Pescaria em Campia …

Pescaria em Campia …




Depois de já ter falhado no ano passado, ao não arranjar um dia para visitar o Miguel Pereira em Campia, este ano não houve hipótese. Com a respectiva antecedência, resolvemos marcar uma pescaria às trutas na zona do Alfusqueiro. Mais do que a pesca propriamente dita, esta iria ser uma oportunidade para nos conhecermos melhor, trocar algumas experiências e convivermos de forma saudável num entorno magnifico, como é a zona de Campia. Uma zona que já conhecia de passagem e que me tinha sido muito bem referenciada das últimas vezes que pesquei em Cambra.

Marcamos a nossa expedição para o dia 19 de Março, sem nos preocuparmos muito com a meteorologia, pois o que interessava era sobretudo o convívio. O ponto de reunião seria no nó de Oliveira de Frades às 8h30 horas e quem chegasse primeiro esperava. A hora pareceu-me um pouco tardia, atendendo às condições climatéricas e de caudal do rio, mas segundo o Miguel isso não era muito importante, pois iríamos bater um troço especial do Rio Alfusqueiro :). Quem sabe, sabe! Assim, às 8h30 lá estava eu e passado 3 minutos lá apareceu o Miguel acompanhado pelo seu sogro, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Campia.

Depois de uma breve apresentação, e o porque o vicio já estava a crescer (tinha tido a oportunidade de ver da ponte da A25 um pescador a lançar nas correntes do Vouga na zona do Carvoeiro), resolvemos avançar rapidamente para o local. Ainda fizemos alguns quilometros, antes de entrarmos a um caminho de terra batida que ia dar à margem do Alfusqueiro. A paisagem era de uma beleza notável e não se via ninguém na margem do rio. Atendendo a que estavamos a pescar num domingo, não sabia até que ponto é que isto era um bom ou mau sinal, mas certamente que iria descobrir dentro em breve.

Conhecedor da zona como ninguém, o Sr. Presidente da Junta de Campia foi começando a explicar o que nos esperava. Iriamos caminhar ligeiramente para jusante para apanhar uma boa entrada no rio e depois o nosso destino seria pescar para montante, tentando bater o melhor possível uma sequência de boas correntes e poços, onde certamente estariam algumas trutas de boa qualidade. Desde logo, estava fora de questão apanhar trutas de grande tamanho, atendendo às condições do rio e do tempo. O que importava era capturar algumas trutas indígenas e desfrutar da sua combatividade.

Começamos a pescar eram 9h30 e resolvemos atacar sobretudo a margem esquerda. Os primeiros lançamentos não saíram grande coisa e existia alguma indecisão sobre o tipo de colher a usar. Os peixes artificiais estavam fora de questão, devido às condições de caudal e portanto era uma questão de seleccionar a colher mais adequada: claramente a mais pequena possível. Andei entre a Mepps nº 00 Thunderbug e a Mepps nº1 dourada de pintas vermelhas, mas à medida que comecei a ter dificuldades em controlar os lançamentos tive que optar pela nº1. Aliás, essa foi também a escolha dos meus parceiros de pesca.

Os primeiros lançamentos resultaram infrutíferos e durante a primeira meia hora nem um peixe se tirou. As poucas trutas que vi estavam encostadas à nossa margem e fugiam debaixo dos nossos pés. Havia que lançar o mais longe possível da margem. Depois de algumas insistências, chegamos a um bom açude (foto da capa). Lancei para a queda de água, comecei a recuperar e quando a colher sai da espuma levo um bom toque e vejo uma truta cravada. Com calma, comecei a controlar o seu avanço e consegui-a por rápidamente ao alcance da mão. Era um belíssimo exemplar de 21 cm com lindas pintas pretas e um tom acastanhado … e prestou-se a uma boa foto, enquanto esteve dentro de água.

Depois desta primeira captura, as coisas começaram a animar e todos passaram a adoptar uma postura mais activa. Fomos batendo todos os locais de forma milimétrica e mais 100 metros à frente, noutra corrente divida com o Miguel, realizo um lançamento para montante e tenho outra cravadela de uma truta de 20 cm. A truta estava mesmo no meio da corrente mais forte e entrou bem, ficando bem segura nos triplos. Mais um excelente exemplar!!

O dia estava a aquecer e a pesca estava a animar. Ainda tínhamos muito para bater e agora era preciso que o Miguel tirasse uma truta. Passamos por um bom poço, onde vimos pelo menos 6 a 7 trutas de bom tamanho (superiores a 25 cm), mas nenhuma mexeu. Entramos numa zona com mais correntes e então voltei a tirar outra truta, esta já de muito menor tamanho (12 cm) e que foi rapidamente devolvida à água. Com isto chegamos, a uma pequena queda de água, junto a tronco caído. O Miguel insistiu e inesperadamente surge uma truta a saltar fora de água. O lançamento foi bem realizado e a truta entrou com força, ficando bem cravada. Foi um momento de alegria, pois ficamos todos bastante satisfeitos de o ver tirar uma truta indígena e com cores impressionantes.

Com esta peripécia, entramos na última hora de pesca. Ainda conseguimos pescar num açude grande, onde foi avistada uma truta com perto de 1 kilo, no entanto essa truta não quis nada com as nossas colheres. Consegui ainda tirar mais duas trutas sem a medida e o Sr. Presidente também se resolveu estrear e tirou uma truta numa pequena corrente, já perto do final da pescaria.

Sem muito mais ânimo, resolvemos dar a nossa pescaria naquele local por terminada. Acabou cedo, porque era 1 hora e o almoço estava marcado para as 2h30, portanto resolvemos ir até à praia fluvial de Campia para queimar mais uma hora. Ainda pescamos um pouco para jusante e montante, mas nada mexeu.

Sem muito mais força anímica para continuar, o nosso rumo virou para o Restaurante Sacristão em Campia, onde só conseguimos arranjar uma mesa com reserva especial. Gente não faltava e ainda demorou algum tempo para sermos servidos. Mas valeu bem a pena!! O Naco de vitela de Lafões estava divino e não hesitamos em dobrar a dose, pois carne daquela qualidade não se come todos os dias.

Enfim … palavras para quê? Um dia espectacular de pesca, gastronomia de primeira qualidade e convívio saudável em bom ambiente, foi aquilo que marcou a jornada. O meu grande agradecimento ao Miguel e ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Campia. Bem haja pela simpatia e amizade, e certamente voltarei para desfrutar de mais pescarias e experiências de qualidade, neste pequeno paraíso que é Campia.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.