De volta às trutas do Rio Cávado – Amares

De volta às trutas do Rio Cávado – Amares


Já há algum tempo que não visitava no Rio Cávado na zona de Amares. Apesar de ser uma zona super pescada, é também um local de eleição para tentar algumas das trutas mais esquivas e manhosas de Portugal. A pressão de pesca não dita tudo e muitas vezes uma mudança súbita nas condições climatéricas pode determinar uma alteração dramática no comportamento das trutas. Isto, já para não falar do ritmo de descargas da conduta da Barragem da Caniçada que altera as condições de pesca durante o dia, fazendo as trutas alternar entre actividade e inactividade.

Desejoso então de voltar às margens do Cávado, resolvi bater o troço para montante da Ponte do Porto. Cheguei ao local por volta das 15 horas e sem saber muito bem como é que estava o rio, pois vinha de montante, resolvi equipar-me com material de light spinning para rios mais largos; cana de 1,8 metros, fio 0,12 da Fendreel e Mepps Aglia nº1.

Sem mais demoras, avancei para a margem esquerda e verifiquei que tínhamos descarga no rio. Tratava-se de uma descarga moderada, mas que era mais do que suficiente para provocar alguma alteração no comportamento das trutas, já que se via muito nutriente e algumas algas em suspensão. Com este cenário, comecei então a palmilhar a margem, à procura de alguns pequenos buracos onde pudesse lançar. Verifiquei de imediato, que a vegetação tem crescido muito nos últimos tempos e que algumas zonas estão muito difíceis para a prática da pesca. Mesmo assim, fui insistindo.

Logo nos primeiros lançamentos, curtinhos por causa da corrente e da pouca dimensão dos buracos na vegetação, senti que as trutas estavam encostadas às margens. As trutas estavam a aproveitar a corrente mais lenta e também a sombra que é sempre propícia ao desenvolvimento e actividade dos insectos. Em dois lançamentos com recuperação lenta, senti duas boas pancadas, mesmo quando a amostra estava para deixar a água. Claramente cabeçadas de trutas que queriam ver a colher a sair do seu território. Eram trutas de razoável tamanho 🙂

À medida que fui avançando, verifiquei que eram poucas as trutas que se encontravam ao centro do rio e tal como esperado, muitas delas estavam bastante assanhadas e nem mexiam à amostra ou então fugiam como loucas. Lá fui avançando para montante, e numa zona mais desimpedida, lanço para o centro do rio e quando a amostra vem a passar por cima de uma alga, levo um toque e consigo cravar. A truta bem tentou escapar-se, mas o seu pequeno tamanho não permitiu grandes coisas. Rapidamente chegou às minhas mãos e também rapidamente voltou ao rio. Era um lindo exemplar do Cávado!

Perante esta captura, fui avançando para montante à procura de mais emoções. A margem ficou um pouco mais desanuviada de vegetação, mas também a densidade de trutas foi diminuindo. Bem tentei palmilhar todos os cantos e recantos com a colher, mas não se via nada de jeito a mexer.

A zona dos açudes e correntes ainda mostrou algumas trutas de pequeno tamanho, mas não era daquilo que estava à procura. Levei dois bons toques num lançamento para montante em paralelo à minha margem. As trutas eram razoáveis, mas não ficaram.

Não vi grandes exemplares. As condições climatéricas não eram as melhores e o local estava bem pisado. Ainda forcei o andamento até uma zona onde o silvado entra pelo rio adentro, no entanto, o esforço foi inglório e as trutas ainda pareciam mais picadas do que para jusante. Perante este estado de coisas, comecei a esmorecer. Achei que já não valia a pena continuar e voltei ao carro para ir dar uma volta a outras paragens.

No global, esta visita ao Cávado valeu pelo facto de ter voltado a um dos locais míticos para a pesca à truta em Portugal e que tão bem conheço. As emoções não foram grande coisa, mas as trutas ainda por lá estão e algumas de bom tamanho. Quanto a tirá-las 🙂 isso já é outra conversa, até porque estamos no final da temporada e a pressão de pesca naquele local é aquilo que a gente sabe 🙂 Pescadores uns atrás dos outros!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.