Mais uma manhã em força no Rio Neiva …

Mais uma manhã em força no Rio Neiva …

Mais um dia de chuva intensa e mais uma viagem a caminho da Barragem de Touvedo. A ideia era comprovar o estado da albufeira e tentar bater a entrada de algumas linhas de água na esperança de que as trutas estivessem activas.

Enquanto ia a fazer estrada, achei por bem parar no Rio Neiva só para ver como as coisas estavam. Quando cheguei à zona do Neiva, tive oportunidade de desfrutar de um excelente cenário. Caudal levantado, mas com força qb e a cor do rio ligeiramente escura, mas não demasiado. A chuva, por coincidência, também desapareceu e eu achei que era um bom presságio. Iria pegar na cana só para bater um pequeno troço de 100 metros até ao açude. Só para ver se andava por ali alguma coisa.

Peguei na cana de 1,8 metros, fio 0,18 e rapala X-Rap RT de 6 centímetros. Preparei tudo e entrei logo num buraco encostado ao local onde deixei o carro. A corrente aumentava de força naquele sitio e eu resolvi fazer o primeiro lançamento. Lancei, mas a linha bateu numa erva e como tal a amostra caiu no meio do rio de forma desajeitada e muito longe do local pretendido. De qualquer forma, comecei a recuperar e mal o X-Rap sacode, sinto um puxão, a cana dobra e vejo uma boa truta a lutar com força. Puxo a cana para cima e para a frente, de modo a controlar a situação. A truta sentido-se cravada e presa tenta meter-se nas raízes do meu lado. Ponho a linha a funcionar ao máximo e consigo segurá-la. Não podia facilitar e rapidamente a coloquei ao meu alcance. Uma linda truta do Neiva com 32 centímetros. Logo ao primeiro lançamento e sem saber ler nem escrever!! Estava mesmo a pedir!!

Truta 32 cm Rio Neiva Março 2013

Depois desta captura, esqueci-me logo da minha ida para Touvedo. As condições do Neiva eram óptimas para a pesca ao spinning e eu não podia desperdiçar. Convencido disso avancei para o açude. Fiz alguns lançamentos durante esse trajecto e ainda vi uma truta razoável a seguir a amostra numa zona de corrente menos funda, mas não estava com apetite.

Chegado ao açude, primeiro lançamento para o lado do moinho, mesmo na zona onde existiam duas quedas de água. A amostra anda 40 centímetros e sinto uma explosão na água e vejo uma truta a saltar. Levanto a cana e cravo a truta em pleno ar. Ela começa a tentar fugir contra a corrente e eu mantenho a tensão. Assim, estivemos durante cerca de 2 minutos em fugas constantes para trás e para a frente. Finalmente, quando começou a demonstrar alguns sinais de cansaço, deitei-lhe a mão. Tinha tirado outra linda truta de 28 centímetros.

Não satisfeito com esta captura, resolvi lançar exactamente no mesmo sítio. As condições da queda de água eram as ideais. Lancei, a amostra cai, anda cerca de 30 centímetros e sinto uma força a puxá-la para baixo. Não podia ser!!! Mas era!! O bicho era grande!! Lá levantei a cana, mas a truta não saiu do chão. Comecei a aplicar mais força e ao mesmo tempo afrouxei o carreto. A truta sente-se presa e encurralada e arranca para jusante. Tento dominá-la à pressa, para evitar que ela transpusesse a ponte e me pusesse numa situação complicada. Lá forcei a linha ao máximo e ela volta para montante. Finalmente, durante esta manobra já lhe consegui ver o lombo. Era um bom bicho. Lá a fui dominando durante cerca de 5 minutos e quando lhe notei algum cansaço, deitei-lhe a mão e pus-la ao meu alcance. Tinha tirado um excelente troféu do Neiva com 39 centímetros. Uma linda truta.

Truta 39 cm Rio Neiva Março 2013

Ainda não convencido, voltei a lançar para o mesmo sítio. Começo a recuperar, outro toque e cravo outra truta. Esta de menor tamanho, cerca de 30 centímetros, mas nem por isso menos valente. Começa a saltar de forma contínua e eu começo a perder tensão na linha. Lá a tento segurar ao máximo. Passado dois minutos de corridas e enrolamentos, ela começa a demonstrar sinais de cansaço. Preparo-me para levantar a truta, mas o triplo da cauda do rapala salta fora da boca da truta e ela arranca. Tinha-se escapado. Nem fiquei minimamente preocupado 🙂 🙂 O dia estava a correr tão bem. Em tão pouco tempo, já tinha capturada três boas trutas.

Depois deste episódio, bati os outros cantos do açude, mas mais nada mexeu. As trutas estavam todas concentradas no mesmo local.

Terminada a queda de água do açude, resolvi avançar para a zona a montante, onde eu sabia que existia uma pequena linha de água a entrar no rio. Comecei a bater ao milímetro a zona. Lançamentos para a outra margem e recuperações controladas à procura de alguma truta que estivesse no centro do rio. Logo ao sexto ou sétimo lançamento, tenho um toque mesmo na outra margem. Volto a insistir e desta vez a brincadeira corre mal. Sinto outro toque, mas cravo com força e sinto a linha presa do outro lado. A truta arranca para jusante à procura de cobertura, mas naquela zona pouco pode fazer, pois não existem quaisquer obstáculos. Controlo as movimentações da truta e ela continua irrequieta. Não lhe falta força para saltar fora de água algumas vezes. Deixei-a evoluir com alguma moderação e quando noto o seu cansaço, puxo-a para perto da minha margem. Com calma, chego-me à água e deito a mão a uma linda truta de 30 centímetros do Neiva. Uma truta com uma cor prata e pequenas pintas pretas … uma pequena marisca.

