Às trutas por entre a salsa do Rio Coura.

Às trutas por entre a salsa do Rio Coura.




Mais uma tarde em meados de Julho de 2011. Com o céu claro e a possibilidade de algum nevoeiro e chuva fraca durante o final da tarde, estava na altura de revisitar o Coura. Atendendo às boas condições climatéricas dos últimos dias, pelo menos para fazer praia, as minhas expectativas não eram muito altas, mas mesmo assim ponderei que o final de tarde, com algumas eclosões, poderia fazer a diferença e por as trutas a morder nos iscos artificiais.

Sem hesitar muito, fiz-me à A28 e rapidamente cheguei ao meu destino: Vilar de Mouros. Ali fiz a minha primeira observação do rio e comprovei que só corria um fio de água. Com o caudal em baixo, resolvi avançar para a zona da Central de France, de modo a tentar a minha sorte nas cabeças de alguns bons poços. Era aí que poderiam estar algumas trutas de bom tamanho. Atendendo ao céu claro, vento um pouco forte e caudal bastante reduzido, resolvi optar por pescar com material de light spinning: cana de 1,2 metros, linha 0,12 da Fendreel (que ainda vai durando) e Mepps Aglia nº1 com pintas vermelhas.

Mal entrei ao rio, vi que nas zonas com menos água era quase impossível pescar. Com o crescimento da salsa e das algas no meio do rio, a colher tinha que trabalhar mesmo à flor da água. Mas as trutas estavam lá 🙂 Os lançamentos e a queda da amostra na água produziam movimentos rápidos à superfície que denunciavam a deslocação das trutas, no sentido de fugir da amostra ou então de se aproximarem para ver o que se passava. Só com este panorama fiquei logo entusiasmado. Ia-me dar gosto tirar umas trutas em zonas difíceis como aquelas.

Os primeiros lançamentos foram totalmente improdutivos, no entanto permitiram-me verificar a localização, comportamento e abundância de trutas na zona. Foi com agrado que registei, por exemplo, que num pequeno poço de cerca de cinco metros quadrados se encontravam cinco a seis trutas, com duas delas acima da medida mínima. E ainda por cima, mostraram alguma voracidade quando viram a amostra, mas não abriram a boca. Olhando a este cenário, decidi que tinha que pescar dentro do rio e tentar realizar lançamentos largos. As trutas estavam tão à superfície, que de certeza que me conseguiam ver desde longe.

Fui então avançando com cuidado dentro do rio e cheguei a uma primeira cabeça de um poço, com alguma corrente e pejada de salsa. Só haviam alguns pequenos espaços onde a amostra podia rodar. Lancei para um desses espaços que parecia ser mais fundo. A Mepps cai, inicio a recuperação, vejo uma deslocação rápida na água na direcção da colher e aparece uma boa truta a segui-la com a boca colada ao triplo. Mantenho a velocidade e quando a colher está para chegar a um pé de salsa, a truta abre a boca e morde a colher com força. Nem foi preciso cravar! A truta mordeu com tal força que ficou bem cravada e eu só tive que me deslocar rapidamente para evitar que ela se enrodilhasse na salsa. Ainda deu dois ou três saltos fora de água, mas com calma foi transportada lentamente para a minha mão. Era o primeiro exemplar do dia! Uma excelente truta do Coura com cerca de 23 cm.

Esta captura foi o elixir necessário para ganhar forças por mais uma hora. Com o aproximar de uma zona de mato mais denso e poços com maior profundidade, não iria poder continuar com este tipo de pesca e portanto teria que mudar de lugar. Mesmo assim, a minha vontade de tirar mais umas trutas, não esmoreceu. Focalizando-me nas zonas com maior profundidade e sombra, fui tentando realizar lançamentos certeiros e mexi várias trutas. Muitas delas fugiam assustadas, mas nem todas o fizeram. Por entre a salsa, voltei a tirar mais duas trutas de pequeno tamanho. Como no caso anterior, atacaram a amostra com força e como tal não causaram muitas dificuldades na sua captura, sendo também rapidamente devolvidas à água.

Ainda vi alguns exemplares de tamanho razoável, mas essas já estavam avisadas, demonstrando bastante desconfiança perante a colher. Não vi grande actividade mosqueira na zona, isto apesar de uma grande parte das trutas estar concentrada em zonas com pouco caudal. Efectivamente, e perante o adiantado da época fiquei bastante bem surpreendido com a densidade de trutas que encontrei ao longo do rio. Apesar da intensidade de pesca na zona durante a temporada das trutas, verifico com agrado que este rio tem uma forte capacidade regeneradora em termos da sua população de trutas, o que faz augurar um futuro promissor para a próxima época.

Com isto em mente e perante uma zona mais complicada, achei que não valia a pena insistir e resolvi compartir o meu esforço de pesca por outras duas zonas do Coura, onde também não faltaram peripécias 🙂 Mas isso já é matéria para outros posts …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.