Final de tarde no Neiva.

Final de tarde no Neiva.

Depois de um domingo cinzento e com algum vento na zona de Viana do Castelo, resolvi que podia ser muito interessante fazer um final de tarde atrás das trutas do Neiva. Para isso, desafiei o nosso amigo João Dias para uma pescaria em iríamos tentar compatibilizar o spinning com a pesca à mosca. O encontro ficou marcado para as 17 horas no Restaurante “Ponte do Neiva”.

Depois uma manhã de pesca submarina pouco produtiva e com o corpo um pouco moído, lá fiz o sacrifício de pegar na cana e meter o fio 0,18 Dragon Winner da Cormoura :). Iria pescar ao spinning com um rapala CD-3 RT, independentemente do local para onde fosse. Às 17 horas em ponto, já estava à porta do nosso amigo João Dias. Depois de dois minutos de conversa, em que fiquei a saber que estava muito vento no Lima e que os pescadores por lá só tinham tirado duas trutas à minhoca, achei que tinha que visitar um daqueles locais míticos no Neiva; onde existem grandes trutas e onde é quase impossível pescá-las. Lá arrancamos então para o nosso destino, algures para jusante de Barroselas.

Estacionamos os carros, preparamos o material e fomos logo ver as condições do rio. Tal como era de esperar, as águas estavam muito paradas e não se via qualquer tipo de actividade. Resolvi de imediato fazer o primeiro lançamento de cima de uma ponte, e o João Dias visualizou logo a primeira truta com mais de 35 cm. Apenas veio ver o rapala, sem grandes vontades de atacar.

Com este primeiro prenuncio, decidimos avançar para montante. A forte cobertura vegetal das margens deixavam pouco lugares para se pescar de forma efectiva, mas também funcionavam como auspícios de excelentes exemplares. Eu fui pescando os pequenos espaços por entre a vegetação, enquanto o João ia apreciando … estava claramente à espera de zonas mais desimpedidas para exercer as suas artes. Conhecedor deste facto, não estiquei muito os meus lançamentos e rapidamente me dirigi para o primeiro açude, onde o João tomou conta das hostilidades. Eu, por minha vez, fiquei pelas correntes mais lentas imediatamente a jusante do açude.

Nos 15 minutos seguintes de pesca, fiquei bastante maravilhado com a presença de trutas no Neiva. Vi mais de 10 trutas em 50 metros de rio e claramente 4 destas com tamanho superior a 22 cm. Consegui cravar a primeira truta num lançamento para jusante e fiquei maravilhado com as suas cores. Um exemplar pequeno, que foi rapidamente devolvido à água, mas nem por isso menos combativo e com vontade de morder o rapala.

Depois desta primeira truta, comecei também a ver os primeiros cardumes de escalos, típicos do Neiva. Não tardou muito a que mordessem. Com o lançamento a cair-lhes em cima, atiravam-se ao isco com voracidade e assim também fiz a minha primeira captura de um lindo escalo que se prestou a uma bela foto.

Com as primeiras capturas da tarde, comecei a desfrutar mais com a pescaria e aproveitei para ir acompanhando alguns lances do João Dias. Apesar da sua destreza com a pluma, foi notório que as trutas não estavam para ali viradas, pois nem um toque. Entretanto, avancei para o açude e resolvi pescar a zona imediatamente acima. Estava mesmo a correr bem, tive dois toques razoáveis e vi duas trutas de bom tamanho a seguir o rapala. Isto era impressionante, até porque nas zonas em questão as águas estavam relativamente paradas.

Perante este bom cenário, resolvemos avançar mais para montante até ao próximo açude. O João mudou para a ninfa afogada e eu mantive o rapala. O rapala continuou a dar cartas e em uma hora e meia de pesca, tirei mais um escalo e 3 trutas. Todas seguiram para a água, apesar de uma delas ter cerca de 22 cm. As trutas estavam mesmo com vontade de comer e sobretudo ao peixe artificial. Fiquei satisfeito 🙂 …. a felicidade só não era completa, porque o amigo João não estava com nenhuma sorte.

Quando chegamos ao outro açude, resolvemos mudar de rumo, pegar no carro e entrar numa zona mais a jusante, também pautada por poços e correntes lentas entre açudes. Esta zona era sempre mais batida, no entanto, achamos que valia a pena tentar ali a sorte, no final de tarde. Os primeiros lançamentos foram totalmente infrutíferos. Não se via qualquer actividade no primeiro poço. Só na queda de água do primeiro açude é que se conseguiu mexer alguma coisa. Tirei uma truta de 17 cm e levei duas pancadas de outras duas, que tinham mais ou menos o mesmo tamanho. Por sua vez, o João tirou um ou dois escalos neste açude.

Sem muito mais tempo para gastar, avançamos para o açude seguinte. Neste açude, consegui levar duas picadelas de duas boas trutas na corrente lenta, imediatamente abaixo do mesmo. Uma delas abriu a boca totalmente, mas não cravou. Eram bichos para cima de 22 cm em profundidades de 40 cm de água. O João entrou na queda de água, mas sem resultados práticos.

Na parte final, avancei para cima do muro do açude. Ao quarto lançamento para montante, tiro um escalo que cravou de forma firme. Já era o terceiro do dia! Sem grande vontade de pescar mais, resolvi terminar com uma baía imediatamente abaixo do muro, onde entrava um pequeno ribeiro lateral. Três lançamentos para a queda de água e nada. Ao quarto, virei-me para o João e disse: “Vou lançar para a saída do ribeiro e tirar uma boa truta.” Lanço, o isco cai, começo a recuperar e depois de 5 metros de recuperação, vejo duas sombras a avançar para o rapala. Uma delas, a maior, dá uma corrida mais forte, abre a boca e vira a cabeça para o lado e arranca. Não era truta, mas sim um barbo com cerca de 400 gramas. Levanto a cana, mas o fio já tinha partido … surreal … o João ficou a olhar para mim e eu para ele. Fiquei cego :). É que nem grande força se sentiu na cana … nem luta, nem nada!! Tudo o que eu tinha para dizer sobre o fio Dragon Winner da Cormoura, começou logo a desaparecer e entrar no extremamente negativo. Aliás, qualquer explicação de nada me servia quando vi o peixe a arrancar sem sequer dar o mínimo de luta … nem a linha de coser tinha prestações assim. Talvez fosse só uma zona mais roçada … vou dar o beneficio da dúvida, antes de escrever o meu veredicto e para a semana já devo ter novidades mais sólidas.

No global, e apesar deste desaire de última hora, a pescaria foi um excelente momento de convívio com o nosso amigo João, que prova que, claramente, o spinning e a pesca à mosca podem conviver numa jornada atrás das trutas, desde que estejamos a lidar com pessoas com bom senso e espírito aberto. Neste dia tirei eu as trutas, no próximo será a vez do João. O que conta não são as capturas, mas sim a experiência, a partilha de conhecimentos e a amizade.

Bem haja amigo João e dia 9 lá estaremos para celebrar a pesca à truta no ano de 2011.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.