Rio Neiva – Primeira concessão de pesca

Rio Neiva – Primeira concessão de pesca

Quem conhece o rio Neiva, sabe que este rio não tinha qualquer concessão de pesca desportiva em todo o seu curso. Este cenário acabou de ser alterado no dia 20 do mês corrente.

A partir de agora, um troço de 8 km deste rio passa para as mãos da Associação Recreativa de Caça e Pesca do Vale do Neiva. O troço em questão pertence à parte mais a montante do rio Neiva, estando localizado entre a linha de alta tensão da Quinta da Codeçosa e a Ponte de Além.

Para conhecerem mais sobre este despacho, podem ler o edital abaixo:

Este é um rio que merece o meu maior respeito como pescador de trutas e foi também o rio aonde me iniciei nestas lides. O troço em questão, é um dos troços, onde raramente pesco desde que me especializei num spinning virado para exemplares maiores, mas traz-me boas recordações por ter lá pescado nas minhas primeiras incursões e aprendizagens no Neiva.

Um dos meus maiores medos com a criação desta concessão é a possibilidade de contaminação do património genético das trutas do Neiva, se forem permitidos repovoamentos não controlados e fiscalizados a esta Associação, que agora fica com este troço do rio. Acho que isto seria a pior desgraça que poderia acontecer num rio, onde, apesar da imensa pressão de pesca, continua a existir uma saudável e estável população de trutas, com algumas de tamanho bastante apreciável. As trutas do Neiva são das poucas que mantêm uma linha genética relativamente equilibrada, sendo os troços mais a montante autênticos viveiros que repovoam este rio de forma contínua.

Desde aqui lanço este meu alerta para as autoridades competentes para que atentem a este aspecto e não permitam qualquer tipo de repovoamento, a não ser que o mesmo se justifique de um ponto de vista ambiental, e caso tal aconteça, que seja realizada unicamente com património genético do Neiva.

Penso que está na altura de acabar com os amadorismos nas concessões de pesca em Portugal e começar a levar as coisas bem a sério. À medida que vão surgindo mais e mais destas formas de gestão, é preciso saber o que elas andam a fazer e fiscalizá-las com a intensidade devida. Caso contrário, podemos acabar com uma situação incontrolável de perda de património genético, criação de coutadas privadas a quase custo zero, introdução de doenças novas nas massas de água, diminuição da biodiversidade, etc.

Quem quer coutadas em águas salmonídeas deve pagar bem por isso e assumir a responsabilidade de gerir bem um património que nos pertence a todos e ao qual devemos ter todos acesso de forma igual. Enquanto assim não for, penso que as concessões são inimigas dos verdadeiros pescadores e do nosso progresso e desenvolvimento!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.