15 minutos para apanhar uma truta!!

15 minutos para apanhar uma truta!!




Já muita coisa me aconteceu em vários anos de pesca à truta, mas de vez em quando surge sempre uma situação peculiar que desafia a normalidade daquilo que é expectável. Uma dessas situações ocorreu-me há pouco tempo durante uma pescaria realizada nos lotes do Rio Coura com o amigo Dr. Sousa Rodrigues.

Com a pescaria nos lotes praticamente terminada, resolvemos regressar às viaturas. O Dr. Sousa Rodrigues arrancou à frente e passado meia hora foi a minha vez de começar a fazer o regresso passando exactamente nos locais onde eu e ele já tínhamos pescado de forma intensiva. Eu já nem sequer estava preocupado em lançar, mas enquanto ia a fazer caminho de volta lembrei-me que tinha visto uma truta num buraco onde saía uma pequena corrente e achei que se calhar valia a pena fazer lá um lançamento. Aquele buraco era o início de um poço de boas dimensões que terminava num açude.

Assim, e artilhado com fio 0,12 e amostra Mepps Aglia nº1, resolvi fazer a minha aproximação ao buraco. Abaixei-me, avancei para duas grandes árvores, meti-me entre as duas e comecei a lançar a cerca de 15 metros da margem para evitar assombrar as trutas. O primeiro lançamento caiu mesmo no buraco e a amostra começou a rodar. Trabalhei-a de forma cuidada, mas nada. Segundo lançamento no mesmo sítio e nada. Entretanto, não sei como, olho para ligeiramente para jusante e na zona mais calma já fora do buraco e com menos corrente, vejo uma grande truta a meia água acompanhada por duas ou três de menor dimensão (sendo a menor dimensão de cerca de 30 centímetros).

O primeiro pensamento foi logo: “Rais parta!! Como é que é possível estarem aqui estas trutas com este andamento tão despreocupado, se ainda há pouco andamos aqui a malhar??” Enfim, não percebi, mas também não era para perceber. Toca a virar o primeiro lançamento para a zona e zás, a amostra cai mesmo na zona certa. Começo a recuperar, a truta dá duas voltas, segue a amostra e volta para o sítio. As suas companheiras também dão duas corridas, mas voltam firmes para onde estavam. Pensei: “Não me viu”. Mais um lançamento e mais uma volta da truta. Outro lançamento e outra volta da truta. Enfim, durante cerca de 7 minutos foi sempre a andar: eu a lançar, a truta a dar a volta à amostra e a deixá-la ir. Ainda deu um toque de cabeça no lançamento, mas não sentiu os triplos. Parecia impossível!!

Estava eu nisto quando me liga o meu pai. O telemóvel toca bem alto e atendi a chamada. Estive 4 minutos ao telefone, a falar normalmente. Ainda lhe disse que tinha uma truta grande à frente e que estava a ver o que dava. Termina a chamada do meu pai e liga-me o Dr. Sousa Rodrigues, a perguntar porque é que eu estava a demorar tanto. Lá lhe expliquei o que se passava, mas ele não parecia muito crédulo que eu fosse ter muita sorte.

Termjnaram as chamadas. As trutas estavam todas no mesmo lugar. Mais um lançamento e mais uma volta! Já farto, resolvi trocar de material. Meti fio 0,18 e uma colher nº3 prateada. Primeiro lançamento para a outra margem, começo a recuperar, a truta segue a amostra, alinha no sentido da mesma, abre a boca e eu cravo imediatamente. Sentindo-se presa, arranca como um demónio por entre as pedras e eu vejo todas as outras a meter o turbo. Entretanto, o fio, que estava encostado a umas ervas, leva um esticão de tal maneira forte com o arranque da truta que até estalou. A cana ficou logo dobrada ao máximo e num décimo de segundo tive a sensação que a truta tinha rebentado tudo!! Mas não!! O fio segurou-se “in extremis” e consegui evitar que a truta fugisse rio abaixo. Mal a sinto relativamente segura, avancei logo para cima das pedras da margem e preparei o camaroeiro. Lá lhe dei mais três ou quatro voltas e quando a vi cansada, foi só meter-lhe o camaroeiro por baixo. Já estava!! Uma grande truta do Coura com 46 centímetros e umas cores espectaculares. Um lindo exemplar …

Truta 46 cm Rio Coura lotes Abril 2015

Com esta captura inédita, pelo número de lançamentos realizados no mesmo sítio e barulho que fiz na margem, encerrei a pescaria no Coura. Foi daquelas coisas que não consigo explicar. Noutra altura, a truta teria-se pirado, mal a amostra caísse na água. Enfim, a truta deveria estar maluca e tinha mesmo que ser …

Quando cheguei perto do Dr. Sousa Rodrigues, ele não acreditou na história. Pensou logo que eu estava a gozar. Só interiorizou a realidade quando viu a beleza do bicho. Realmente uma linda truta para uma história de que me hei-de lembrar sempre … uma grande truta à prova de amostras e de barulho na margem!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.