Manhã de nevoeiro e trutas no Minho

Manhã de nevoeiro e trutas no Minho




Depois de ter combinado encontro com o Torres para as 6 horas da manhã no Restaurante Ponte do Neiva, resolvemos rumar directamente ao Rio Minho. A ideia era pescar um pouco neste grande rio, sem saber quais as condições que à partida iríamos encontrar. Com as grandes chuvas de Inverno e com a Barragem espanhola a debitar continuamente, o mais certo era deparar-mo-nos com um cenário de forte corrente.

Durante o percurso lá fomos espantando os maus presságios com conversas sobre grandes pescarias do passado e quando chegamos ao local propriamente dito, vimos que o cenário correspondia às nossas piores expectativas. O rio estava no seu máximo com uma corrente fortíssima, impossibilitando os lançamentos largos e reduzindo os locais pescáveis a um mínimo. Mesmo assim, não desanimamos. Já que estávamos ali, tínhamos mesmo que avançar para a pesca propriamente dita. Podia ser que as coisas corressem bem.

O troço que tínhamos escolhido para bater correspondia ao lanço da foz do Gadanha entre a Lapela e Troviscoso. É uma zona com forte potencial, mas quando o caudal segue com um nível muito inferior ao que encontramos.

Sem mais demoras, preparamos o material de heavy spinning e toca a andar para coar água. Os primeiros lançamentos saíram por entre as árvores da margem. O principal problema era evitar perder a amostra, porque apanhar trutas era já uma possibilidade muito remota.

Na saída do Gadanha, nada mexeu. Como tal, avançamos para a pesqueira mais a jusante. Aí começámos a bater ininterruptamente. Logo num primeiro lançamento, o Torres tem um toque, mas não consegue segurar a truta até ao fim, ela descrava-se quase aos pés. Do meu lado, lançamento para trás de umas árvores, começo a recuperar e sinto a linha a andar de lado. Cravo e puxo com força e sinto uma truta presa do outro lado. Ela bem tenta fugir desalmadamente, mas eu consigo-a segurar dentro dos limites da pesqueira. Já com ares de cansada, encosto-a ao muro da pesqueira e deito-lhe a mão. Uma linda marisca de 31 centímetros.

Truta marisca 31 cm Rio Minho Março 2014

Depois desta captura, ficamos cerca de 40 minutos a bater continuamente a mesma pesqueira. E ainda bem … Passados 10 minutos, o Torres tem uma cravadela forte no meio da corrente e consegue tirar uma boa marisca de cerca de 37 centímetros. Uma linda truta que ainda deu bastante luta e só saiu com a ajuda do camaroeiro. Esteve quase para saltar outra vez para dentro de água, mesmo dentro do camaroeiro 🙂

Depois de perdermos quase 6 colheres no global, achamos que estava na altura de mudar de sítio e avançamos para as pesqueiras mais a montante. Eu fiquei na que está mesmo a seguir à foz do Gadanha e o Torres avançou para a seguinte. Logo no primeiro lançamento para o redemoinho que fazia à saída da pesqueira, sinto uma cravadela quando a colher está a chegar aos meus pés. A truta salta fora de água e dá uma luta bastante razoável, especialmente porque tinha a ajuda de várias pedras na margem. Depois de alguma ginástica e trabalho de cana, lá a consigo colocar ao meu alcance e salta para fora de água. Mais uma linda marisca de 28 centímetros que rapidamente regressou à água. Um exemplar fotografado e filmado.

Truta marisca 28 cm Rio Minho Março 2014

A sequência da captura desta captura e das condições do Rio Minho podem ser analisadas no curto vídeo que se encontra abaixo:

Depois desta captura, mantivemos a rota firme para montante. Batemos o cotovelo do Minho junto à extracção de água, mas sem qualquer resultado. Desde colheres chumbadas até às número 5 da Mepps, tudo andou dentro de água.

Já com o tempo a rolar e com a hora de almoço a ser imperiosa, fizemos um último esforço no porto de pesca de Troviscoso. As condições eram difíceis e a colher não estava a passar perto do fundo. Portanto, resolvemos rumar a uma zona mais encoberta na pesqueira imediatamente a seguir. Aí e num lançamento curto por entre as árvores, consigo tirar mais uma truta marisca de 28 centímetros. Ela estava muito próxima da margem, mas mesmo assim só entrou ao décimo lançamento no mesmo local. Estavam claramente manhosas!!

Com esta captura, e com um enxame de 10 pescadores seguidos (alguns ao spinning) na língua de areia de Troviscoso, achamos melhor finalizar a pescaria da manhã e pormo-nos a caminho de Monção. A ideia era visitar o amigo Cerqueira da loja de caça e pesca de Monção e depois tratar de comer alguma coisa.

No global, ficamos satisfeitos com as capturas conseguidas, atendendo às condições bastante difíceis de caudal e corrente que encontramos no Minho. Estávamos à espera de uma grade sem qualquer toque e portanto, as boas capturas foram uma excelente surpresa. Esta situação confirma mais uma vez que a boa pesca não é quando o pescador quer, mas quando as trutas querem 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.