Manhã nublada de Agosto – Rio Mondego.

Manhã nublada de Agosto – Rio Mondego.




Depois de um dia de Agosto com alguma chuva fraca na zona raiana, considerei que estavam reunidas as condições para visitar o Rio Mondego no dia seguinte. O dia amanheceu com muitas nuvens e excepcionalmente fresco para o mês de Agosto, como tal nem hesitei: peguei no carro e desloquei-me logo na direcção do Porto da Carne, onde iria tentar a minha sorte. Estava esperançado de que o tempo fresco poderia motivar alguma actividade extra por parte das trutas.

Cheguei ao local por volta das 9h30 e verifiquei logo que por ali não andava mais ninguém. Peguei no material de light spinning: cana de 1,2 metros, linha 0,12 e Mepps Aglia nº 1, e avancei calmamente para o rio. O céu nublado e as margens molhadas eram bons indicadores de que possivelmente existiam razoáveis condições para pescar, apesar do baixo caudal que o rio apresentava. Desde logo, resolvi encetar uma caminhada de cerca de 1 km para jusante, seguindo a margem do rio, de modo a, simultaneamente, conseguir pescar os melhores açudes e não me afastar muito do carro.

Comecei a pescar para montante num grande açude, onde se encontra um poço com uma profundidade máxima de cerca de 5 metros. Bati o local ao milímetro e só vi duas trutas a seguir a colher. Uma delas tinha mais de 30 cm e veio a seguir a amostra mesmo até aos meus pés. Eu, por acaso, já a tinha visto desde longe, pois existiam movimentos estranhos à superfície perto de uma entrada de água. Ao primeiro lançamento, a bicha seguiu o isco, mas sem grande vontade. Enfim, toca a avançar!

Depois do açude, entrei numa zona de correntes que ia desembocar numa queda de água. Fui batendo as zonas com maior profundidade e quando cheguei perto da queda de água, lancei para um buraco entre duas árvores e levei um toque forte. Foi só cravar e rapidamente a truta ficou ao meu alcance. Saiu um primeiro exemplar do Mondego com umas cores impressionantes. Pura beleza icon smile Manhã nublada de Agosto   Rio Mondego.

Truta Porto da Carne Mondego Agosto Manhã nublada de Agosto   Rio Mondego.

Animado pela captura prossegui e investi logo no açude seguinte. Fui lançando por entre as árvores, mas nada mexeu. Com calma, cheguei a uma pequena corrente que seguia encostada a um muro. Realizei dois lançamentos para o final da corrente, mas nada mexeu. Lancei para o meio da corrente, cravei uma bela truta de 21 cm e depois de uma breve luta, em que ela se procurou enrodilhar nalguns ramos mortos dentro de água, consegui tirá-la. Mais uma truta dourada do Mondego.

Sem pensar muito, e depois de devolver a truta ao rio, tive a impressão de que ainda faltava alguma coisa. Pois … faltava lançar para o início da corrente! Lançamento bem direccionado, recuperação rápida e mais uma cravadela forte. Desta vez, mais forte do que a anterior e com uma boa luta. Tinha uma linda truta de 24 cm na ponta da linha. Ela bem tentou meter-se debaixo dos ramos secos, mas eu fui mantendo a cana alta e tentando puxá-la para águas mais limpas. Após um ou dois minutos, consegui controlá-la e entrou directo para o camaroeiro. Outra linda beleza.

Com estas boas capturas e o dia a começar a clarear, comecei a duvidar que se mantivessem as boas condições para a pesca. Mesmo assim não esmoreci e resolvi continuar a pescar para montante, batendo vários açudes e poços com alguma regularidade. Ainda tive uma truta de 22 cm cravada, mas conseguiu descravar-se a meio do rio. O resto do tempo foi bastante infrutífero. Considerando as trutas que tenho visto nalguns dos locais ao longo de várias temporadas, fiquei um pouco desapontado pela falta de actividade e movimento. Talvez, o aumento da temperatura e da claridade fossem razões mais do que suficientes para a falta de trutas.

De qualquer forma, o interessante foi claramente tirar umas trutas em Agosto no grande rio Mondego. Apesar do calor, elas continuam a dar luta e agora estão mais gordas. O problema vai ser encontrar alguns bons dias para as visitar icon smile Manhã nublada de Agosto   Rio Mondego.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.