Um novo quintal do Alfusqueiro …

Um novo quintal do Alfusqueiro …


Mais um convívio na zona de Cambra, promovido pelo Eng. Rui Ladeira, tendo como motivo principal a pesca à truta. À semelhança de anos anteriores, e naquilo que tem vindo já a ser uma tradição entre o nosso grupo de pescadores de trutas, mais uma vez se celebrou a passagem de um outro ano de salutar convivência e pesca às trutas na zona de Cambra. O rio Alfusqueiro e a concessão de Cambra foram o alvo principal da nossa equipa, à excepção de um pequeno grupo, constituído por mim, pelo Miguel e pelo Jesus (Pingodoce) que já tínhamos outra estratégia apalavrada. Apesar de algumas queixas de individualismo e comportamento mafioso por parte de alguns companheiros de pesca, avançamos na mesma com o nosso plano

Como o nosso conhecimento da concessão de Cambra já era bastante apurado e como o dia não estava muito propício para a pesca, resolvemos dar uma volta por alguns cantos secretos da zona. Para quem não conhece a zona do Alfusqueiro, esta é uma zona famosa pelos seus “quintais” que são mantidos em segredo pelos pescadores de trutas mais afoitos. Sempre que vou à pesca nesta área do país, sou continuamente confrontado com locais belíssimos, onde existem trutas autóctonas e de excelente qualidade e densidade, mas que têm que ser preservados a todo o custo da corja de lobos esfomeados (pescadores mata tudo) que andam sempre à cata de sítios para fazerem “carne”, ou neste caso “peixe”. Neste contexto, compreendo perfeitamente esta atitude de secretismo e serei o primeiro a incentivá-la e respeitá-la.

Assim, e depois de uma viagem de carro, eu, o Miguel e o Jesus chegamos a uma zona paradisíaca, intocada pelo tempo. Um local de muito difícil acesso, onde corria um rio com uma água pura e cristalina, por entre umas árvores bastante densas. Atendendo ao dia soleado e quente que se fazia sentir, era a massa de água ideal para se mexerem umas trutas. Rapidamente nos equipamos. Eu preparei o meu material de light spinning na minha cana de 1,8 metros. A amostra escolhida foi a Mepps Aglia nº1.

Fui o primeiro a testar as águas e logo desde de cima da ponte. Lançamento para jusante, a uns 40 metros, começo a recuperar muito lentamente e notam-se logo as primeiras trutas pequenas a seguir a amostra. Naquele poço deviam estar pelo menos 5 trutas. Ainda senti um leve toque, mas nada de especial.

Perante este primeiro sinal animador, começamos a pescar na margem direita, avançando para montante. Logo nos primeiros lançamentos, comecei a ver umas trutas a mexerem-se atrás da amostra e algumas de bom tamanho. A densidade era bastante boa, e em cada poço viam-se 3 a 4 trutas em actividade. Num destes poços, avanço para montante lentamente, lanço para a entrada da corrente, começo a recuperar e sinto a primeira mordidela a sério. Cravo, a truta salta fora de água, mas consigo segurá-la dentro dos limites da linha. Com calma, puxo-a para os meus pés e tiro a primeira truta: um lindo exemplar de 23 centímetros. Um espécime fantástico pelo seu aspecto verdadeiramente indígena.

Entretanto, enquanto eu tinha tirado esta truta, já o Jesus tinha tirado duas, também pequenas, e o Miguel também tinha tirado uma. O dia estava a correr bem, íamos palmilhando a massa de água lado a lado e fazendo cada local à vez. Numa destas zonas, aproveito para entrar em duas correntes e pesquei-as de forma intensiva. Não tirei qualquer truta, mas devo ter tido para aí uns 7 toques e 2 cravadelas. Elas estavam a querer brincadeira e a densidade era óptima.

Lá fomos pescando mais uma horita, e tivemos sempre a boa sorte de ver trutas e ter algumas emoções. Já muito perto da zona limite do troço que íamos fazer, deparamos com um poço de tamanho razoável. Eu e o Jesus resolvemos atacá-lo, cada um da sua margem. Ele lança primeiro, sem resultado. Eu lanço a seguir, junto à minha margem, começo a recuperar, e de repente vejo um vulto dentro de água, sinto a linha a puxar e a arrancar contra as pedras e levanto a cana imediatamente. Do outro lado, vejo uma truta de bom tamanho a cabecear para o fundo e a nadar sempre nesse sentido, tentando raspar a linha e a amostra contra as pedras. Salto logo para a frente, levanto a cana ao máximo e tento tirar-lhe a cabeça do chão. Ela continua com a mesma estratégia.

Tive que usar de mais força, mas rapidamente pus aquele bom exemplar ao meu alcance. Tinha tirado uma linda truta de 27 centímetros com umas cores verdadeiramente divinais. Mal a tirei da água, ela cuspiu logo um escalo meio digerido com cerca de 12 centímetros. Já era bicho comedor de peixe. Era a verdadeira rainha daquele poço.

Truta 27 cm Quintal alfusqueiro Abril 2013

Depois desta captura, ainda avançamos um pouco mais para montante, mas já era difícil andar. Achamos por bem mudar de sítio, até porque me tinham falado de outro local onde existiam trutas de kilo. Isso já era mais o meu campeonato. Aquela zona tinha sido mais para abrir o apetite, no entanto providenciou uma jornada de pesca inesquecível e em excelente companhia.

Este local foi muito divertido pela pesca visual que conseguíamos ter e também pela excelente companhia do Miguel e do Jesus que iam mantendo a animação, devido à enorme paixão que nutrem pela pesca à truta e pela preservação deste locais verdadeiramente idílicos. Mais um grande quintal do Alfusqueiro ….

Fiquei fã e havemos de lá voltar com mais tempo 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.