No último açude do Rio Âncora.

No último açude do Rio Âncora.


Depois de uma parte inicial a pescar para montante da Ponte da EN13, estava na altura de inverter para jusante. Objectivo: bater o troço até à saída de água do último açude, procurando trilhar alguns espaços mais difíceis de pescar.

Para mim, este troço é sempre muito especial, porque nunca se sabe quando é uma daquelas celebres trutas mariscas do Âncora está disposta a picar a sério na amostra. Ali tende a ser o primeiro lugar onde elas se congregam, antes de avançarem mais para montante. Com este pensamentos a voar pelo meu cérebro e as 12 horas a bater no sino da igreja, estava na altura de atacar esta última etapa do Âncora.

Os primeiros lançamentos com 0,12 e Mepps Aglia nº1 saíram encostados ao pilar da ponte antiga, tentando apanhar uma pequena saída de água, para montante, mas sem resultado. Não houve resultado, porque a boa truta que deveria estar lá (27 cm), estava mesmo aos meus pés, a olhar para mim como se nada fosse. Ali ficou serenamente, até que eu, de tal maneira chateado, resolvi passar-lhe a amostra pelo nariz. Nem hesitou … Arrancou para debaixo das árvores na outra margem.

Perante isto, resolvi avançar lentamente para jusante e fui observando trutas e mais trutas atrás da amostra. A grande maioria sem tamanho, mas ainda vi quatro ou cinco com um lombo bastante razoável. Fiquei verdadeiramente impressionado, mas não deixei de insistir. Tanto não deixei de insistir, que num lançamento cruzado que caiu a poucos centímetros da outra margem, levei uma pancada valente na linha. Cravei e com bons resultados. Vi uma linda truta a saltar fora de água. Lá a consegui segurar, aproveitando a flexibilidade da cana e em menos de 1 minuto já a tinha ao meu alcance. Tinha capturado uma bela truta de 23cm. Mais um lindo exemplar do Âncora 🙂

Perante esta linda captura, fiquei animado, apesar de já não ter muito mais espaço para bater, pois estava chegar perto da ponte do caminho de ferro. E aí, por entre umas árvores bastante fechadas, consigo tirar outra truta. Desta vez, a truta não tinha mais de 15cm e foi capturada na sequência de um lançamento de fisga.

Com a vida a correr-me bem, cheguei ao açude. A maré estava no máximo, pois o açude estava bastante cheio. Os primeiros lançamentos saíram a cruzar toda a área para montante e jusante do açude, mas sem resultados. Tive que passar o muro para a margem esquerda para conseguir ter alguma acção. Num lançamento cruzado para algumas raízes mortas que estavam do outro lado, consigo tirar outra truta pequena com 13cm. Ela bem se tentou meter no meio das raízes, mas eu não facilitei e rapidamente a pus a jeito para ser devolvida como deve ser à água.

Com a hora do almoço a chegar, ainda voltei à margem direita e tentei forçar o andamento para jusante. Vi algumas trutas, logo nos primeiros lançamentos e já no final da zona pescável, onde o arvoredo se torna impenetrável, vejo um bom bicho. O lançamento sai para outra margem, começo a recuperar em zona de areia e vejo um lombo de mais de 30 cm, de cor acastanhada a surgir do fundo e a seguir a amostra a menos de 2 cm do triplo. A pujança da truta era tanta que eu pensei logo … vais morder … vais morder!! Ah bem!! A meio do rio, virou 180 graus para trás e adeus! Até fiquei cego. Com aquele bicho, aquela jornada já começava a cheirar a sucesso.

Enfim, mesmo sem aquela boa truta, passei um dia excelente na minha primeira ida ao Âncora em 2012. Uma boa densidade de trutas, algumas de bom tamanho e um grau de dificuldade elevado em termos de capturas. Claramente, um desafio de primeira qualidade para quem gosta destas andanças.

A ver se consigo apanhar um dia de chuva forte para lá voltar em breve 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.