De volta ao Minho

De volta ao Minho




Último fim de semana de Abril de 2011 – Destino Rio Minho. Com a previsão de fortes chuvas, apeteceu-me voltar ao Rio Minho para o caso de algum salmão ou truta marisca transviada ter saudades de uma amostra de qualidade :). Depois de algumas semanas alheado deste grande rio salmoneiro da nossa geografia, resolvi que estava na altura de passar por Monção para ver se algo estava com vontade de mexer nas pesqueiras e correntes mais profundas. Já há muito tempo que não ia a Monção e também tinha alguma curiosidade para ver como o rio estava: caudal e possíveis alterações do leito.

O dia prometia chuva e como tal estava animado relativamente à possibilidade de realizar uma boa pescaria. Encontrei chuva forte nas proximidades de Vila Nova de Cerveira, mas à medida que ia avançando no sentido de Monção, comecei a perceber que possivelmente a chuva iria ser passageira. Cheguei ao parque de estacionamento das termas de Monção por volta das 8 horas e comecei-me a preparar para a faina. Gente não faltava e vislumbrei logo dois pescadores, um na margem portuguesa e outro na margem espanhola, a pescarem na corrente mesmo em frente ao local onde parei o carro. Como ia atrás do salmão, levei a minha cana de 2,10 metros Silstar PowerTip, linha 0,18 da Asari e amostra Mepps Aglia Longcast nº 3.

Desde logo, fiquei extremamente bem impressionado pelas condições do caudal. A Barragem espanhola devia estar fechada e portanto o rio em todo a sua extensão estava bastante acessível para ser trabalhado com amostras. Entrei logo a pescar no final da primeira corrente. Com a cana de 2,10 metros, os lançamentos estavam a sair bastante largos e permitiam uma melhor profundização da amostra. Tentei ao máximo pescar para montante, alcançando a outra margem e procurando seguir todas as linhas de corrente possíveis. Sentia que a colher vinha a tocar ligeiramente no fundo e portanto isto significava que estava a pescar bem.

Insisti durante cerca de 30 minutos na primeira corrente, mas nada. Nem toque! Ainda vi alguns peixes a mosquear a dois/três metros de mim, mas não me pareceram que fossem trutas. Lancei para lá a amostra, mas nada mexeu. Perante isto, fui avançando para montante a caminho de uma zona de corrente mais lenta onde existiam um a dois poços mais cavados. Nesse local, verifiquei que estavam pelo menos 5 a 6 pescadores que se entretinham a cobrir alguns pontos críticos da corrente. Procurei alguns espaços livres e aproveitei para realizar alguns lançamentos. Notei que estavam alguns peixes a mosquear, mas infelizmente estavam todos na margem oposta e fora do alcance de lançamento da maioria das canas que por ali estavam presentes, incluindo a minha.

Passada 1 hora e meia de pesca, ainda não tinha tido um toque. Junto da concorrência, o panorama também não era muito animador e ninguém estava muito agradado pelo desenrolar dos acontecimentos. A chuva teimava em aparecer e o céu andava nublado e por vezes ficava mais claro. Fui avançando calmamente e comecei a chegar perto de uma corrente de seixo rolado. À direita dessa corrente, havia um poço com um redemoinho e uma ligeira corrente que provinha de uma entrada de água que atravessava alguns campos. O local pareceu-me bastante bom para produzir algumas trutas.

Comecei a trabalhar a corrente principal, mas foi tempo perdido. A amostra vinha a passar pelo meio das algas, mas mesmo assim as trutas nada queriam com ela. Com este panorama, resolvi voltar a minha atenção para o redemoinho da direita. Realizo um lançamento largo para o centro do redemoinho, começo a recuperar e sinto uma pancada seca na amostra. Cravo instintivamente e continuo a recuperar. Como não sentia grande tracção, pensei que podia ser lixo ou algas e não me preocupei muito. Quando a colher estava a chegar perto de mim, notei pequenos toques na cana e vi uma pequena truta de 21 cm agarrada à colher. Com o peso da amostra e a força da cana, nem se notava esta trutinha. Era claramente um lindo exemplar do Minho e rapidamente foi devolvida à água.

