Gestão de massas de água e trutas no 1º Mundo …

Gestão de massas de água e trutas no 1º Mundo …

Já muito tenho dito sobre a péssima capacidade de organização e gestão das entidades que temos à frente do sector das florestas ao longo das últimas décadas, nomeadamente no que diz respeito a caça e pesca. Apesar da forte evolução tecnológica que temos vindo a assistir neste sector, mantêm-se as velhas práticas e vícios do passado, porque no fundo continua a imperar a negligência ao nível dos serviços centrais. Os resultados são os de sempre: fogo quanto baste, caça, apenas para alguns com bolso cheio, e trutas nos rios, nem vê-las. Isto tudo conseguido à custa do erário público, com muita gente bem empregada, alguns com boas qualificações … mas todos a seguirem a mesma cartilha; “serviço público é, e será sempre, para satisfazer interesses pessoais”.

Umas das coisas que mais me incomoda no actual sistema que temos a funcionar em entidades como o ICNF, e outras ligadas ao sector da floresta e ambiente, é a falta de transparência e de informação pública objectiva, actualizada e quantificada. Sendo estes dois aspectos pilares básicos de qualquer regime democrático, a sua inexistência leva à desvirtuação da função destas instituições, levando-as a focalizarem-se no seu umbigo, fechando-se sobre si mesmas, existindo porque têm que existir, em vez de aperfeiçoarem a qualidade do serviço público que prestam, passando assim a justificar a sua existência pelo valor social acrescentado que geram. No mar de incompetência nacional, que cresce à medida que avançamos na pirâmide hierárquica, a falta de gestão por objectivos e o medo da avaliação e da subsequente responsabilização, são os principais factores por detrás deste comportamento. Isto é um comportamento cobarde e injusto, e está na altura de dizer basta!!

Pesca as trutas Rio Homem Terras do Bouro

Efectivamente, este estado de coisas tem que se alterar e rapidamente. Quem paga para manter tudo isto, somos nós, os contribuintes. E se pagamos, também queremos ver resultados ao final do ano. No final, quero estatísticas de área queimadas, quero estatísticas de licenças emitidas na caça e pesca, e quero inquéritos de satisfação a caçadores e pescadores. Quero saber o que se fez. Quero saber o que custou. Quero saber quem fez o quê … e sobretudo, quero saber quem foi responsável pelo quê!! Quero um sistema com avaliação externa, que tem que se regenerar e tornar mais competente e eficaz. E isto tem que ser feito mês a mês ou ano a ano, e não de geração em geração, como é o caso actual. Sobretudo quero igualdade entre sistema privado e público … e quero o fecho de entidades e despedimentos em massa quando não existir profissionalismo, nem geração de valor acrescentado. Chega de babysitting e de paternalismo!!

Para nos inspirarmos e para vermos como é possível fazer muito diferente, basta olharmos à informação do departamento de conservação do estado de Nova Iorque (EUA) sobre repovoamentos. Impressionante a qualidade de informação que é prestada distrito a distrito dentro do estado, mesmo antes das acções acontecerem. Identificam o curso de água, a localidade onde se realiza o repovoamento, o número de trutas a introduzir, a data, a espécie e o tamanho. Para melhor perceberam do que estou a falar, a página do site em questão segue abaixo:


Quando é que poderemos ter acesso a esta informação para Portugal? Quando??

Enfim, que mais vos posso dizer. Fascina-me este tipo de abordagem. Isto é que é democracia a funcionar em pleno e é visível o valor acrescentado criado por esta gente que trabalha neste departamento público. Neste contexto, eu percebo o que se passa e posso avaliar e reclamar mais tarde.

Agora países terceiros mundistas com projectos de democracia mal acabados e que ainda acreditam no obscurantismo. Isso é gente para andar sempre de mão estendida a nível internacional, como andam actualmente. Não se governam, nem se deixam governar, mas também param perto, porque lhes está sempre a faltar o oxigénio!!

Penso que não há muito mais a dizer. Ou se faz ou não se faz. Só gostaria de deixar aqui este exemplo do que se faz, e bem, noutras paragens. Penso que é mais uma pedrada no charco, mas bem precisamos de acreditar que é possível fazer melhor, porque os nossos rios e as nossas trutas merecem 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.