O troféu do Miguel – Cávado!

O troféu do Miguel – Cávado!




Dia 11 de Junho de 2011. Depois de uma excelente refeição no Restaurante “O Telheiro”, resolvemos voltar às nossas lides. O nosso amigo João Dias ainda nos quis apresentar um outro local no rio Homem, mas a presença de banhistas dificultou a nossa acção e depois de alguns lançamentos à mosca e à colher, achamos que tínhamos que ir à procura de um sitio mais calmo. Foi nessa altura que resolvi propor uma visita ao Cávado numa zona bastante calma e onde os pescadores com amostras não costumam entrar. Trata-se de um local de pesca bastante frequentado por quem pesca ao fundo e que costuma ter algumas boas trutas debaixo das árvores ou no centro, por entre blocos de pedra.

A deslocação não demorou muito e em cerca de 30 minutos já estávamos a parar as viaturas. Retiramos o material de pesca e preparamos todos as canas de spinning, inclusivé o João Dias, que por ali não via grandes possibilidades de pescar à mosca. A escolha de isco recaiu sobre a Mepps Aglia em diferentes tamanhos e versões. Começamos a faina eram cerca de 3 horas da tarde. Eu arranquei com os primeiros lançamentos, depois o Miguel Pereira, a seguir o Sr. António e finalmente o João Dias.

O vento já se fazia sentir com alguma intensidade e como tal não estava nada fácil alcançar a distância desejada. Como naquela área o Cávado tem uma largura considerável, interessava lançar o mais longe possível. Fomos fazendo o que podíamos e pescando à vez, avançando para montante.

Ao entrar numa corrente relativamente suave que corria por cima de uns blocos de pedra bastante grandes, ouço um grito de alegria do Miguel, que estava a 20 metros de mim. Na sequência de um lançamento para montante, a cana retesou-se e vi um peixe a saltar fora de água a 30 metros da margem. Pareceu-me castanho … não me pareceu que fosse truta, mas demonstrava uma força inusitada. A cana começou a dobrar e o Miguel começou a puxar com força. Disse-lhe para por a cana ao alto e deixar a cana trabalhar, mas ele só queria tirar o peixe da água à força toda. O peixe dá duas corridas fortes dentro de água e começa a aproximar-se da margem … vejo-o pela primeira vez … era um boa truta endiabrada e com uma força brutal. Mas nos viu arrancou logo para o centro do rio e procurou entalar o fio nas pedras. O Miguel continuava a puxar o fio com força e eu temi que a linha partisse. Ele ainda me pediu que fechasse mais o travão do carreto, mas nada fiz, porque senão o fio partia de certeza. Assim, para o ajudar, tirei o camaroeiro e tentei meter a truta lá dentro. O problema é que ela não parava …

A luta que o Miguel lhe estava a dar era violenta e isso notava-se na reacção do bicho. Passadas mais duas corridas, notei que tinha surgido o primeiro momento de cansaço do peixe. Pedi ao Miguel que a encostasse para o meu lado e quando ela aparece de frente para o camaroeiro, consigo metê-lo a jeito … e de uma vez só, pus a truta na margem. Que grande troféu …. tirada com Mepps Aglia nº 1. Uma linda truta do Cávado com 44 cm e uma força brutal. Esta já não fugia 🙂

Com a truta do lado de cá, o Miguel explodiu de alegria e foi um sem parar de saudações, fotos, telefonemas e felicitações. De certeza que todos os pescadores nas redondezas se aperceberam da captura e se havia alguém que a merecia, era claramente ele!!

Depois da captura, continuamos a pescar para montante durante mais 2 horas. O João Dias teve que se ir embora, devido a alguns compromissos inadiáveis, mas nós continuamos a tentar a sorte por entre os grandes salgueiros do Cávado. Encontramos vários pescadores a pescar ao fundo ao longo da margem, mas ninguém ao spinning, por isso andamos à vontade. Exploramos sobretudo as zonas mais encobertas em termos de vegetação e os locais com grandes pedras.

Pessoalmente, ainda vi algumas trutas e tirei um pequeno exemplar de 15 cm, mas notei que as condições não eram as melhores, pois notava-se que as trutas não estavam muito activas. De qualquer forma, valeu pela experiência vivida pelo Miguel e pelo Sr. António que nunca tinham pescado num rio de grande caudal. Notei que para eles era uma situação nova e como tal, fui observando-os de perto.

Enfim, rapidamente se passaram as duas horas e era tempo de voltarmos à estrada. Todos concordamos que o dia por ali já estava mais que ganho. A cara de felicidade do Miguel era verdadeiramente espectacular e eu fiquei muito satisfeito de o ter levado aquele lugar especial. Valeu a pena vê-lo a defrontar uma truta bastante forte e já com um lombo invejável … naquelas alturas só os mais duros se aguentam 🙂

Abraço e parabéns, Miguel

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.