Já tinha saudades das trutas de Paradela do Rio …

Já tinha saudades das trutas de Paradela do Rio …


Depois de um interregno de alguns anos, finalmente a pesca à truta voltou a ser possível na Barragem de Paradela do Rio. A publicação do edital da concessão permite a pesca nesta barragem a partir do dia 1 de Março, mesmo quando a lei geral diz que as barragens do Gerês devem abrir apenas no dia 1 de Abril.

Deixando estas considerações de lado, aproveitei uma viagem exploratória às barragens do Gerês para deitar um olho a Paradela do Rio. As chuvas das últimas semanas favorecerem o crescimento dos caudais dos rios da zona e eram poucos os locais onde se podia pescar ao spinning. Como tal, acabei por ir fazendo caminho até chegar a Paradela do Rio.

Depois de uma análise das condições da albufeira junto ao muro da barragem, resolvi avançar para a compra da licença de pesca especial no Café Benfica. A compra foi rápida e entre um e dois comentários fiquei despachado em menos de 5 minutos. Agora, e já licenciado, comecei a fazer contas à vida. Tinha visto pescadores na margem direita e estavam junto à conduta de saída de água. Por ali, as coisas estavam difíceis, até porque a inclinação das pedras e a sua abundância, misturada com a chuva, poderiam ser a combinação perfeita para uma queda dentro da barragem. Não me parecia que fosse uma boa opção.

Perante estes pensamentos, resolvi pegar na minha típica estratégia de pesca nesta albufeira; começar junto à entrada do Rio Cávado e depois fazer o troço para montante, procurando algumas linhas de água e entradas de ribeiros. Para começar, peguei logo na linha 0,12 e na Mepps Aglia nº1. Apesar da chuva, a barragem já devia ter sido bem calcorreada por pescadores em dias anteriores e portanto não convinha facilitar.

Entrei na barragem eram 9h10. Desci a encosta, e saíram os primeiros lançamentos junto a uma pequena baía com muitas árvores encobertas e muita matéria morta dentro de água. O nível da albufeira era tão alto que a maioria das placas sinalizadoras de concessão de pesca desportiva estavam cobertas pela água. Assim, tive que ter o máximo de cuidado nos lançamentos e na recuperação da amostra.

Logo nos primeiros 5 minutos de pesca, tiro a primeira truta. Lançamento cruzado junto à minha margem e perto de um muro. A truta estava mesmo encostada ao muro e quando a amostra passou atacou-a de uma vez. Tive que ter algum cuidado com o fio, mas o frio que estava não permitia que a truta fizesse grandes corridas. Em menos de 2 minutos, já estava nas minhas mãos. Não podia começar melhor a pescaria!! Uma linda truta de 27 centímetros mal entrei em Paradela.

Truta de 27 cm Paradela do Rio Março 2013

Depois desta captura, fui batendo o terreno de forma milimétrica para montante. A técnica consistia num lançamento encostado à margem e depois 3 ou 4 perpendiculares a tentar atrair as trutas que estavam mais longes e mais profundas. Enquanto andava nesta vida, ia também observando o horizonte e via algumas manifestações pontuais de peixe na superfície da água.

Num destes lançamentos junto à margem, vejo uma truta a sair do meus pés e a meter a colher na boca. Nem tive tempo de reacção, porque ela cuspiu o isco imediatamente antes de eu poder cravar. Era uma truta com cerca de 30 centímetros. Bem tentei insistir no local onde a vi, mas sem resultado.

Passado este episódio, fui avançando de forma contínua para montante, batendo uma zona bastante profunda e onde raramente levo picadelas. Ainda pensei em nem bater esse local, mas a morfologia do mesmo é indicativa de que podem habitar ali bons exemplares. E não me enganei 🙂 Estava eu a recuperar de um lançamento encostado à margem, quando vejo um peixe a mexer na superfície a cerca de 30 metros de mim e na perpendicular à margem. Recolho mais depressa, lanço para o local, começo a recuperar e quando a colher vem a meio do caminho, sinto um puxão na linha. Cravo imediatamente e o carreto começa a dar fio. Tinha que ser bicho jeitoso!! Lá fui trabalhando o peixe, preocupado com o facto de estar com 0,12. A truta fez uma ou duas corridas para a esquerda e para a direita, e depois começou a enrolar. Tive a calma suficiente para a ir cansando e desenrolando, e quando vi que já estava a jeito, deitei-lhe a mão na amostra e tirei para fora de água. Isto depois de 10 ou 12 passagens à minha frente. Tinha capturado um bom exemplar de Paradela. Uma linda truta de 36 centímetros.

