Trabalhar rapalas em correntes fortes.

Trabalhar rapalas em correntes fortes.




Como me têm surgido algumas questões sobre a utilização de rapalas e outros iscos artificiais em correntes fortes, resolvi partilhar aqui alguma da experiência pessoal que pode ajudar em situações muito concretas. Antes demais, ou seja antes de escolher o tipo de amostra ou mesmo lançar a mesma à água, convém perceber que tipo de corrente é que estamos a pescar. Primeiro, há que olhar à velocidade da água, atendendo a que a mesma é sempre mais rápida à superfície do que junto ao fundo do rio. Segundo, há que verificar qual a profundidade média da corrente, tentando identificar alguns desníveis importantes, como poços, etc.. Terceiro, há que tentar perceber quais são os obstáculos dentro de água, isto para evitar dissabores na recuperação, mas também para tentar perceber onde é que as trutas poderão estar.

Normalmente, e como regra geral, prefiro pescar as correntes lançando para montante e depois recuperando o meu rapala de forma a que ele nade o mais possível como um peixe ferido que procura recuperar a sua posição na corrente. A escolha do rapala depende da velocidade e da profundidade da corrente, mas para zonas de maior rapidez e menor profundidade utilizo sobretudo countdowns pequenos e alguns floatings, como o X-Rap, enquanto para zonas menos rápidas e de maior profundidade, já posso meter sinkings como Salmo ou rapalas afundantes. Também nas zonas menos rápidas e de maior profundidade é que me sinto mais à vontade para pescar a contra corrente, já que a amostra evolui melhor, é mais fácil de controlar e não tende a levantar tanto do fundo, especialmente quando o nó ou o destorcedor não estão em ordem. Pescar à contra corrente é sempre mais difícil do que pescar com lançamentos para montantes, perpendiculares ou mesmo paralelos à margem, já que o controlo da amostra é mais difícil, a truta tem mais tempo para acompanhar o isco e muitas vezes o isco apanha mais lixo. A única vantagem da pesca à contra corrente é a capacidade para trabalhar melhor e com mais tempo determinados locais e também para pescar quase sem recuperação.

Truta Touvedo Rapala

Nas zonas mais rápidas e de menor profundidade, pescar à contra corrente é quase impossível. Só mesmo a existência de redemoinhos ou de obstáculos onde a água fique mais parada é que pode justificar este tipo de abordagem, caso contrário, a amostra terá a tendência para nadar muito mal e saltar fora de água. Nestas águas, só funciona mesmo o lançamento para montante perpendicular à margem, procurando adaptar a recuperação da amostra à velocidade da água e à profundidade. Raramente se acerta à primeira nestes lançamentos, por isso aconselho sempre a insistir até dar com a formula correcta para bater toda a corrente. Nestes locais convém insistir várias vezes no sítios mais interessantes, já que as trutas não estão dispostas a grandes corridas para abrir a boca, tendendo apenas a atacar aquilo que lhe passa ao alcance.

Enfim, como tudo, estes conselhos só vão fazer sentido à medida que forem pescando com os peixes artificiais e ganhando experiência com diferentes condições. É uma acção de pesca única e que certamente vos trará muitas satisfações!! 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.