Regresso às trutas do Alfusqueiro – Cambra

Regresso às trutas do Alfusqueiro – Cambra

Como costuma ser tradição todos os anos, este ano fomos mais uma vez convidados pelo Engº Rui Ladeira para mais um dia de convívio na zona de Cambra, que teria como pano de fundo, uma pescaria às trutas no Rio Alfusqueiro, mais concretamente na concessão de pesca desportiva. Iríamos pescar alguns dos lotes mais interessantes para a pesca com amostra, ficando os restantes disponíveis para quem quisesse usufruir da pesca à minhoca. O grupo que ia alinhar nesta expedição já era conhecido de outras andanças, e incluiu: o Prof. Arlindo Cunha, Engº José Pintalhão, Dr. Manuel Pintalhão, Dr. Sousa Rodrigues, Dr. Manuel Oliveira, Prof. Lemos de Carvalho, Engº Casais, Manuel Jorge, Sr. António (Presidente da Junta de Freguesia de Campia), Sr. Arlindo e Miguel Pereira.

O dia acordou com bom aspecto para a pesca à truta e à medida que fomos fazendo kilómetros, parecia que a chuva nos ia ajudar. Efectivamente, chegamos a Cambra sob o auspício de alguns aguaceiros regulares. No entanto, à medida que o tempo foi passando, a chuva foi reduzindo a sua intensidade e cessou por completo, já a meio da jornada de pesca.

Depois do encontro da praxe, por volta das 7h30, realizamos o sorteio dos lotes, tendo-me calhado, os lotes 5 e 6 para o arranque da jornada e depois o lote 1 para o término. Como companheiros de pesca, iria desfrutar da ilustre companhia do Prof. Arlindo Cunha e do Engº José Pintalhão, grandes amigos e pescadores afoitos, sempre dispostos a dar luta em termos de capturas.

O rio corria com um caudal típico de Junho e a chuva não tinha trazido grandes correntes. Por isso, resolvi entrar nos lotes 5 e 6 com material de light spinning: cana de 1,2 metros, linha 0,12 da Fendreel e amostra Mepps Aglia nº1. O rio, nos lotes 5 e 6, era relativamente estreito e portanto os lançamentos tinham que ser mais precisos do que longos. Apesar de não ser a minha estratégia favorita, atacamos estes lotes de montante para jusante. Os primeiros lançamentos foram realizados em zonas com alguma profundidade, pois só aí se podia pescar com algum sucesso à amostra. A densidade de erva era de tal ordem nas correntes menos fundas, que era impossível conseguir lançar ou mesmo recuperar a amostra na maioria dessas zonas.

Logo nos primeiros lançamentos, notei que as trutas estavam bem picadas. Não se viam muitas, e as que se viam estavam muito esquivas. Portanto, havia que tentar lançar o mais longe possível da margem. Numa zona com um pequeno poço, consigo afastar-me o suficiente da margem, lanço para jusante e quando começo a recuperar, tenho a primeira cravadela. A truta deu alguma luta, mas o seu pequeno tamanho não dificultou a captura. Era a primeira truta do Alfusqueiro, com 15 centímetros e uma cor negra, bastante bonita.

A truta foi rapidamente devolvida à água e voltei ao ataque. Os meus parceiros iam a acompanhar-me, mas sem grandes resultados. Apesar da chuva ligeira, as trutas não estavam a querer cooperar. Em cerca de uma hora, fizemos os lotes 5 e 6, e apesar de ter tido mais 6 toques, não tirei mais nenhuma truta. Aliás, as que picaram, eram todas pequenas demais, até para o triplo de uma amostra nº1. Enfim, o primeiro troço da manhã foi uma decepção.

Perante este estado de coisas, resolvemos ir para o parque de piqueniques, junto à foz do Rio Couto e ligamos ao Engº Rui Ladeira para nos mudar para o lote 1. Enquanto o Engº Rui Ladeira não aparecia, ainda encontramos o Engº Casais, o Dr. Sousa Rodrigues, o Dr. Manuel Pintalhão e o Prof. Lemos de Carvalho. Só este último é que tinha tirado uma truta de jeito. O dia estava mesmo a correr mal 🙁

Com a chegada do Engº Rui Ladeira, houveram alterações na equipa de pesca. O amigo José Pintalhão foi tratar de uns assuntos com o Engº Casais, e juntaram-se a mim e ao Prof. Arlindo Cunha, o Dr. Sousa Rodrigues e o Dr. Manuel Pintalhão. Íamos atacar o lote 1, que ficava mesmo para montante da barragem. Tínhamos expectativas de poder ali encontrar algumas boas trutas e o Miguel Pereira já me tinha dito anteriormente que tinham saído ali algumas trutas de 800 gramas.

Começamos a pescar a partir de Pés de Pontes para jusante. Perante a dimensão do rio, resolvi mudar de isco, e troquei a Mepps nº1 pelo Rapala CD-3. Os lançamentos começaram a sair e procurei sobretudo insistir nas zonas mais difíceis. Logo ao inicio, ainda tive um toque forte junto aos pilares da ponte, mas depois as emoções esmoreceram. Fui batendo alguns pontos de forma bastante detalhada, cheguei mesmo a mudar de margem, mas as trutas não estavam em dia sim. Vi alguns pequenos exemplares, mas a densidade não era a que eu esperava. Só no final do lote, já perto do muro do açude antes da barragem é que tive a possibilidade de capturar uma truta de cerca de 25 cm. Depois de um primeiro lançamento com o rapala, ela arrancou debaixo da minha margem e tentou abocanhar o rapala, mas não lhe tocou. Perante isto, resolvi insistir e quando a amostra chegou perto de mim, reduzi a rapidez de recuperação e dei mais toques de cana. A truta arrancou outra vez debaixo da margem, abriu a boca, eu cravei com força, e os triplos não ferraram como deve ser!! A truta foi-se embora para nunca mais voltar.

Em menos de 20 minutos depois desta peripécia, terminou a pescaria. Só o Dr. Manuel Pintalhão é que teve sorte ao tirar uma truta com cerca de 25 cm. Os restantes nada fizeram.

Sem vontade para mais faina, resolvemos rumar para a quinta do Engº Rui Ladeira, onde estava à nossa espera um almoço verdadeiramente espectacular, com alguns dos petiscos mais típicos da zona. Ainda tivemos a oportunidade de ver que quem esteve no lote 2, tirou boas trutas, nomeadamente o Sr. Arlindo que tirou uma bonita truta de 30 cm. O Miguel penso que tirou também duas trutas no mesmo lote. Mas o epicentro da festa, passou a ser a Vitela de Lafões, o cabrito da zona, os Pasteis de Vouzela, e um sem número de outros petiscos que nos fizeram crescer água na boca. Como sempre, o Engº Rui Ladeira presenteou-nos com a sua imensa amizade e com uma panóplia de sabores e cheiros que nos fazem querer sempre voltar a esta grande terra de Cambra e ao belo Rio Alfusqueiro.

Um bem haja ao Engº Rui Ladeira por mais este convívio e por um excelente dia passado em convívio com a natureza 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.