi devolvida à água. Deixou uma enorme alegria por ser a primeira truta da temporada.

Rápidamente me recompus e voltei a atacar o rio para jusante. Com dois a três lançamentos em cada local, procurei cobrir as zonas mais favoráveis em termos de posturas das trutas. Prestava especial atenção às concentrações de lenha morta, procurando sempre ver até que ponto as trutas estariam escondidas nestes locais. Numa destas zonas e por entre dois grandes choupos, realizo um lançamento longo e começo a recuperar. Quando a amostra vem a cerca de 10 metros da margem, sinto um leve toque … há uma ligeira leveza na linha … volto a recuperar a tracção e logo de imediato sinto uma cravadela violenta na linha. Mais uma truta! Esta com uma postura mais brava oferece um nível de luta superior, procurando enrodilhar o fio à volta de um ramalho que se encontrava na zona. Com calma, consegui trazê-la á margem e medi-la rápidamente … 22 cm. Foi imediatamente reposta no seu ambiente natural.

Com duas trutas, resolvi pescar ainda mais para jusante, de modo a bater uma zona de cerca de 1 km, com maior profundidade e com fundo rochoso, que iria terminar numa saída de um ribeiro. Esta é uma zona onde tradicionalmente se podem encontrar trutas de bom tamanho e que muitas vezes são extremamente dificeis de capturar. Bem insisti nas áreas mais promissoras e tentei ir mudando de colher em função da profundidade de algumas zonas, com a Mepps Aglia nº2 a ser utilizada nos locais menos fundos e a Vibrax a ser o meu isco favorito nas zonas profundas. Em zonas com grande potencial para dar um troféu (saída de afluente e correntes mais profundas) ainda meti o X-Rap de 8 cm, mas nada. Nem mais um toque!!

Perante isto, resolvi voltar ao carro e entretanto encontrei 4 pescadores ao spinning. Dois deles não tinham pescado nada, um tinha pescado duas trutas e o outro quatro trutas. Não se descoseram quanto ao tamanho das trutas, mas não me pareceu que fossem de grande dimensão pelo tom de voz. Enfim, havia que voltar ao carro, mas não sem antes ter uma breve conversa com um outro pescador da zona, que me elucidou sobre uma boa truta que teria pescado no dia anterior (com uma medida entre 30 e 40 cm).

Mal cheguei ao carro, renovei a minha esperança e resolvi atacar a margem para montante. Desci por uma vertente mais abrupta entre duas árvores e comecei a lançar para o espaço entre lenha morta que se encontrava debaixo das árvores. O local era prometedor, até porque tinha uma profundidade razoável. Os primeiros três lançamentos foram realizados na perpendicular à margem e nem um toque. O quarto lançamento foi direccionado para montante, posicionando a vibrax em frente a um bom conjunto de lenha morta. Iniciei a recuperação e quando a amostra chegou perto dos ramalhos e lenha morta, senti um leve toque na colher. Pensei: ramalho. Continuei a recuperar e mais um toque leve e depois outro, e quando a amostra se encontrava a menos de 5 metros de mim, leva uma pancada brutal e vejo uma boa truta a saltar fora de água. Que bela truta e que combate selvagem!! Saltou e saltou sem parar durante 30 segundos. Comecei a pensar que a ia perder, mas verifiquei que os triplos estavam bem cravados. Com algum custo, peguei no camaroeiro e consegui meter a truta lá dentro. Ainda bem, pois era um excelente exemplar de truta do Minho (foto de capa). Mediu 35 cm e marcou o dia.

Depois desta excelente captura, avancei ainda mais para montante. Num local com muita lenha morta, voltei a tirar outra truta. Esta cravou-se a cerca de 30 metros da margem e, pelo aspecto, deveria estar-se a alimentar na corrente. Mais uma vez, a vibrax fez os seus estragos e a truta mediu 24 cm. Deu uma excelente luta e mereceu ser rápidamente devolvida à água. Após esta captura, por volta das 13 horas, a pesca estagnou completamente até às 16 horas. Mesmo em zonas com boa profundidade, correntes moderadas e muita cobertura vegetal, não senti nem uma picada de truta. A possibilidade de já estar a trilhar locais onde teria passado a concorrência nos dias anteriores pareceu-me cada vez mais real, pois nem toque, nem sinal de barbatana. Depois de três horas sem sinal, resolvi voltar ao carro.

Já no carro, achei que já tinha tido a minha conta, mas ainda estava curioso relativamente às condições que se estariam a verificar mais a montante. Portanto, resolvi realizar uma pequena visita à Lapela, perto da foz do rio Gadanha. Ainda fiz alguns lançamentos por lá, antes de encontrar o João. Estivemos alguns minutos à conversa, e quando ele me disse que já vinha de jusante e eu reparei que não podia passar para montante sem subir à ponte de caminho de ferro, decidi acabar a sessão de pesca.

Perante as condições que encontrei, até que o resultado final não foi nada mau. Tive sorte de encontrar algumas trutas dispostas a morder junto à margem. No global, parece-me que as trutas ainda estão relativamente inactivas e estão bastante protegidas pelos fortes caudais do rio. Os próximos dias e semanas podem ser decisivos para se conseguirem as primeiras grandes pescarias no rio Minho. Tenciono voltar brevemente 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.