Perante esta captura, resolvi insistir na mesma zonal. Mais dois lançamentos para o mesmo local e depois mais um terceiro, um pouco mais para a direita. No terceiro, começo a recuperar e quando a colher vem sensivelmente a meio, noto pequenos toques … tento cravar, mas nada. Continuo a recuperar e quando a colher chega perto de mim, vejo uma pequena truta a arrancar como um raio e a cravar-se fortemente na colher. Foi só levantar a cana e a truta já estava em terra. Mais uma linda truta de 22 cm, que foi devolvida prontamente.

Com a segunda captura, resolvi virar a minha atenção para a zona mais calma do poço, já fora do redemoinho. Aí vi sinal de um peixe a mosquear junto a uma grande pedra da margem. Lancei para lá, comecei a recuperar e tenho uma boa cravadela … vejo a truta a dobrar e descrava-se! Linda … tinha fugido. Não era muito grande, mas deu emoção. Depois desta peripécia, resolvi contornar o poço e atacar a parte central da entrada da corrente no poço. Aí realizo um lançamento largo para montante e começo a recuperar. Noto que existem alguns peixes a mosquear na direcção da linha. A amostra vem calmamente na minha direcção e quando está a cerca de 5 metros de mim, sinto uma forte pancada, cravo com excesso de força e vejo uma truta de 25 cm a voar à minha frente e acabar em cima de um tufo de erva. Mais um bravo exemplar do Minho com umas cores lindas!!

Assim, e em pouco mais de 30 minutos, tive uma sequência continua de pequenas emoções. As picadelas e capturas sucederam-se na Mepps Aglia nº 3 Longcast, mas nada de significativo ao ponto de me deixar cego! Eu sabia bem o que queria, mas as grandes não andavam pelos ajustes. Resolvi então trabalhar a corrente rápida acima do poço que ficava enfunilada por uma língua de seixos. Ali, os lançamentos tinham que ser acompanhados por uma deslocação do pescador para jusante para permitir que a colher apanhasse alguma profundidade. Bati a corrente milimetricamente durante 25 minutos, mas nem toque. Ainda perdi uma amostra, mas de nada valeu o esforço. Já no final e quando estava a chegar ao poço onde tinha tirado as trutas, olho instintivamente para cima e noto que um dos regos está a engrossar. Sinal de perigo … a Barragem estava a abrir … toca a correr para fora da zona central e a procurar abrigo junto da margem. Ali não se pode facilitar. Em menos de 5 minutos, o rio aumentou de caudal significativamente e o local onde eu me encontrava desapareceu.

Com a abertura da barragem, ainda pesquei mais 50 metros a caminho de uma pesqueira do lado espanhol, mas sem resultado. Deixou de se poder pescar ao centro do rio, e só perto da margem é que se conseguia controlar a colher. A pescaria no Minho estava a entrar na parte final. Com o aproximar do almoço e as condições bastante difíceis de pesca, estava na hora de voltar. Ainda passei por um pequeno rego de água e visualizei uma pequena poça de água com alguns achigãs sem tamanho. Brinquei um pouco com eles, mas nenhum mordeu. Enfim, fiz-me à vida.

Tinha desfrutado de uma boa manhã no Rio Minho na zona de Monção. A pescaria não foi farta em termos de quantidade, mas sobretudo em termos de qualidade. Agora estava na altura de rumar mais para jusante e visitar mais um ou outro local para um lançamento rápido. Ainda consegui tirar mais uma truta de 22 cm numa destas zonas, mas nada que valesse uma grande história. O importante é que fiquei vontade de voltar … falei com um pescador da zona que me  garantiu que mais um salmão tinha saído naquele dia … à rede!! Mas se saem à rede, também podem sair à cana … Há que insistir!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.