Com mais esta captura, a sensação já era de êxtase. As coisas estavam a correr de forma perfeita e só podia mesmo continuar para montante. Lá fui palmilhando o rio, tentando todos os buracos. Durante cerca de 300 metros não senti, nem vi mais nenhum exemplar, até que cheguei a uma zona com mais corrente e onde o rio fazia um cotovelo. Ali não faltavam obstáculos e árvores caídas dentro de água. Lancei para montante e nada. Resolvi insistir. Outro lançamento e quando a amostra vem a meio do rio, vejo um reflexo prata dentro de água e sinto um leve toque na linha. Era uma boa truta. Voltei a insistir e o ocorre a mesma situação. Tento insistir novamente, mas não vejo mais nada. A truta desconfiou ou então algo se passou. Não me pareceu que tivesse sentido os anzóis, mas nunca se sabe. Ainda lancei mais 3 vezes no local, mas foi tempo perdido. Resolvi avançar e depois voltaria ali mais tarde. Talvez a sorte mudasse!!

Depois desta situação, continuei o meu caminho para montante. Durante cerca de 500 metros de rio, bati correntes mais fundas e menos fundas, mas não se via aspecto de trutas. Nas zonas com menor profundidade, a força da corrente era de tal ordem que o rapala nem conseguia trabalhar de forma correcta. Não valia a pena insistir muito nestas zonas e como tal mexi-me logo para o açude seguinte.

Comecei a trabalhar a corrente que saía da queda de água do açude. Primeiro lançamento para montante, nada. Segundo lançamento para montante a tentar a outra margem, nada. Terceiro lançamento para montante mais na perpendicular e a passar junto a umas árvores caídas dentro do rio, sinto um toque quando a amostra passa mesmo junto às árvores dentro de água e consigo cravar. A truta salta fora de água e eu sem perder muito tempo, puxo-a logo para montante. Era uma truta com cerca de 29 centímetros, e eu não podia facilitar. Lá a consigo trabalhar minimamente e quando vejo que oferece garantias, lá a levanto a peso e a ponho ao meu alcance. Devido aos obstáculos dentro de água, não podia facilitar muito ou ia perder esta truta. Mais um lindo exemplar do Neiva.

Depois da captura, ainda bati mais o açude, mas sem resultado. Resolvi então avançar para a zona a montante, mesmo encostado ao muro. Um lançamento para montante, recuperação e nada. Um lançamento largo para a outra margem e a passar junto ao muro, a amostra começa a nadar, e de imediato a cana dobra. Cravo instintivamente e sinto uma truta a puxar fortemente na linha, tentando arrancar para o muro do açude e partir a linha. Seguro-a ao máximo e tento colocá-la numa zona onde a possa controlar. Ela lá corresponde, mas não deixa de se enrolar e saltar fora de água. Vejo-me obrigado a movimentar na margem e a procurar a melhor localização para evitar que ela entre nas raízes das árvores. Com calma, consigo colocá-la ao meu alcance. Tinha capturado mais uma linda truta com 35 centímetros do Rio Neiva.

O dia estava a correr que era um espectáculo. Até já me tinha esquecido da contagem de capturas, tal era a qualidade das trutas. A motivação era tal que avancei mais para montante à procura de mais exemplares, mas aí as coisas já se alteraram. Em cerca de 600 metros de rio, não senti nem mais um toque, nem vi qualquer truta. Possivelmente estariam todas no açude seguinte, mas já não havia capacidade para continuar mais, pois já passava da hora de almoço.

Resolvi então, voltar para trás e bater a zona onde eu tinha sentido um toque e onde tinha visto a truta a brincar com o rapala. Cheguei lá e fiz o primeiro lançamento. Nada mexeu. Segundo lançamento. Quando o X-Rap entra no meio do rio, vejo o brilho novamente e cravo com toda a força. A truta com a força da cravadela até saltou fora de água. Desta vez, não ia fugir. Lá a segurei no centro da corrente, mas ela quis meter-se na minha margem. Voltei a puxá-la para o centro do rio e tentei controlar a sua posição. Ela começa a enrolar a linha a volta da cabeça e eu aproveito para a colocar mais a jeito. Quando noto que já está mais cansada, deito-lhe a mão. Outra linda truta de 31 centímetros!! 🙂 🙂 Impressionante!!

Truta 31 cm Rio Neiva Março 2013 - 2

Depois desta captura, tinha que acabar a faina por ali. Já chegava de festa. As trutas do Neiva estavam a cooperar de forma total. Melhor do que aquilo era impossível. Tinha sido uma manhã histórica. Sabia que ainda podia continuar a tirar mais trutas, mas já tinha tido a minha conta. Tirar tantas e tão boas trutas no Neiva é algo que acontece muito raramente e não convém exagerar. No final, fiquei bastante satisfeito de saber que o Neiva continua a ser um dos maiores rios para a pesca à truta em Portugal. Isto apesar de todas as atrocidades que se cometem nas suas margens!!

Para os mais viciados do Neiva aqui fica o vídeo:

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.