Pesca à truta urbana … no Porto!!

Pesca à truta urbana … no Porto!!




Recentemente dei uma volta pelo Parque da Cidade do Porto e fui surpreendido pelo bom design e planeamento que está por detrás da sua concepção. Chamou-me sobretudo a atenção a sequência de lagoas que o parque apresenta e que têm um desnível ainda substancial de umas para as outras, estando ligadas por pequenas linhas de água. Duas dessas lagoas têm uma dimensão razoável e conseguem dispor de espaço suficiente para desenvolverem uma população piscícola sustentável. Aliás, podem comprovar esse facto com a foto de satélite do parque que segue abaixo:

Lagoas - Parque da Cidade do Porto

Estas observações acabaram por me levar rapidamente a uma questão óbvia; “Porque não dinamizar o potencial destas lagoas e do parque com a introdução da pesca à truta concessionada?” À semelhança do que já se faz em outras capitais mundiais, o Porto poderia adoptar um projecto de valorização turística do parque baseado na pesca desportiva. Este projecto poderia ser seleccionar como espécie-alvo a truta, devido ao seu valor turístico e económico, diferenciando-se assim de outras capitais que apenas têm pesca à carpa ou ao achigã. Este projecto permitiria não só aumentar as receitas autónomas do parque, mas também aumentar a biodiversidade e o poder atractivo desse mesmo parque.

Como bem sabemos, a pesca não é um desporto intrusivo e portanto teria todas as condições para conviver com todas as outras actividades que já se realizam no parque. Certamente que teriam que ser realizados alguns ajustes e investimentos em termos de limpeza das lagoas, limpeza das margens, colocação e declive das linhas de água, equilíbrio de densidade piscícola e controlo da densidade de aves, mas os seus impactos seriam reduzidos e os ganhos seriam substanciais, considerando que cada pescador teria que pagar uma licença especial para poder aceder as estas massas de água.

Simultaneamente, a prática desta actividade poderia também permitir o desenvolvimento de outros negócios associados como são as escolas de pesca e as lojas de material de pesca. A necessidade de ocupação dos tempos livres das crianças em zonas urbanas pode funcionar como mercado para o desenvolvimento das escolas de pesca que podem ir mais além da própria pesca e oferecer todo um pacote didáctico e educativo à volta de actividades ecológicas e ligadas ao ambiente que mantenha as crianças ocupadas durante os períodos de férias.

Do meu ponto de vista, este investimento seria uma excelente mais valia para pescadores citadinos, como é o meu caso, que gostariam de relaxar ao fim de um dia de trabalho com uns lançamentos às trutas em zonas bem preservadas. Acho que esta ideia tem bastante potencial numa cidade como o Porto onde existem bastantes praticantes da pesca à truta, podendo ser uma forma bastante inteligente de aumentar as receitas da autarquia, quer através de exploração própria, quer através da atribuição de concessão a privados.

Nas capitais mais desenvolvidas do mundo, a pesca à truta ocupa um lugar de destaque como actividade anti-stress para muitos responsáveis por empresas ou quadros superiores, equiparando-se a desportos, como por exemplo o golf. Para tal, tem que se desenvolver uma cultura que a potencie e também tem que haver um investimento em infraestruturas adequadas. Sem isso, é apenas mais uma opção que fica unicamente ao alcance de quem vive nas proximidades dos rios truteiros.

Da minha parte, e por ser um defensor da promoção da pesca à truta, podem contar com a minha ajuda para desenvolver este projecto no Porto ou em qualquer outra cidade do país. Esta seria certamente uma oportunidade para mostrar este belo desporto às populações citadinas, angariando assim mais praticantes para esta modalidade e sensibilizando muito mais pessoas para as nossas causas. No fundo, esta seria a forma de levar a pesca ao cidadão … 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.