Nas sombras das margens do Rio Lima …

Nas sombras das margens do Rio Lima …


Já com uma manhã de pesca na zona do Lima, tinha chegado a altura de almoçar e começar a pensar na parte da tarde. Com Ponte da Barca como pano de fundo para a jornada de pesca, achei que valia a pena voltar a bater o troço junto à ETAR de Ponte da Barca, procurando sobretudo ver qual a qualidade da densidade de trutas que se podia visualizar na margem esquerda. Esta é a minha margem favorita pela grande densidade de árvores e pela profundidade que o rio tem em determinadas zonas. Já lá capturei exemplares de kilo e fiz boas pescarias, desde que o dia seja o ideal.

Terminado o almoço, resolvi então pescar no calor da tarde, avançando para montante. Peguei no material de light spinning para rios com grande caudal (cana de 1,8 metros, fio 0,12 da Fendreel e Mepps Aglia nº1), pois as condições de pesca pareciam as ideais para tentar as trutas com isco pequeno. A barragem de Touvedo estava quase parada e portanto, as quedas de água e as correntes estavam bastante normais, e não ofereciam dificuldade.

Os primeiros lançamentos surgiram junto à ETAR e nada se mexeu. Constatei, desde logo, que pelo menos, e ao contrário de outras situações (cor branca e cheiro fétido), a água não estava com um aspecto miserável. Pode ser um bom sinal de que algo se tem feito no campo do controlo da poluição … no entanto, só uma visita noturna para tirar as teimas!!

Lá fui avançando para montante e junto às árvores, começaram as emoções. A sessão de pesca durou cerca de duas horas e fiquei bastante satisfeito. Os lançamentos eram realizados para o centro do rio, e quando a colher começava a evoluir perto da margem, surgiam as mordidelas e brincadeiras das trutas. Num percurso de cerca de 500 metros, que foi palmilhado de forma detalhada, tive a oportunidade de verificar que a densidade de trutas se mantém a bom nível neste local, no entanto, as trutas também estavam bastante desconfiadas. Este último aspecto é um sintoma claro de uma pressão de pesca elevada, pois os pescadores da zona e outros que a conhecem bem, não a deixam em branco.

O que notei na sessão de pesca, foi que a maioria das trutas estava encostada à margem, por entre as raízes das árvores. Numa zona, em que me consegui deslocar para dentro do rio, consegui tirar três pequenas trutas no mesmo local, lançando para montante e na direcção da margem. Elas estavam irrequietas e atacavam mal a amostra caía na água. As trutas de maior dimensão também lá andavam e cheguei a ver várias acima da medida a seguir a amostra. Ainda vi uma truta com mais de 30 centímetros a seguir a colher, mas não abriu a boca.

No global, não retive qualquer truta, mas tive uma sessão de pesca bastante interessante. As trutas estavam emboscadas na margem à espera dos insectos e iam-se movimentando à amostra. A sensação de as ver aparecer do nada e movimentarem-se como um raio atrás da colher era verdadeiramente emocionante, mesmo quando não mordiam. Ainda tirei 6 trutas, mas todas com tamanho reduzido para o Lima. Libertei-as todas, porque sei que ali têm condições excelentes para se desenvolverem e alcançarem uma média de 30 centímetros no próximo ano. Com esse tamanho, já são oponentes de primeira categoria 🙂

Foram momentos de pesca que me agradaram bastante!!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.