Achigãs, bogas e trutas num afluente do Minho

Achigãs, bogas e trutas num afluente do Minho

Já com o dia de pesca a meio e com o Rio Minho em condições bastante difíceis de pescar, por causa da forte corrente da Barragem Espanhola, resolvi investigar mais um pequeno afluente do Rio Minho. O dia estava claro e com temperatura relativamente alta, portanto a pesca no ribeiro podia ser uma boa opção para tentar mexer algumas trutas, isto se ninguém já tivesse passado por lá nesse dia.

Comecei por trocar a bobina do carreto, passando do 0,18 para o 0,12. A ideia era pescar fino e meter uma Mepps Aglia nº1. O que me interessava era sobretudo pescar os pequenos poços que o ribeiro apresentava na proximidade da sua confluência com o Rio Minho.

Os primeiros lançamentos saíram num destes poços. Lançamentos relativamente largos a incidir sobre as zonas com sombras e a apostar em recuperações lentas, pois não me parecia que as trutas estivessem muito esfomeadas. Logo nos primeiros lançamentos vi alguma actividade de peixe. Decidi-me aproximar mais, e numa recuperação mais lenta, vejo um peixe a sair do fundo do poço e a agarrar a Mepps quando ela estava para sair fora de água. Cravei com tanta força que o peixe, caiu logo ao meu lado em cima da erva. Tinha capturado um pequeno achigã … que rapidamente devolvi à água.

Achigã 12 cm Afluente Rio Minho

Era a primeira captura neste local. Voltei a insistir com a mesma metodologia, e no lançamento seguinte, outra recuperação lenta e outro pequeno achigã que se crava e cai na erva. Lá tive que o devolver!! Perante este cenário, resolvi forçar os lançamentos para a zona com alguma corrente e vejo a primeira truta do dia. Um exemplar imponente com mais de 30 centímetros. Lá veio a seguir a amostra durante dois metros e depois voltou para trás. Repetiu três vezes a mesma manobra nos lançamentos seguintes. Tentei mudar de amostra e meti um rapala, mas o apetite da truta não mudou. Seguia o rapala durante três metros e voltava para trás.

Cansado desta brincadeira, resolvi avançar para a zona de mais corrente e voltei a meter a Mepps nº1. Nesse local, vi cerca de 7 trutas num pequeno recanto, algumas com bom tamanho, mas nem uma com voracidade suficiente para atacar a colher. Apenas a seguiam durante algum tempo. Só um exemplar muito pequeno é que ainda tentou abrir a boca, mas sem sucesso. A festa não estava a correr bem e portanto resolvi avançar para o poço seguinte.

No poço seguinte, dei logo de caras com um cardume de peixes a repousar. Pareceram-me bogas ou escalos de desova, mas não consegui determinar bem a espécie à primeira vista. Lançamento para o meio do cardume, recuperação lenta e sequência de toques. Outro lançamento, mesma metodologia e desta vez tenho contacto forte. O que quer que fosse já se tinha cravado e estava a dar uma boa luta … Lá consegui controlar o peixe e quando chega perto de mim, verifico que se trata de uma boga. Um exemplar com 28 centímetros e que ainda deu que fazer com 0,12 …

Animado por esta captura, entrei na sequência de capturas de bogas que aparece no vídeo abaixo:

Em pouco menos de 15 minutos, tirei três bogas de bom tamanho, todas à Mepps Aglia. Com calma, era possível manter uma cadência de capturas razoável, já que o cardume tinha mais 100 peixes à vontade. O problema foi que eu me cansei rapidamente de as capturar, pois eram peixes de desova e tinha que os libertar. Além do mais não era bem isto que me interessava …

No poço seguinte, acabei por ter mais do mesmo. Outro cardume de bogas com a mesma predisposição. Ainda tive vários toques em 4 ou 5 lançamentos, mas resolvi abandonar rapidamente o local.

Já no final, e caso por descargo de consciência, consigo capturar uma pequena truta que foi imediatamente devolvida à água. Ela estava no mesmo poço das bogas, mas afastada do cardume. Só nos últimos lançamentos é que resolveu entrar. Era um lindo exemplar com umas cores impressionantes.

Truta 12 cm Afluente Rio Minho Abril 2014

Sem mais ânimo para continuar, até porque o ribeiro se começava a estreitar e a apresentar correntes seguidas com baixa profundidade, resolvi abandonar o local. As trutas não estavam com muito apetite e o prognóstico para uma pescaria, a correr o ribeiro para montante, não me parecia muito animador. Assim, resolvi fechar o tasco rapidamente. Em uma hora, consegui tirar achigãs, bogas e trutas, tudo no mesmo ribeiro e com a mesma colher. Nada mau para desenferrujar e ganhar motivação para atacar águas mais fundas …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.