Paradela do Rio: Abertura 2011 – Parte 2

Paradela do Rio: Abertura 2011 – Parte 2


Depois de um boa manhã de pesca em excelente companhia e depois de um almoço com uns petiscos bem bons e também um pouco pesadinhos para o estômago, fiquei sózinho para atacar mais alguns spots na Barragem de Paradela. Ainda pensei em ir até Pisões, mas com céu claro, vento relativamente forte e previsões de uma multidão nas margens, perdi logo a vontade. Resolvi que era melhor apostar nas zonas da Barragem de Paradela, onde as linhas de alimentação criadas pelo vento estavam a desembocar. Aí deviam estar algumas trutas a alimentar-se, isto apesar de já terem visto passar amostra durante a parte da manhã.

Eram 15 horas, tinha acabado de me despedir dos meus companheiros de pesca e dirigi-me para a margem direita da Barragem de Paradela. Com o vento a bater de Sul, parecia-me que havia potencial para estarem por ali algumas trutas a alimentarem-se perto da superfície, o que as iria colocar ao alcance das minhas amostras. Resolvi estacionar o carro perto de uma conduta de saída de água, onde tradicionalmente existia uma boa corrente que era muito favorável para as trutas. As trutas andam sempre por lá, o problema é que muitas vezes não têm vontade de picar e noutras já andam acossadas pela concorrência. E neste caso em concreto, o último cenário foi o que se concretizou. Cheguei ao local e vi que estava já lá parado outro carro. Quando desci para a saída de água, verifiquei que pegadas não faltavam na areia. Pelo menos 4 a 5 pescadores já por ali tinham passado à procura de sorte.

A conduta estava com um caudal médio, o que gerava turbulência na água da barragem até a um distância máxima de 70 a 90 metros. As condições eram boas e comecei a lançar. Perdi cerca de 30 minutos a insistir neste local, trocando sucessivamente de amostra. Desde Mepps Aglia Longcast a Rapalas a Storms … tentei de tudo, mas nada resultou … Nem uma truta vi a perseguir a amostra. O local tinha sido bem trabalhado!

Atendendo às circunstâncias do local e à direcção do vento, resolvi pescar para montante. Antecipando que as trutas estivessem próximas da superfície e já relativamente picadas pela concorrência, resolvi mudar a linha de pesca (meti o 0,12) e a amostra (meti a Mepps nº 1). Interessava incitá-las a comer e não assustá-las. Mal me desviei 50 metros da corrente, realizei um lançamento paralelo à margem, aproveitando a força do vento, e tive a oportunidade de ver uma truta de bom tamanho a seguir a colher. Tinha cerca de 30 cm e perseguiu-a durante de cerca de 20 metros colando o focinho ao triplo. Só se desviou quando a colher entrou na areia da margem. Abrir a boca é que não … fica para a próxima 🙂

Perante este primeiro momento de emoção, resolvi trabalhar com mais calma alguns poços que se foram sucedendo. Tinha que deixar a amostra afundar um pouco mais para colocá-la ao alcance das trutas. Num lançamento mais longo e depois de colocar a amostra a uma profundidade considerável, comecei a recuperar lentamente. Quando a colher entra na vertical para começar a sair, levo uma boa pancada. Duas corridas para a esquerda e direita, cabeçadas fortes e vontade de fugir a todo o custo. Com calma encostei a truta à margem e consegui-lhe por a mão. Tinha capturado uma bela truta de 25 cm com um excelente tez prateada.

Esta captura animou a jornada, mas rapidamente a força extra começou a esmorecer quando entrei numa zona de falésias e penhascos quase intransponíveis. Só se conseguia passar por carreiros muito íngremes e ali já não faltavam pegadas. O esforço físico de subir e descer não ia compensar e comecei logo a ponderar opções. Revi na minha mente alguns dos momentos da sessão de pesca da manhã e pareceu-me que existia a forte possibilidade de que um troço perto da zona do Rio Cávado não tinha sido batido. Tinha visto um pescador a entrar na zona oposta aquela a que eu estava a pescar e deu-me a impressão de que ele só tinha seguido numa única direcção. Bem … eram 5 horas da tarde, começavam a surgir as primeiras sombras a sério na Barragem e portanto as trutas deviam-se estar a preparar para as últimas horas de alimentação do dia.

