2º Convívio Nacional de Pescadores de Trutas

2º Convívio Nacional de Pescadores de Trutas




Palavras para quê, meus caros?? Foi em grande!! Neste momento em que vos falo, o 2º Convívio Nacional de Pescadores de Trutas já era!!

Mais uma vez, foi uma grande ocasião para convivermos e desfrutarmos da excelente camaradagem que este nosso desporto nos proporciona. Com quase três anos em cima, este site, em parceria com os blogs Trutas e Serras e o Ninja Matrix, conseguiu juntar um grupo bastante interessante de entusiastas da pesca à truta e entidades oficiais. Depois de um período de inscrição online, onde registamos cerca de 13 participantes, terminamos o convívio com mais de 30 pessoas. Um excelente número que ficou muito perto dos 37/38 que eu e o João tínhamos falado, há mais de três semanas.

Uma parte significativa dos participantes foi alvo de convite directo. Era importante dar visibilidade a este evento, pois estamos num ponto crucial de viragem para o futuro da pesca à truta em Portugal, e como tal resolvemos juntar numa mesma mesa, alguns dos protagonistas com maior poder e reputação nesta área. Assim, foi com enorme prazer que registamos as seguintes presenças oficiais:
– Engº Daniel Campelo – Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural
– Prof. Arlindo Cunha – Ex-Ministro e ex-Eurodeputado, actual Presidente da CVR Dão
– Dr. José Emílio Moreira – Presidente da Câmara Municipal de Monção
– Engº Rui Ladeira – Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vouzela
– Engº Mendonça – Ex-Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto
– Sr. António Ferreira – Presidente da Junta de Freguesia de Campia
– Drº Helder Filipe – Presidente da JSD de Famalicão
– Drº José Arieiro – JSD Alto Minho

Tal como esperado, o convívio para os pescadores de trutas começou por volta das 9 horas. O Parque de Merendas da Nossa Senhora dos Passos estava em excelentes condições, devidamente limpo e vedado (aqui o nosso agradecimento especial para o Presidente da Junta de Freguesia de Merufe). Quando chegamos, já estavam alguns entusiastas à nossa espera e rapidamente começamos a preparar o material para o petisco. Iríamos começar com um entrecosto na grelha, rojões, rissóis e a típica broa de milho de Campia. Mas que broas 🙂 Duas autênticas rodas de carros de bois, que mais que chegaram e sobraram para as entradas!!

Depois da abertura de hostilidades gastronómicas, que ainda demorou uma horita, lá começamos, a muito custo :), a preparar a faina. Como já era domingo, as minhas expectativas para a pesca não eram muitas. Sabendo do Convívio, certamente que muitos dos pescadores da zona, que até não são nada invejosos :), já nos tinham espantado as trutas, para não termos o trabalho de as tirar da água. Aliás, o próprio João Dias (o meu parceiro da organização) já tinha dado uma ajuda na sexta-feira 🙂 Assim, estava tudo preparado para darmos uma pequena volta sem grandes stresses, onde o que interessava era ajudar à digestão do petisco para preparar o estômago para o almoço.

Portanto, a pesca nada deu. Foi claramente uma sessão de pesca sem morte, onde todos os exemplares foram devolvidos à água. Registaram-se algumas capturas, mas quase todas elas sem o tamanho mínimo. O tempo curto para a sessão de pesca (cerca de 1 hora) e o comportamento assanhado das trutas, também não permitia mais!!

Perante a ineficácia das nossas amostras, havia que voltar rapidamente ao local de combate! À nossa espera estava um repasto “colossal” com carne barrosã, costelas, barrigas, cabrito, cebolinhas de Mondim de Basto, vários pães de ló, pastéis de Vouzela, suspiros de nós … Do vinho, nem dá para falar, tal a variedade e quantidade de garrafas disponíveis; Quinta dos Curvos, Ladeira da Santa, verde do meu amigo José Pintalhão, etc. Sede não se passou e ainda circularam algumas garrafas de whisky e de licor de murta.

Para animar as hostes, ainda tivemos uma performance musical organizada pelo Dr. Vasconcelos e companhia, que muito gentilmente trouxeram a sua viola e harmónica. Foi um momento alto em termos culturais, que ajudou a animar ainda mais um clima de convívio que já estava com muito bom andamento.

Após cerca de 2 horas de repasto e convívio, chegou finalmente ao momento de se fazerem os discursos oficiais. A liderança pertenceu ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Monção que congratulou a organização pelo sucesso da iniciativa e teceu algumas considerações preciosas sobre a sua visão para o futuro da pesca à truta e ao salmão no concelho de Monção. Uma visão que nos pareceu bastante moderna e com capacidade para promover a preservação destas espécies emblemáticas.

De seguida, houve uma intervenção do Prof. Arlindo Cunha para abrir as hostilidades em termos de mensagem política para os órgãos centrais, que foi posteriormente aproveitada pela organização. Eu e o João Dias tivemos a oportunidade de agradecer a todos pela presença e de tecer algumas considerações sobre o que esperamos para o futuro da pesca à truta em Portugal. A ênfase foi posta na necessidade de voltarmos a prestar atenção aos pescadores e criar condições para que a pesca volte a ser valorizada como um recurso turístico de alto valor acrescentado, especialmente em zonas protegidas. Também foi posta em causa a actual lei da pesca que nos parece totalmente desadequada às exigências da nossa classe.

Com base neste desafio, surgiu a intervenção do Sr. Engº Daniel Campelo. Depois de uma visão institucional, defendendo a pesca como um desporto com forte capacidade para gerar valor acrescentado em termos de turismo e coesão territorial, passou a apresentar as linhas gerais daquilo que antevê para o sector. O foco do seu discurso incidiu na necessidade de transferir poderes nesta matéria, da autoridade central para os municípios, por serem as entidades com maior conhecimento do terreno e das especificidades de cada massa de água. Como tal, brevemente devem existir novidades em termos do modelo de gestão da pesca em águas interiores.

Com o encerrar dos discursos, começou-se a criar o clima para a desmobilização. Ainda fomos vários os que ficamos para trocar algumas impressões e experiências sobre a pesca à truta, mas a maioria teve que se fazer à estrada para tratar de outros compromissos. Alguns ainda resolveram revisitar o rio Mouro, por se acaso, a ligeira chuva que começou a cair, tivesse um efeito benéfico sobre as trutas. Alguns pararam no Vez a caminho de casa e tiveram sorte, já que saíram umas trutitas!!

Enfim, coube-nos a nós tratar de arrumar tudo com imenso gosto, pois tínhamos cumprido com o prometido. Não queria terminar sem deixar uma palavra muito especial para a organização, João Dias e Miguel Pereira, e para os que mais de perto colaboraram connosco durante o evento, nomeadamente o “grande” Manuel Rocha (aka velho), o Rui, o Hélder Filipe e o José Arieiro. E a todos, o meu muito obrigado por terem vindo e terem feito desta iniciativa um sucesso!!

A ver se para o ano conseguimos reeditar ou melhorar esta iniciativa!

Um abraço e bem haja a todos 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.