Uma linda truta num afluente do Côa.

Uma linda truta num afluente do Côa.


Depois de um dia de pesca inesquecível no Rio Côa, era muito difícil que o vício não me dominasse e não me fizesse voltar ao ataque. E assim foi!

Aproveitando um Domingo de manhã, resolvi rumar novamente às margens do Côa, de forma a tentar passar mais umas boas horas de pesca. O dia estava com muito sol, e com algum frio de manhã, mas as expectativas apontavam para um gradual aumento de temperatura que deveria levar aos 20 graus centígrados. Não era certamente a melhor temperatura para pescar às trutas, mas até podia ser que as coisas corressem bem.

O troço escolhido do Côa era diferente do trabalhado na sessão de pesca anterior e eu desta vez iria privilegiar a saída de um afluente, procurando subir esse afluente durante algumas horas. Apesar de o afluente não ter grande profundidade, nem caudal, resolvi manter o fio 0,18 e utilizar amostras nº2, nomeadamente as típicas Mepps Aglia que permitem elevadas rotações com baixos níveis de recuperação em águas de pouca profundidade.

Comecei a pescar logo no final da desembocadura do afluente no Rio Côa e os primeiros lançamentos foram infrutíferos. Parecia que o cenário era completamente diferente da pescaria anterior. Não se via sinal de peixe.

Depois de 20 minutos sem sucesso no Côa, comecei a subir o afluente. Os lançamentos iam saindo de forma pausada e muitas vezes não era necessário lançar mais do que uma vez no mesmo sítio, pois as trutas tinham que ver a amostra a passar-lhes perto, sobretudo em zonas com pouca largura e profundidade.

Durante hora e meia, andei a coar água. É que nem sinal de peixe. Mesmo em poços com alguma profundidade, não se via aspecto de nada. Apenas via cágados sentados nas pedras a olhar para mim e a saltar para dentro de água, quando eu me aproximava deles. Enfim, comecei a desmoralizar.

Já com a esperança muito em baixo, dei com o primeiro sinal de peixe numa corrente de seixo. Lançamento para montante, venho a recuperar, sinto um ligeiro toque e vejo uma truta de cerca de 21 centímetros a seguir a colher. Não sei se me viu, mas encostou à margem e nunca mais mexeu. Ainda fiz mais um ou dois lançamentos e nada.

Depois deste episódio, cheguei a uma zona mais promissora. Entrei num açude com profundidade de 2 a 3 metros e onde entrava uma pequena linha de água, 50 metros a montante. Parecia-me o local ideal para dar um bom exemplar. À primeira vista, o que me parecia mais evidente era que a população de cágados era numerosa, pois não faltavam exemplares sobre as pedras. Lançamento atrás de lançamento, os cágados foram saltando para a água e nada de trutas. Bem insisti nas zonas mais profundas, mas nem sinal.

Entretanto, resolvi avançar para a saída da linha de água. Lançamento junto à minha margem, começo a recuperar, sinto um ligeiro toque e cravo com força. Do outro lado, sinto poder e vejo uma boa truta a passar por mim e a levar fio sem tensão, levanto bem a cana para cravar e começa a luta. Isto comigo localizado a cerca de 2 metros de altura da margem. A truta arranca para jusante a levar fio e eu lá a seguro no limite e depois avança para montante também com a mesma força. Interrompo mais uma vez a sua corrida e ela desta vez muda de táctica e começa a dar cabeçadas e a enrolar o fio. Lá a seguro como posso e começo a descer a margem ao mesmo tempo que saco de camaroeiro. Mais umas voltas, mais umas leves corridas e com calma começo a encaminhar a truta para o camaroeiro. Em pouco menos de 3 minutos, já estava fora de água. Um lindo exemplar com 47 centímetros. Uma grande truta!!

Truta 47 cm afluente do rio Côa março 2015

Depois desta captura, o dia já estava ganho. Ainda palmilhei mais 2 ou 3 kilómetros de ribeiro, mas foi pura perda de tempo. Nem sinal de trutas. Apenas uma grande truta naquele afluente e no sítio onde devia estar.

Com o calor a apertar e com o céu bastante limpo, terminei a minha jornada por volta das 13 horas. Um afluente, uma boa truta!! Nada mau, para um rio que guarda a maioria das grandes trutas … e alguns exemplares que me tiram o sono 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.