A simbiose truta/mexilhão de rio – Conservação.

A simbiose truta/mexilhão de rio – Conservação.

Recentemente fui alertado para a existência de um programa de conservação do mexilhão de água doce, mais concretamente da espécie margaritifera margaritifera. Os mexilhões de água doce começam por ser parasitas dos peixes de água doce, durante cerca de 6 meses, mas depois são componentes fundamentais do ecossistema, pois têm uma forte capacidade para limpar a água dos rios. Também nos foi dito que os mexilhões não causam mortalidade significativa sobre os peixes hospedeiros.

No caso da espécie referida acima, a mesma depende inteiramente da truta para poder sobreviver. Isto gera uma importante simbiose que pode ser aproveitada fora de água para reforçar a importância de manter populações saudáveis de trutas comuns nas nossas massas de água.

Uma das áreas onde o estudo desta espécie está a ser realizado é num troço do Rio Paiva, a jusante de Castro Daire. Depois de criação em ambiente controlado, os bivalves estão ser reintroduzidos neste troço, mas para poderem se manter no médio e longo prazo é necessário que existam condições de boa densidade em termos de trutas, pois sem trutas, este mexilhão não se consegue reproduzir.

Mexilhão de rio

Assim e para responder a este desafio, as concessões de pesca da zona poderão ter um papel importante na gestão da densidade de trutas na zona, porque a zona em causa está concessionada.

Para conhecer mais sobre esta espécie e sobre esta iniciativa, podem consultar a página abaixo:


Como podem comprovar, existem muitos seres que estão interligados à nossa truta comum, sendo ela um pilar fundamental no nosso ecossistema fluvial. Sem a truta, certamente que os nossos rios ficarão muito mais pobres e portanto temos que gerir bastante bem este nosso recurso.

Acho que devemos cultivar esta ligação e procurar pontos de entendimento para defender os nossos interesses comuns. Quem defende a sobrevivência destes mexilhões, terá obrigatoriamente que defender a manutenção de densidades elevadas de trutas comuns nos nossos rios, e isso é totalmente do nosso interesse. Do nosso lado, e da minha parte, contam com tudo o que poder fazer para levarmos a conservação da truta comum e do mexilhão de água doce para novos patamares!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.