Achigãs, escalos e trutas em Touvedo

Achigãs, escalos e trutas em Touvedo




No final da semana passada, resolveu-se tentar marcar uma pescaria na zona do Lima com três intervenientes: o amigo João Dias, o Torres (conhecido por Torres Elwell neste espaço) e a minha pessoa. O ponto de encontro era no Restaurante Ponte do Neiva às 9 horas e ninguém falhou à chamada. O problema foi no arranque, pois devido a afazeres de última hora, o nosso amigo João Dias teve que ficar para trás.

Antes de arrancar, ainda conversamos um bocado e decidimos que era capaz de valer a pena bater o Rio Lima nas proximidades de Ponte da Barca. O único senão seria sempre a descarga da Barragem de Touvedo. Bem, já sem esperança de tirar o nosso amigo João do seu local de trabalho, lá arrancamos direitos a Ponte da Barca.

Tal como antecipado, a Barragem estava aberta. Efectivamente, a força da descarga não era tão grande como em situações anteriores, mas mesmo assim não não dava muita hipótese às amostras, pois a corrente não as deixava passar nas zonas mais interessantes. Ainda tentamos pescar numa zona específica a jusante do muro de Touvedo, mas sem grandes resultados. Levei um toque numa amostra nº3 de 18 gramas de uma truta que deveria ter 25 centímetros, mas não cravou. Não valia a pena insistir 🙁

Perante este cenário, resolvemos avançar para a albufeira de Touvedo. Já há muito tempo que não passava por lá, e estava na altura de revisitar este velho local de pesca, onde acontecem sempre algumas peripécias interessantes. Escolhi a margem direita e preparei o material de spinning normal: cana de 1,8 metros, linha 0,18 e amostra X-Rap 6 RT. Com achigãs e trutas disponíveis para o ataque, achei que valia a pena trabalhar com peixe artificial.

Eu e o Torres iríamos pescar para montante, procurando sobretudo trabalhar as zonas mais resguardadas e com mais lenha morta dentro de água. Era nestas últimas que eu esperava encontrar os bons exemplares. Assim, surgiram os primeiros lançamentos e os resultados não tardaram. Logo no local onde entramos, tirei o primeiro peixe do dia: um lindo achigã que entrou na X-Rap, mal ela passava por entre dois arbustos dentro de água. Deu a luta do costume, com saltos fora de água, mas não se conseguiu descravar. Era um lindo exemplar com cerca de 23 cm, com umas cores lindas e de água relativamente pura.

Com esta primeira captura, animamos e começamos a insistir nos locais mais promissores. Avancei para uma zona com muito menos profundidade e fui obrigado a trocar a X-Rap pelo FT-7 MN. Interessava evitar perder amostras, à medida que ia pescando por cima da lenha submersa. A troca foi bem feita, e numa zona com menos de 20 cm de água, tirei outro achigã, um pouco mais pequeno do que o anterior. Simultaneamente, o Torres também não deixava os seus créditos por mãos alheias e tirou um achigã pequeno.

Já com algumas capturas realizadas, resolvemos avançar um pouco mais para montante. Fomos para uma zona com potencial, mas durante cerca de uma hora, não tivemos mais nenhum toque. Viam-se algumas trutas a passear e a mosquear, mas nada de abrir a boca. Lá fomos insistindo e avançando até chegar a outra zona infestada com madeira. Nesse local, voltamos a ter novidades. Depois de palmilhar a área ao milímetro, tive um primeiro toque a cerca de 20 metros, que me pareceu de peixe grande, mas não consegui cravar, nem visualizar. Depois, e passados 20 minutos, levo um bom toque no rapala e consigo cravar com sucesso. Sinto luta com alguma força, procura manter o peixe à tona e ele arranca para se enrolar nos ramalhos. Pareceu-me tratar-se de um barbo com algum tamanho, mas sem a força habitual. Lá o consegui dissuadir de alcançar os ramalhos e quando me apareceu perto, verifiquei que era um bom escalo com cerca de 27 centímetros. Um bom exemplar!!

Depois desta captura, só faltava mesmo tirar uma truta para completar o cenário. E não tardou muito. Mais à frente, o Torres meteu uma colher e depois de alguns lançamentos sucessivos numa zona promissora, conseguiu tirar uma bonita truta com cerca de 26 centímetros. Era um excelente exemplar e foi devolvido rapidamente à água. Eu, como não queria ficar atrás, também tive a minha oportunidade. Numa zona com uma margem bastante acentuada, lanço o rapala para longe, e quando ele está a cerca de 10 metros de mim, sinto um toque e vejo um peixe a persegui-lo como um louco até aos meus pés. Vi que era uma truta assanhada, que não tinha tocado nos triplos e não me tinha visto!! Fugiu de imediato para o local onde eu tinha sentido o toque. Voltei a lançar para o mesmo local, e quando a amostra ia a passar, a truta ataca com uma tal voracidade que se crava sozinha. Tentou fugir para a esquerda e para a direita, mas estava bem cravada. Lá a combati com calma e em pouco menos de 30 segundos, já estava nas minhas mãos. Um lindo exemplar de uma truta de Touvedo 🙂

Com este exemplar e com as duas horas da tarde a bater no relógio da Igreja, estava na altura de começar a caminhar para o carro. Ainda houve força para bater uma baía com algum potencial, e depois de algumas brincadeiras com achigãs, lá consegui tirar um de 23 centímetros. Era mais um para contar … e as forças já não eram muitas. Os lançamentos seguintes foram residuais e começamos a caminhar para o carro.

No global, a decisão de visitar Touvedo foi boa. Tivemos oportunidade de nos divertirmos numa zona onde há bom peixe, e conseguimos realizar boas capturas. Isto, apesar de as condições não serem as melhores para se conseguirem bons resultados, pois a superfície da água estava muito tranquila nalguns locais. Foi realmente uma expedição que valeu a pena 🙂

Comentários Facebook - Trutas.PT
Related Posts with Thumbnails


Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.