Abertura às trutas no Rio Coura

Abertura às trutas no Rio Coura


Depois de tanta ansiedade, chegou finalmente o dia mitico da abertura da pesca às trutas; 1 de Março. Vários foram os planos e contraplanos para diferentes pescarias com vários amigos que ficaram pelo caminho. Desde convites que não se concretizaram a situações inesperadas que foram surgindo, tudo se conjugou para que a abertura se tornasse uma aventura a solo à procura das bravas trutas do nosso País. Nada que me desagradasse muito, pois assim iria ter mobilidade total e concentração total. Dois a três dias antes da abertura, o plano de ataque já estava formalizado. Atendendo às condições climatéricas, aos caudais dos rios e às experiências do ano passado, o meu destino primário iria ser o Coura, algures entre as duas Barragens de Covas.

Arranquei do Porto por volta das 6 horas da manhã, e atendendo a que ainda tinha fazer um bocado de EN. 13, tive que acelerar sériamente o passo :). Conhecendo o Rio Coura de longa data, antecipava que o dia da abertura ia ser dia de grande romaria e portanto ser o primeiro a chegar ao local do crime era meio caminho andado para ter algum sucesso. Tive que lhe dar alguma pasta para chegar aquelas duas correntes magnificas com 2 a 4 metros de profundidade e que deveriam estar com o caudal apropriado para por a amostra a nadar!!

E que amostra!! A X-Rap de 6 cm e cor arco-iris arrancou logo montada na cana desde o Porto, e iria ser auxiliada por uma linha 0,18 da Asari e uma cana de 1,8 metros. Vontade não me faltava de as voltar a tentar com esta amostra formidável. Portanto, não ia facilitar no dia de abertura e como tal, só usaria a colher para situações muito especificas.

Mal cheguei ao local de pesca, fiquei bastante satisfeito de não ver nenhum carro por perto. Preparei-me muito rápidamente e fiz-me ao rio imediatamente. Os primeiros lançamentos foram realizados numa zona em que o rio Coura tem entre 10 a 15 metros de largura e apresenta dois cotovelos; o primeiro para a esquerda e o segundo para direita. O caudal era o ideal para destorcer ligeiramente a visão das trutas e permitir uma recuperação eficaz do X-Rap. Ao quarto lançamento, vejo o primeiro movimento brusco debaixo de água. Era uma truta com o diabo no corpo a perseguir a amostra com uma sanha tal que me pôs doente. Dava uns arranques brutais atrás do X-Rap e parava mesmo antes de abrir a boca. Fez isto 3 vezes, antes de eu parar o isco … esperou … e quando eu tirei o X-Rap da água … tentou saltar fora de água para o apanhar!! Era uma trutona com pelo menos 35 cm e deu espectáculo a pouco menos de 2 metros dos meus pés.

Animado por este episódio avancei para jusante, e numa corrente com cerca de 3 metros de profundidade, levo a primeira cravadela a sério depois de 5 lançamentos para o mesmo local (a cruzar o rio ligeiramente para montante). A truta entrou com força e começou a nadar a favor da corrente. Era um bom peixe e como tal deu alguma luta, mas a vontade de a segurar era tão grande que acabei por rápidamente a encostar á margem. Sem perder tempo, deitei-lhe a mão e coloquei-a em lugar seguro. Que beleza … Um lindo exemplar do Coura com 30 cm e um excelente começo para a pescaria  … eram 7h40!!

Depois da primeira captura, avancei para jusante a caminho do 2º cotovelo. Os primeiros lançamentos na dobra foram infrutiferos. Era claro que as trutas não estavam na zona menos profunda e perante isto resolvi avançar para um local onde a corrente era mais profunda. Bem trabalhei as áreas mais próximas da margem e o centro do rio, mas nada mexeu. Fui então avançando lentamente para jusante e lancei para montante de um tronco de árvore afundado numa zona povoada por algumas algas. Sinto um leve toque mal inicio a recuperação. O que seria? Truta ou alga? Bem … outro lançamento para o mesmo sitio e sinto um puxão e vejo uma truta cravada … dá logo dois saltos fora de água, mas não era muito grande. Com calma trago-a rápidamente para a margem onde mede 22 cm.

Com esta captura, avanço para a cabeça do açude, mesmo a montante do muro. A baixa profundidade do leito a desembocar num poço perto do muro fazia-me antever a possibilidade de uma boa truta. Lanço o X-Rap à contra-corrente e começo a levá-lo directamente para o poço … mal entra no poço sinto um puxão e cravo uma boa truta. Aproveitando a corrente, a truta faz todos os possíveis para se libertar do anzol, mas não consegue. Com calma, consigo trabalha-la o suficiente para a colocar ao alcance do camaroeiro. Rápidamente, a coloco a salvo e verifico que estou perante um exemplar com lindas pintas vermelhas … Pura beleza!

Já eram nove horas e começo a sentir a presença de outros pescadores na zona. Aproveito para bater a zona abaixo do açude (foto de capa). Primeiro tentei o X-Rap, mas a profundidade era muito baixa e os lançamentos estavam a sair curtos demais para dimensão do rio naquela zona. Tive que mudar para a Vibrax nº2 de modo a conseguir lançamentos mais largos. Num destes lançamentos para montante, consigo cravar uma boa truta. Ela tentou desesperadamente fugir para as algas, mas estava muito bem cravada e rápidamente acabou ao meu alcance. Vontade não lhe faltava de fugir!

Com esta última captura, foi tempo de voltar à estrada e verifiquei que a concorrência estava por todo o lado. Ainda tentei fazer uma ligeira incursão de uma hora para montante, mas nada. Nem um truta mexeu!! Perante isto, resolvi pegar no carro e mudar de sitio. Foi então que me dei conta da quantidade de carros e pescadores que andavam por ali. Impressionante o número de Portugueses e Espanhóis. Não admira que as trutas andassem assustadas :). Ainda tentei pescar o troço entre a concessão e a Barragem durante cerca de 1,5 horas, mas foi tempo perdido. Por ali já tinha passado muita gente e as trutas tinham perdido a vontade colaborar.

No global, a boa pescaria no Coura resumiu-se a 2 horas e meia de acção. Uma acção repleta de bons momentos e alguns exemplares dignos do rio Coura. Entre as 7,30 e as 10 horas, fez-se a maior parte do dia. A partir dessa altura, a actividade das trutas desapareceu por completo. A pressão de pesca pode ser uma explicação, mas possivelmente não será a única …. No fim do dia, são as trutas que mandam 🙂

Mas as coisas não ficaram por aqui … ainda havia vontade de tentar a minha sorte noutro lado!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.