De manhã cedo no Rio Lima

De manhã cedo no Rio Lima

Meados de Maio e mais uma visita ao Rio Lima. Desta vez, e resultado de uma combinação prévia com o Torres, a ideia era bater um troço para montante de Ponte de Lima, onde nós sabíamos que podiam estar algumas trutas fario e mariscas. Como vício era muito, e o dia de pesca escolhido era um Sábado, resolvemos ser os primeiros a aparecer no rio, e como tal, marcamos o nosso encontro para as 6 horas da manhã.

A ideia era apanhar peixe com alguma dimensão, portanto desde o início optamos pelo material de heavy spinning, com canas largas, fios de 0,18 para cima e colheres nº3. O dia estava frio, mas limpo e isto condicionava a actividade das trutas. Não se via nenhum sinal de actividade desde o local onde nos equipamos.

Em pouco menos de 15 minutos, já estávamos à beira rio a coar água. Lançamentos sucessivos nas zonas de entradas de água e à saída dos açudes, mas nem sinal de truta. Ao invés disso, começaram-se a ver sinais de pescadores ao longe. O primeiro foi um artista artilhado com saco plástico e cana de amostra. Um autêntico palhaço a pescar à mão com luvas nas correntes da zona proibida e a encher um saco preto com lampreias que estavam nos ninhos em plena desova. Para disfarçar, ia pegando na cana da amostra e simulando uns lançamentos. Enquanto isso, o saco preto do lixo ia-se enchendo com mais lampreias … já estava tão cheiínho que ele nem podia andar direito. Para além deste artista, estava outro com um barco a auxiliá-lo e a fazer o mesmo, também na zona proibida. Aquilo meteu-nos tanto nojo que saiu logo uma chamada para a GNR de Ponte de Lima a denunciar a situação. Bem adiantou, que ainda agora estamos à espera que as autoridades apareçam!!!

Depois desta situação, voltamos à pesca, e entramos numa zona com corrente menos forte. Lançamento para a zona mais calma debaixo das árvores, começo a recuperar e sinto um puxão na linha. Cravo e vejo uma truta a saltar fora de água. Um lindo exemplar do Lima com 22 centímetros.

Truta 22 cm Rio Lima Maio 2014

Com esta captura, começamos a acreditar que era possível que as coisas mudassem. O tempo tinha começado a aquecer e notava-se alguma actividade mosqueira. No entanto, o que também se começava a notar era a entrada de mais pescadores ao rio, sobretudo na margem oposta. Todos armados para o spinning e a bater a mesma zona. Eu e o Torres ainda tentamos forçar a nota, mas a densidade populacional era demasiada para se pescar tranquilamente, portanto resolvemos ir pescar o Lima mais a jusante.

A decisão de ir mais para jusante acabou por ser um erro. Se no primeiro local tínhamos pescadores desportivos e alguns ilegais, no segundo deparamo-nos com pescadores profissionais. Em 500 metros, 6 redes para o sável e lampreia, numa altura em que noutros anos a pesca já tinha fechado. Chegamos a ver o resultado da pescaria: 10 lampreias, 7 savelhas, uns barbos de kilo e nada mais, porque nada mais conseguia passar no rio!! Enfim, um cenário desolador para quem ainda quer acreditar na pesca em Portugal, e tudo isto autorizado pelas autoridades centrais, que nada percebem de pesca, e deixado ao livre arbítrio por quem deve fiscalizar. Uma autêntica desgraca!! …

Na minha opinião, acabe-se com a pesca profissional no Rio Lima para montante de Ponte de Lima ou mesmo para montante da Ponte de Lanheses … É prática de terceiro mundo e não faz qualquer sentido!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.