De volta ao Paiva … sem trutas!

De volta ao Paiva … sem trutas!




Mais um fim de semana de Julho. Acedendo a um convite do Dr. Vasconcelos, resolvemos visitar a zona de Castelo de Paiva. Já sabíamos que ia ser uma pescaria aos barbos, bogas e escalos, mas de qualquer forma tínhamos alguma esperança de poder rever o rio Paiva e ver como estariam as suas condições desde a última vez que por lá estivemos.

Depois de uma breve deslocação de alguns quilómetros, entramos num troço de rio que fica algures entre Alvarenga e Castelo de Paiva. Tratava-se de uma zona bastante escarpada e com caminho íngreme, onde só conseguimos aceder, numa primeira fase, com a ajuda de um veículo todo-terreno, e depois a pé. Éramos 6 pescadores (incluindo eu) a entrar numa zona de correntes com bons poços, onde poderiam estar albergados alguns bons exemplares.

Independentemente do resultado da pescaria, pois íamos claramente preparados para os ciprinideos, o que mais me impressionou foi a falta de trutas naquele tipo de zona. Com vários ribeiros a virem desaguar ao rio, com correntes ainda bastante vivas para a época do ano, acesso difíceis e com poços de dimensão substancial, parece-me ridículo como é que se chegou a este ponto num dos rios que apresenta melhores condições para ter trutas desde a nascente até à foz. Enfim, a explicação só pode vir da poluição e da pesca furtiva com redes e bombas.

No poço onde todos os meus colegas ficaram a pescar durante mais de 3 horas, não sairam mais do que piscardos e algum escalo pequeno. Isto num poço com mais de 100 metros e com uma profundidade que nalguns pontos chegaria certamente aos 5 metros. Nem bogas, nem barbos, nem nada! Mesmo com várias técnicas de pesca a serem utilizadas, não foi capturado nenhum peixe superior a 15 cm. Isto só pode ser indicativo da presença humana em dias anteriores, utilizando meios menos legais de pesca, como a rede ou a bomba. É que nem um peixe de jeito se via 🙁 Assim, como é que é possível ter trutas??

Eu ainda me desloquei mais para montante à procura de poços mais pequenos e correntes mais fundas, onde os furtivos, à partida, não iriam perder tempo, devido à baixa quantidade de peixe. Acertei … e comecei a ver algumas bogas, barbos e escalos de bom tamanho, tendo conseguido capturar 3 ou 4 bons exemplares.

Isto tudo para dizer que está na altura de mudar este estado de coisas. Apesar de já se ter delapidado este tipo de zonas e reduzido drasticamente o seu potencial truteiro, isto não quer dizer que as mesmas não possam ainda ser restauradas para a pesca das trutas. À semelhança do que ocorre por essa Europa fora, onde troços de rios quase destruídos pela poluição e pesca furtiva são reconvertidos para a pesca à truta, nós também podemos fazer o mesmo por cá e com menor custo e sacrifício, até porque o Paiva ainda não está tão mau. Penso que os ganhos são claramente superiores ao custos e portanto está na altura de começar a lançar um plano nacional credível de recuperação das nossas águas interiores.

Eu gostei imenso do local onde estive e só tenho pena de não o poder correr ao spinning, levando um toque de vez em quando. Nada me daria mais prazer 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.