Grandes emoções no Rio Mondego.

Grandes emoções no Rio Mondego.


Segundo fim de semana de Abril e tempo de visitar as terras raianas à procura das suas bravas trutas. A meteorologia não era a mais convincente para tentar as trutas ao spinning, devido ao céu extremamente claro, mas de qualquer forma eu tinha que visitar Figueira de Castelo Rodrigo para tratar de alguns afazeres pessoais e como tal a visita ao Rio Mondego era mais do que natural. Acordei por volta das 7 horas, preparei-me e por volta das 7h45 meti-me à estrada. Ainda passei por Espanha para atestar e só cheguei ao Rio Mondego por volta das 9 horas.

Artilhei a cana de 1,8 metros com um rapala CD-3 RT e linha 0,12, e avancei para o primeiro açude. A corrente estava bastante interessante e fez-me logo supor que a comporta da Barragem do Caldeirão poderia estar aberta. Com calma, avancei para o muro do açude e comecei a fazer os primeiros lançamentos para jusante na queda de água. A corrente estava excelente, mas não vi nem senti nenhuma truta. Perante isto, resolvi tentar a parte de cima do açude. Primeiros dois lançamentos para montante e nada. Depois um lançamento cruzado mesmo sobre o muro do açude, dois toques de cana e cravadela. Uma luta relativamente fraca e rápidamente trouxe a primeira truta à minha mão. Uma linda truta índigena do Mondego com cerca de 17 cm. Devolvi-a à água nas melhores condições.

Com esta primeira captura, pensei que ia ter um dia cheio de peripécias. Resolvi bater os açudes e as correntes mais fundas. Notei que o caudal estava a aumentar ligeiramente e como tal, pensei que as trutas de maior tamanho estariam nas linhas de alimentação. A barragem estava a fazer das suas!!

Bem tentei todo o tipo de iscos (Mepps, Vibrax, Rapala e Storm) e combinações de linha-amostra possiveis. Durante 5 horas, estive em locais verdadeiramente excelentes e onde já tinha visto grandes trutas no ano passado e nada mexeu. Foi verdadeiramente desesperante. Ainda senti um ou dois toques ao rapala, mas nada se materializou. Cheguei assim às 15h00 sem mais nada para relatar, a não ser a excelente paisagem e ar puro de que estava a desfrutar.

Voltei ao carro, almocei e decidi mudar de sitio para o resto da tarde. Iria mais para montante à procura de algum exemplar perdido na zona da Faia. Mudei para a cana de 1,2 metros, fio 0,12 e continuei indeciso relativamente à amostra. Fui trocando entre Mepps e rapala, e assim cheguei a um bom açude com uma excelente corrente a entrar de dois lados. Meti o rapala CD-5 e decidi insistir.

Logo no primeiro lançamento a cruzar o açude, senti um toque. Pareceu-me escalo, mas não fiquei com certezas. Continuei a lançar … cada vez mais ao encontro das correntes. Passados 5 minutos, já estava a lançar no canto mais lento da corrente principal que entrava no açude. Faço um lançamento mais encostado à margem esquerda e próximo das árvores, começo a recuperar e tenho um primeiro toque com a truta a mostrar-se junto aos meus pés … era exemplar de 23 cm. Voltei a insistir no mesmo local. Depois de 5 ou 6 lançamentos, consigo alcançar uma maior distância e inicio a recuperação. Passados os primeiros 5 metros, sinto o isco a perder tracção. Continuo a recuperar e mantenho a tensão na linha. Sinto outra vez o mesmo e cravo com força. Sinto uma prisão forte na linha e uma cabeçada de respeito. Puxo a favor da corrente e aplico tensão máxima no 0,12. Começo a ver um bom tronco a nadar para mim. Tinha uma grande truta ao 0,12 no rapala CD-5 e agora estava na altura de lhe mostrar como era. Foram necessários 4 minutos para a cansar e para me colocar a jeito para por o camaroeiro na água. O rapala estava bem cravado, mas a linha estava no limite. Lá consegui arrastar a truta para mim, tento metê-la dentro do camaroeiro, o rapala prende na rede, a truta salta … e com um golpe rápido consigo metê-la toda dentro do camaroeiro. Até fiquei branco … Que linda truta com lindas pintas vermelhas … Aquele bicho não me podia fugir. Eram 44 cm e cerca de 800 gramas de pura força …. Uma autêntica beleza do Mondego.

Com esta captura, a adrenalina disparou e a pesca ganhou outro ânimo. Os minutos começaram a passar mais depressa e bati com mais energia o troço para montante. Ainda levei dois toques ao rapala, mas não consegui tirar mais nenhuma. Apesar do bom caudal, havia algo que não estava a facilitar a pesca. Bem me esforcei durante 2h30 e nada. A água não estava muito fria e as margens não estavam muito calcadas, portanto só me lembrei da fase lunar 🙂

Já no final às 6h30 e a caminho do carro, ainda me surgiu a ideia de bater o açude onde tinha entrado. Meti a bobina 0,18 e atei o X-Rap de 6 cm RT. Realizei alguns lançamentos perto da ponte, mas sem resultado. Avancei lentamente para jusante e já perto do final do açude, consigo lançar para perto de uma grande pedra dentro de água. Dois toques no rapala e vejo uma boa truta a torcer-se toda dentro de água. Entrou ao X-Rap com muita força. Deu duas corridas para cima e para baixo, e parecia que não estava com muita vontade de sair. Lá a fui controlando e depois de mais algumas cabeçadas, lá a consegui por ao meu alcance e tirei-a para fora da água. Mais um excelente exemplar do Mondego com 32 cm e uma bonita tez prateada. Que truta lindissima!!

A captura desta truta pos logo fim à jornada. Já eram 7 horas e depois de um dia bastante duro e com poucas picadelas, tinha sido claramente favorecido pela boa sorte, tirando dois excelentes exemplares. A minha satisfação era mais que muita e já me faltavam as palavras … Aliás, para apreciarem a beleza desta jornada, nada como verem o pequeno video abaixo …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.