Truta 36 cm Paradela do Rio Março 2013

Com esta captura, o dia já estava ganho, no entanto, a minha motivação não esmoreceu. Ainda fui um pouco mais à frente, mas a vegetação comprometeu irremediavelmente a minha progressão. De qualquer forma, já tinha destino marcado. Regressei ao carro e mudei-me para a proximidade da entrada de um ribeiro. A chuva continuava a cair e as condições eram prometedoras.

Comecei a bater o troço de acesso ao ribeiro. Fui intercalando entre colher e rapala, mas na primeira hora nada mexeu. Aquela era a zona mais batida pelos pescadores de trutas e era também a mais desimpedida. Certamente que ali, as poucas que andavam, estavam bem manhosas. Fui, então, avançando calmamente e quando cheguei à proximidade do ribeiro, tenho um primeiro toque. Numa zona em que a margem se torna menos profunda, realizo um lançamento para montante, começo a recuperar a colher, e quando ela chega perto de mim, sinto um toque e consigo cravar uma truta de 20 centímetros. Não deu muito luta e rapidamente a tirei da água.

Seguidamente, e na saída de um rego de água por entre umas árvores, realizo um lançamento para o centro da albufeira e quando a amostra vem a chegar perto de mim, sinto mais um toque. Nem foi preciso cravar. A truta entrou com tal força que até saltou para terra. Tinha 17 centímetros e como tal a sua captura não ofereceu dificuldade.

Depois deste rego, avancei logo directamente para a saída de um outro rego com mais caudal. Aí tive vários toques, e pareceram-me trutas de muito bom tamanho, mas pelos vistos apenas andavam a apalpar a colher. Tantas vezes lancei neste local, que finalmente senti um puxão a sério e consegui cravar. A truta mal se sentiu cravada ficou endiabrada. Não parou um segundo dentro de água. Eu vi-me e desejei-me para a controlar. Com 32 centímetros e uma agilidade fora do comum, a truta tinha todas as condições para me partir a linha e fugir. Tive sorte!! O local era desimpedido e depois de inúmeras correrias, lá a consegui por a jeito. Mais um lindo exemplar (foto de capa do post)!!

Já a entrar pela tarde dentro e com o frio e a chuva a engrossar, ainda fui mais para a frente, mas já estava a queimar as minhas possibilidade. O vento sul forte estava a condicionar os lançamentos e eu não estava a conseguir trabalhar a amostra da melhor forma. Ainda insisti durante duas horas e apenas consegui capturar uma truta de 25 centímetros numa baía de areia. Por ali, já não havia muito mais dizer e portanto resolvi voltar à saída do Cávado na Barragem.

Entrei na escarpa da saída do Cávado e procurei os melhores locais. Durante uma hora, tentei meter a colher em vários sítios e fui mudando para iscos mais pesados. O volume de entrada de água era de tal ordem que até assustava. Bem me esforcei, mas não valia a pena. As trutas ali deviam estar bem picadas e escondidas na profundidade.

Com a necessidade de ainda ir a Sezelhe e aos Pisões, resolvi dar a pescaria por terminada. Tinha sido uma jornada gloriosa. O prazer de voltar às paisagens de Paradela do Rio e de poder tirar umas bravas trutas nesta massa de água era verdadeiramente indescritível. Já há muito que tinha saudades de voltar a desfrutar destas emoções. Paradela continua a ser um local mágico para quem se quer esforçar atrás de trutas de primeira qualidade. Espero lá voltar em breve e ainda este ano!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.