As ETAR’s em Portugal

As ETAR’s em Portugal

Ainda há pouco tempo, e durante uma jornada de pesca no Rio Vez, tive oportunidade de comprovar que muita ainda há a fazer para conseguirmos por as ETAR’s a funcionar com os mínimos exigíveis para a preservação das populações de trutas. Numa zona para jusante dos Arcos de Valdevez, realizei uma sessão de pesca nas proximidades da ETAR que me permitiu bater dois troços com dimensões semelhantes para montante e para jusante desta infraestrutura.

Escusado será dizer que para jusante, denotei uma menor densidade de peixe, incluindo todas as espécies, mas com maior incidência ao nível das trutas. De facto, nesse dia em particular, apenas vi uma truta de pequena dimensão no troço para jusante da ETAR. Já para montante, observei uma maior densidade de todas as espécies e verifiquei uma maior frequência de trutas, com alguns exemplares a apresentar um tamanho bastante interessante.

Ainda pensei que este facto fosse simples coincidência, no entanto a explicação para o sucedido surgiu rapidamente na voz de um dos moradores ribeirinhos que encontrei no local. Para jusante da ETAR, tem-se vindo a assistir a uma degradação lenta e sustentada da densidade de peixes que é provocada pelas descargas nocturnas que são realizadas nesta zona. Segundo esta fonte, o rio durante o dia apresenta um aspecto bastante limpo, porque as descargas são reservadas para as horas onde passam mais despercebidas, escapando assim aos olhos dos pescadores e ambientalistas.

Perante isto, acho que não há mais nada a dizer. Num rio de primeira categoria para a pesca à truta em Portugal, este tipo de situação deveria ser totalmente impensável. O funcionamento de uma ETAR nesta massa de água deveria ser alvo de um escrutínio exaustivo e qualquer falha deveria ser rapidamente corrigida ou sancionada.

Penso que as entidades e autoridades respectivas devem ter uma postura mais agressiva neste tipo de questões. Apesar de existirem sempre suspeitas do lado da população, que valem sempre o que valem, não se pode descurar o controlo da qualidade deste rio. As análises devem ser periódicas e o controlo da água e dos efeitos das descargas deve ser levado ao pormenor. A perda de um troço do Vez, como aquele que vai desde a ETAR até ao rio Lima, não é admissível!

Este é mais um alerta que se vem juntar a outros que já por aqui surgiram relativamente a esta situação. Há que fiscalizar as ETAR’s e punir quem não cumpre com as directivas actuais. Caso contrário, iremos todos pagar, mais tarde ou mais cedo, com mais poluição, menos saúde e menos qualidade de vida.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.