Fim de tarde de trovoada no Rio Coura …

Fim de tarde de trovoada no Rio Coura …


Mais um dia de pesca que já ia em boa velocidade e mais uma vez resolvi virar a caminho do Rio Coura. Com chuva intermitente e com anúncio de trovoada no ar, pareceu-me que valeria a pena visitar algumas daquelas grandes trutas que andavam quase atonadas debaixo das árvores, à espera que tombasse alguma comidita boa, ou também alguma amostra bem lançada.

Depois de uma visita prévia à Olicacipesca em Valença, cheguei ao rio por volta as 17 horas e a minha ideia era de pescar no máximo até às 18h30. Mudei o material que trazia de zonas mais calmas e meti o 0,18 e uma colher Mepps Aglia nº3 com 18 gramas de peso. Entretanto, e para que as coisas se compusessem, a trovoada começou-se a aproximar e a chuva fez-se sentir.

Desci a margem do Coura e coloquei-me em zona de ataque. Com 18 gramas na ponta da linha, os lançamentos saiam-me sem qualquer problema e conseguia bater umas boas dezenas de metros. Logo nas primeiras recuperações, comecei a ver os primeiros exemplares a mexer. Tudo trutas com 30 ou mais centímetros a vir examinar a colher. Como a chuva ainda não era muita, elas andavam a estudar o isco com calma.

De repente, a chuva engrossou e a visibilidade para dentro de água começou a ser quase nula. Tentei um lançamento longo para a outra margem, começo a recuperar, sinto uma prisão na linha, cravo com força, tendo mais de 60 metros de linha fora do carreto, e vejo uma truta ao longe a saltar fora de água e a cuspir a nº3. Era um bicho de respeito com uma cor negra e claramente acima dos 30 centímetros. O carreto bem chiou, mas foi coisa rápida … Lá se foi 🙂

Depois deste primeiro toque, a vontade de atacar em força aumentou. Comecei a bater a zona ao milímetro. Ia sentido leves toques na amostra, mas nada que demonstrasse que as trutas estivessem claramente ao ataque, apesar de as condições estarem altamente favoráveis. Ainda mudei para o X-Rap, durante cerca de 20 minutos, e tive uma boa surpresa. Tive um ataque de uma truta com cerca de 30 centímetros, que mordeu o rapala mesmo em cima da margem, mas também não ficou … As emoções estavam ao rubro, mas a facturação ainda andava pelo 0.

Mesmo depois de alguma insistência, resolvi descartar o rapala, porque não estava a conseguir chegar à margem oposta. Voltei à colher nº3. E foi o melhor que fiz!! Com a chuva a cair ao máximo, fiz mais um lançamento para a outra margem e comecei a recuperar lentamente. Quando a amostra já vinha a chegar aos meus pés, a cana dobra-se, vejo um brilho metálico dentro de água e o carreto começa a dar linha. Tínhamos festa!! E tive logo que afrouxar o travão para a truta não me rebentar o fio. Ela estava bem cravada e começou imediatamente a correr para cima e para baixo. E eu sempre de cana ao alto à espera do pior. Era um bom peixe e não estava ali para se entregar à primeira.

Arrancou para centro do rio a levar linha, deu dois saltos fora de água e lentamente voltou para mim. Mas em vez de estar mais fraca, estava cheia de força. A truta não parou um segundo durante 5 minutos. Tentou de tudo para fugir, desde enrolar a cabeça no fio, até meter-se dentro da lenha morta dentro de água, mas aplicando sempre força máxima. Eu vi-me e desejei-me para controlar aquele excelente exemplar. Só passado 4 minutos de luta é que pensei que tinha que sacar o camaroeiro, tal a luta que ela me estava a dar. Lá o tirei e quando notei que ela já estava mais cansada, direccionei-a para entrar no camaroeiro. Não foi fácil. Só à quinta passagem é que entrou. Não descansei enquanto não a tirei da beira da água. Aquele lindo exemplar não me podia escapar!! Eram 38 centímetros de pura força e beleza!!

Truta Rio Coura 38 cm Junho 2013

Com esta captura, praticamente que fiquei sem vontade de continuar a faina. Ainda fiz mais alguns lançamentos para terminar o troço, mas a captura de uma truta tão bela tinha sido a chave de ouro para finalizar o dia. Para mim chegava!!

Haverá outras oportunidades de voltar ao Coura e o mais importante é que fiquem mais trutas dentro de água para que no próximo ano, voltemos a sentir estes grandes momentos que só os grandes exemplares de trutas nos conseguem proporcionar 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.