E continua a poluição no Rio Côa …

E continua a poluição no Rio Côa …

Mesmo depois de vários alertas e de algumas iniciativas periódicas, verificamos que o problema da poluição do rio Côa está muito longe de ser resolvido. Este que é um dos grandes rios truteiros nacionais, com potencial para ter trutas desde a sua nascente quase até à foz, tem vindo a ser o alvo de gente com menos escrupulos e de alguma negligência. Já aqui chamamos a atenção para este problema, mas parece-me que a mensagem ainda não surtiu efeito.

Efectivamente, o panorama com que deparamos durante a última visita a este grande rio raiano foi verdadeiramente desolador. Logo no primeiro local onde paramos, tivemos uma má experiência. Como podem comprovar nas fotografias que acompanham este post, espuma branca quase sólida não faltava, quer nas correntes quer nas zonas mais remansosas. O rio apresentava uma cor escura e notava-se que estava com excesso matéria orgânica. Mesmo depois de um Inverno algo rigoroso, o crescimento das algas era já bastante apreciável e poucos peixes se viam.

É impressionante como este tipo de coisas continua a acontecer no Rio Côa e em frente dos olhos das autoridades e entidades responsáveis. Como é que é possível que não haja um controlo apertado da qualidade da água ao longo de todo o curso deste rio? Será que alguém se preocupa em manter um nível mínimo de pureza da água que assegure a sobrevivência da sua fauna aquática e sobretudo das trutas? Ou será que andamos apenas a tapar o sol com a peneira?

Penso que está na altura de realizar um levantamento exaustivo de toda a poluição que afecta este rio, desde a nascente até à sua foz. É preciso detectar quais são as empresas agrícolas ou industriais que estão a despejar directamente para o rio. É necessário ver quais os pontos críticos sem saneamento e controlar a qualidade da água à saída das ETAR’s. Uma vez identificadas as fontes de poluição, faz sentido que as autoridades actuem de uma forma enérgica, primeiro numa óptica de aconselhamento e pedagógica, e só depois numa lógica sancionatória. A limpeza tem que ser realizada num cenário de tolerância zero, de modo a garantir a sua eficácia.

O rio Côa, apesar de ser propriedade pública, não pode ser destruído pelos interesses de uma minoria. A água que nele circula vai inevitavelmente acabar nos nossos corpos, sobretudo através das captações de água no Sabugal e no Douro, dos alimentos cultivados nas suas margens e do peixe que eventualmente aparece nas nossas mesas. No final do dia, é a saúde pública que está em risco!

É com algum desânimo que me vejo obrigado a reportar este tipo de factos que são sempre penosos, sobretudo para os pescadores. Depois de ter visto em Inglaterra, rios totalmente poluídos e sem peixe a serem reconvertidos em poucas décadas para rios saudáveis e com populações equilibradas de trutas e salmões, eu gostaria de saber o que andamos a fazer. Parece-me que ainda não percebemos o tesouro que temos nas mãos e portanto nada fazemos para o preservar 🙁 . Estamos a fazer tudo ao contrário.

Espero que as coisas mudem!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.