1 hora num afluente do Rio Côa.

1 hora num afluente do Rio Côa.

Na sequência de uma pescaria no Rio Côa e com a trovoada a rondar por todos os lados, resolvi que valia a pena visitar um dos afluentes mais interessantes deste rio. As capturas até ao momento não tinham sido muito vistosas e portanto estava na altura de sacar rendimento, atendendo às boas condições. Assim, peguei no carro, 10 minutos a conduzir e rapidamente estava a postos para entrar no local ansiado. A trovoada continuava a pairar sobre a zona!

Para bater o afluente com o máximo de eficiência, resolvi fazer algum caminho a pé até à foz do mesmo no Rio Côa e depois iria pescar para montante. O caudal do afluente não era o mais elevado e portanto não se justificava continuar com o rapala CD-3. Voltei a meter o fio 0,12 e a colher Mepps Aglia nº 1 dourada de pintas negras. Mal entrei junto à foz, vejo as primeiras trutas a mosquear e deparo logo com uma de cerca de 12 cm aos meus pés. Que beleza ….!!! Fugiu quando a amostra lhe passou por cima das costas.

Entretanto, o céu começou a fechar e surgiram as primeiras pingas grossas. Fui tentando aproveitar todos os buracos para lançar e concentrei-me sobretudo nos pequenos poços e nas correntes mais fundas. Ali é que poderiam estar os exemplares que mais me interessavam.

Assim, cheguei a uma primeira corrente mais funda de cerca de 20 metros. Realizei 10 lançamentos para montante e em todos os lançamentos levei toque. Não sei se era truta ou escalo, porque não conseguia ver, mas pareceu-me bicho manhoso 🙂 e pequeno. Lá fui avançando, e mais à frente numa zona mais funda, lanço para montante e para a margem oposta, levo uma cravadela e começo a recuperar a truta … quando ela chega perto de mim … desprende-se. Fiquei logo chateado, até porque era uma truta razoável para o ribeiro onde estava a pescar … 22 cm. Enfim … toca a andar para a próxima!

E a próxima não tardou muito. Numa zona murada onde existia um antigo moinho, consigo entrar bem ao rio e realizo um lançamento para montante. Começo a recuperar, a colher entra em rotação e levo logo um toque. Mais uma truta que entra, mas desta vez não foge. Cravo com força e com calma tento gerir a resistência do fio até a colocar ao meu alcance. Que linda truta dourada …. deu luta, mas lá veio para às minhas mãos … era um bom exemplar de 21 cm.

Perante isto, avancei um pouco mais e resolvi lançar na cabeça de uma corrente onde me parecia que estivesse mais uma truta. Entretanto, o céu começou a ficar ainda mais negro e os trovões estavam-se a aproximar. Eu já estava mais para o molhado do que para o seco, mas não ia desistir. O lançamento sai e mal a colher entra na água junto a uma alga e em menos de 20 centimetros de água, levo uma cravadela forte na amostra. A truta salta fora de água e arranca para jusante. Começo a travar os seus ímpetos e com alguma calma lá a trouxe à mão. Outro lindo exemplar de 21 cm. O dia estava mesmo a correr bem.

Acabada a corrente mais funda, avancei para montante e fui realizando lançamentos esporádicos em zonas de maior profundidade. As margens estavam muradas e apresentavam uma maior altura e como tal eu estava um pouco mais exposto aos olhos das trutas. O que me valia era o negrume do céu e a chuva a cair na água. À medida que fui evoluindo pelas margens, cheguei a um pequeno poço onde existia uma queda de água e algumas algas bem desenvolvidas. Tentei arranjar uma linha de água mais livre de algas e lancei para montante. Iniciei a recuperação e fui trazendo a colher o mais lentamente possível. Quando a colher estava para deixar a água, junto a uma alga, levo uma pancada seca e vejo uma truta de bom tamanho a arrancar para jusante … e com uma força … tive que abrir o travão do carreto e deixá-la levar o fio que quisesse. Lá fui controlando e ao mesmo tempo tentei descer para a margem do ribeiro. Demorei cerca de 1 a 2 minutos a conseguir colocar-me a jeito para meter o camaroeiro. Tentei cansar um pouco mais a truta e quando a vi a por a cabeça fora de água, meti-a para dentro do camaroeiro. Aquela já não ia embora … Mas que bela truta … com cerca de 25 cm, era um peixe formidável com umas cores lindíssimas. O dourado e as manchas negras são formidáveis.

Já nas últimas e com a trovoada em cima da cabeça, só tive tempo para entrar numa corrente profunda murada. Lançamento para montante e mais um toque fortíssimo. Corrida para jusante, cabeçadas e carreto a dar fio … e mais uma vez numa situação em que estava elevado em relação à margem. Foi claramente mais do mesmo, mas desta vez a truta tinha 27 cm. Consegui controlá-la e depois de um minuto de luta, lá entrou para o camaroeiro. Nem tive tempo para fotos, nem para nada. Com os raios a cair à minha volta … deixei de pescar e fiz-me à vida.

Numa hora naquele ribeiro, tinha feito mais do que em 4 ou 5 horas no Côa durante a manhã. Mas agora tinha mesmo que me ir embora e afastar-me direitinho ao carro. Já estava todo ensopado e a trovoada estava muito em cima. Não valia a pena morrer pela ganância. Por ali já tinha feito os meus estragos e agora havia que deixar as trutas em paz, que elas bem merecem 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.