Avancei então para a outra margem da Barragem e fui direitinho ao local onde tinha visto o tal pescador. Entrei pelo caminho que ele utilizou, segui as suas pegadas e depois de 2 minutos verifiquei que efectivamente o troço em questão não estava pescado. Maravilha … Sem pensar muito, mantive a montagem light que trazia da outra margem e comecei a pescar. Logo no terceiro lançamento, levo um bom toque, mas não consigo cravar. Parecia boa truta. Voltei a lançar para o mesmo sitio e então vejo-a a seguir o isco quase até o mesmo sair da água … tinha cerca de 30 cm. Que pena!! Entretanto, vislumbrei uma pequena baía junto ao lugar onde tinha tido o toque. Lanço para o centro da baía, caindo a colher muito próxima da margem. Começo a recuperar e passados 10 metros, outra pancada forte e a truta não crava. Não podia ser!! Assim não!! Mudei logo de amostra … as trutas tinham a boca muito grande para a nº 1 🙂

Meti então o fio 0,18 e a Mepps Aglia Longcast nº 3. Iria pescar o mais longe e fundo possível, tentando atrair as trutas que estivessem nas reentrâncias das margens. Num destes primeiros lançamentos, aproveitei para deixar a amostra afundar um pouco mais e comecei a recuperar de forma lenta. Já com a amostra a chegar à margem sinto um leve toque na linha (pareceu-me pedra), mantenho a tensão e sinto outro toque … e neste cravo de forma inusitada, sinto a cana a dobrar … um puxão forte do outro lado e tento cravar ainda com mais força. É que nem tive tempo, perco a tensão total na linha e à minha frente salta uma grande truta. Mas que peixe!! Com o diabo no corpo, não parava de correr e saltar. Nunca tinha visto tal energia numa truta daquele tamanho. Vi-me e desejei-me para simultaneamente controlar o travão do carreto e preparar o camaroeiro. Passados 5 minutos de combate, ainda não tinha a truta controlada. Quando a vi pela primeira vez, verifiquei logo que o triplo da amostra não estava bem cravado. Ui Ui!! Deixei-a andar e cansar-se mais um pouco e só depois de 6 tentativas é que a consegui meter no camaroeiro. Aí foi a explosão de adrenalina! Que grande truta com umas cores e um lombo divinal … Com 49 cm e cerca de 1 kilo era um peixe formidável com uma força espantosa … Se a tivesse deixado fugir, ia ficar cego durante uns meses … Para quê palavras? Só mesmo na foto é que se vê esta beleza!

Depois desta captura, precisei de 5 minutos para me recompor. A luta tido sido extenuante e a beleza da truta deixou-me perplexo. Aproveitei para tirar algumas fotos e enviar um MMS ao nosso amigo Arlindo para lhe “estragar” o resto do dia. Claramente que a resposta não tardou e logo fui informado que só por sorte tirei a truta, pois se eu não estivesse sozinho ela teria dono! É assim mesmo 🙂 … A César o que é de César!

Apesar de o dia já estar mais do que completo, ainda fui fechar o troço. Faltavam cerca de 100 metros e resolvi batê-los a metro. Na primeira meia hora, nada mexeu, mas de repente e numa zona onde existia uma maior reentrância na barragem, tiro outra truta. Na sequência de uma recuperação mais profunda, a truta entra quando a colher ia a passar junto de um bloco de pedra. O ataque foi fulminante e a truta ficou bem cravada. Depois de duas ou três corridas, consegui trazer à mão mais um excelente exemplar prateado de 25 cm.

Com o sol já quase a por-se no horizonte, cheguei a baía final. Existia ali muita pedra partida na margem e um forte declive para o leito da barragem. Mais uma vez lanço para longe, deixo afundar e quando a recuperação vem a meio, sinto uma pancada seca e forte no fio. Cravo com força e seguiu-se logo uma boa luta com corridas e cabeçadas seguidas. A truta não se queria deixar capturar, mas como estava bem cravada não tive dificuldade em colocá-la ao meu alcance. Desta vez, era uma truta com uma tez prateada muito bonita e com pequenos pontos pretos. Uma truta típica de barragem.

Com esta captura dei por encerrado o meu dia de pesca. Depois de ter capturado 8 trutas, sendo uma delas um troféu, e depois de ter passado um excelente dia de convívio com os meus companheiros de pesca, sentia-me mais do que satisfeito. Mais uma vez, Paradela foi um lugar de sonhos cumpridos e de emoções para mais tarde recordar. Se Deus quiser, lá estaremos para o ano, com o Prof. Arlindo Cunha e o Engº José Pintalhão … a cumprir a tradição 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.