De passagem pelo Rio Vez …

De passagem pelo Rio Vez …

Já no final de um dia de pesca após uma grande chuvada, resolvi visitar um rio que sempre me traz boas recordações: o Vez. Infelizmente, é um rio onde eu não pesco muito, especialmente na zona livre, pois obriga a condições muito específicas para se conseguir tirar alguns exemplares decentes ao spinning. Na maior parte das vezes, passar pelo Vez em dia de sol e com a água completamente translúcida, significa coar água pura e simplesmente ou então picar alguns alevins.

Neste dia em concreto, as condições não eram as ideais, mas estavam muito próximo disso. Caudal elevado, água com alguma cor e o dia estava com algum sol (único aspecto menos positivo). Para atacar o Vez, resolvi entrar junto à ponte do IC17, mesmo na zona que foi objecto de denúncia de poluição por parte do José David. Depois da denúncia o processo resultou em contra-ordenação (não ficamos a saber o valor), mas pelo menos a linha de água apresentava melhores condições com água limpa num leito completamente sujo e resultado de várias descargas poluentes ao longo do anos. Temo que a situação se volte a repetir, apesar desta condenação insólita.

Voltando à pescaria, artilhei a minha cana de 1,8 metros com o material de heavy spinning e toca a malhar. Como tinha introduzido recentemente fio novo no carreto, os lançamentos conseguiam chegar à outra margem e na maioria dos casos tinham que ser travados.

Nos primeiros 10 minutos, malhei o local de entrada. Lançamentos sucessivos a procurar a outra margem, numa primeira fase, e depois para montante, a verificar uma zona de areia e com baixios. Nessa última zona, tiro a primeira truta. Lanço para montante junto a um tufo de erva no meio do rio, começo a recuperar e quando a amostra passa perto do tufo, sinto um toque e vejo uma truta a arrancar para jusante. Cravo com força e a truta salta fora de água. A verdade é que estava bem presa senão tinha-se ido embora. Lá a segurei e manobrei contra-corrente e com calma consegui-a por do meu lado. A primeira truta do Vez deste ano. Um lindo exemplar com 26 centímetros.

Truta 26 cm Rio Vez Maio 2015

Depois desta captura, avancei para montante à procura de mais emoções. Procurei incidir sobretudo no poço que faz um cotovelo no rio, mas não havia sinal de peixe. As trutas deviam ter subido para o areal à procura de alimento na corrente. Assim, e sem mais delongas, resolvi fazer a parte do areal até ao primeiro açude.

Logo no primeiro buraco por entre as árvores, lanço para o meio do rio e começo a recuperar lentamente. Quando a amostra vem a dobrar na corrente para se encaminhar para mim, sinto a cana a dobrar e vejo que tenho peixe preso e de bom tamanho. Lá a tento segurar, mas a força da corrente e o pouco espaço disponível para meter a cana por entre as árvores, dificulta-me o combate. Mesmo assim, tento puxar a situação ao limite e consigo trazer a truta ao meus pés. Media mais de 30 centímetros. Quando olho bem para ela verifico que está mal cravada e, como se lesse os meus pensamentos, dá dois toques de cabeça e solta-se naturalmente. Enfim, fiquei completamente cego. Mesmo na ponta final.

Sem me deixar desanimar, mantive o andamento e no buraco seguinte tiro um truta pequena de 17 centímetros com um lançamento para a outra margem. Ela cravou mesmo encostada a um tufo de algas, já perto das árvores do outro lado. Como não era muito grande, não tive dificuldade em tirá-la e devolvê-la à água.

Entretanto a pescaria foi correndo e finalmente cheguei à zona onde a corrente ganha mais força e vai perdendo profundidade. Lançamento para a outra margem, cai mesmo encostado às árvores do outro lado, começo a recuperar e quando a amostra entra na corrente, vejo um reflexo branco. Cravo e vejo uma truta a saltar fora de água. Aproveitando a corrente, arranca para baixo e eu desço um pouco na margem para a acompanhar com a ponta da cana. Ela sentindo-se bem presa, inverte a corrida e passa mesmo ao meus pés. Lá a segurei durante cerca de um minuto e quando vi que já estava bem cansada, deitei-lhe a mão. Uma linda truta de 25 centímetros.

Truta 25 cm Rio Vez Maio 2015

Depois desta captura, e com o dia a terminar, fiz só o percurso até ao açude por descarga de consciência. A água estava a baixar lentamente e era natural que as trutas estivessem já preocupadas em meter-se em zonas mais profundas ou na proximidade dos poços. Em poucos menos de 20 minutos, o sol pôs-se e eu fiz o caminho para o carro.

No global, gostei de ver que o Vez mantém uma boa população de trutas no seu troço baixo. Apesar das inúmeras barbaridades, as trutas vão arranjando forma de sobreviver. Se tudo correr bem, e voltar a apanhar um bom dia de chuva, ainda voltarei ao Vez para tentar pescar outras zonas às quais já não vou há alguns anos.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.