A caminho da desova sem grande chuva …

A caminho da desova sem grande chuva …




Já entrados no mês de Dezembro e com o frio a começar a apertar, está na altura das trutas iniciarem a sua corrida até às zonas de desova, onde certamente irão encontrar muitas das suas congéneres. O ritual de reprodução tende a ser sempre coincidente com alturas de chuva relativamente abundante, de modo a proporcionar às trutas o caudal necessário para aceder aos locais mais propícios de desova.

O problema é que este ano as coisas não parecem estar muito de feição para este ritual. Efectivamente, e depois de um Verão bastante seco, especialmente no interior, parece que as chuvadas fortes de finais de Setembro e Outubro não tiveram grande seguimento no mês de Novembro e caminhamos a passos lentos para mais uma situação complicada. Se no litoral a situação é ainda relativamente normal, no interior, os rios nem sequer recuperaram os níveis normais para esta altura do ano e correm sérios riscos de não proporcionarem às trutas as condições mínimas para uma desova bem conseguida. Isto, obviamente, somado a uma época anterior relativamente fraca e marcada por uma seca quase extrema durante o Verão.

Corrente Rio Zezere Valhelhas Abril

Assim, os próximos dois meses vão ser decisivos em termos da reprodução das trutas e podem determinar o sucesso ou insucesso das temporadas de pesca nos próximos 5 anos. É de notar que com aquecimento global e com o aparecimento de fenómenos extremos em Portugal, a meteorologia tem apresentado um comportamento errático que lentamente vai condicionando a sobrevivência e reprodução de muitas espécies, entre as quais se encontra a truta. Para evitar que as coisas possam chegar ao ponto de não retorno, convinha que as autoridades estivessem atentas a estes fenómenos e acautelassem estas situações com reservas de reprodutores geneticamente puros em viveiro. Algo que se vai tornar claramente mais imperativo no futuro e que contraria totalmente a política de vários anos a destruir viveiros e a despedir gente especializada para apenas contratar ambientalistas egocêntricos!

Enfim, fica o recado e o aviso para a possibilidade de a desova poder correr mal este ano. Ainda é relativamente cedo para fixar prognósticos, porque a meteorologia muda muito rapidamente, mas atendendo ao andar da carruagem, convém irmo-nos preparando para o pior, especialmente quem pesca nos rios do interior.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.