Primeira vez na Lagoa do Viriato

Primeira vez na Lagoa do Viriato

Há muito tempo que já não esticava fio nas lagoas da Serra da Estrela e portanto resolvi aproveitar uma viagem de família para combinar uma pescaria a sério com um amigo da zona. Ele ficou de me tratar das licenças e conseguimos reservar a pescaria para o segundo dia de pesca com morte na lagoa do Viriato.

Chegada à quinta-feira prevista, deparei-me com um cenário de muita chuva, vento e bastante frio. Claramente o oposto dos dias anteriores, mas não havia por que temer. Às 9 horas cheguei ao local e comecei a coar água com uma tanger nº3. Clientela não faltava e eu já era o último a entrar.

Entretanto, a chuva foi ficando cada vez mais intensa e notei que o pessoal começava a caminhar para perto dos carros. Do meu lado, e vendo que a maior parte dos pescadores estava concentrada na zona do muro da lagoa, resolvi dar a volta à mesma para a conhecer melhor. Inicialmente, não vi qualquer peixe, nem levei qualquer toque, mas à medida que fui fazendo o tour pela zona menos profunda, fiquei pasmado com a enorme quantidade de escalos presentes por entre as algas. Uma coisa verdadeiramente espantosa. Mais espantoso era não haver qualquer truta. Durante três horas, coei água sem qualquer resultado.

Enfim, já a chegar ao meio dia, comecei a encostar ao muro, vindo pelo outro lado da lagoa. O pessoal já tinha arrancado para o almoço e a chuva e o vento estavam a apresentar uma maior intensidade. Os lançamentos continuavam a sair seguidinhos, mas a única coisa que eu andava a tirar dos anzóis eram algas.

Já sem muita esperança, comecei a encostar ao muro. Lançamento largo e mal a amostra cai na água, sinto um toque e vejo um salto ao longe. Levanto a cana e trato de por a truta em sentido. Ela bem que tentou enrolar-se, mas com cana de 2,7 metros e fio 0,18, não teve muitas hipóteses. Foi só o tempo de a trazer até perto de mim e depois arrastá-la para a areia. A minha primeira truta do Viriato com 32 centímetros.

Truta 32 cm Lagoa do Viriato Maio 2016

Depois desta captura, fiquei animado e comecei a bater o local com mais intensidade. No entanto, de nada adiantou. Mais uma hora inglória e finalmente coloquei-me no muro. Já ali tinha estado gente, mas mesmo assim queria ver o que se passava. Primeiro, lancei colher e depois lancei rapala. Em 15 minutos, nada mexeu.

Já sem grande esperança, resolvi pegar num Black Minnow e testar o andamento. O que me interessava verdadeiramente era comprovar a evolução do isco dentro de água e tentar algum jigging perto do muro. Nunca pensei que as trutas pudessem responder com força a esta proposta, mas responderam. Durante cerca de uma hora, fui lançando e tendo picadelas constantes, quer funcionando ao spinning ou numa base de jigging. O problema era que as trutas não cravavam, mas toques não faltavam e a pesca estava a ser animada. Algumas picavam mesmo no muro ao meus pés, mas não eram toques pequenos. As trutas entravam mesmo com força.

Assim, e depois de tantas tentativas, capturei apenas os dois exemplares abaixo (30 e 39 centímetros), antes das trutas começarem a perceber que estavam a ser enganadas. Os anzóis encobertos do Black Minnow funcionavam bem para evitar as algas e outros obstáculos dentro de água, mas não ajudavam nada na altura de cravar. Ainda pensei meter um triplo, mas tinha-o deixado no meu carro.

Truta arco-íris - 30 cm Lagoa do Viriato Maio 2016

Truta 39 cm Lagoa do Viriato Maio 2016

Depois destas duas capturas, o ritmo esmoreceu e o frio começou a chegar-me aos ossos. Não ia durar mais tempo por ali. Ainda fiz mais uns lançamentos, mas rapidamente voltei à companhia dos outros pescadores para conversar um pouco e tentar aquecer. Dois tinham capturado dois exemplares de 2 kilos (um à mosca e outro ao rapala), mas a opinião unânime era que o peixe não estava a picar e a sair bem. De qualquer forma, e com o cabedal bem molhado, resolvi abandonar a pescaria. Ainda vi um artista tirar mais uma trutita de mais de meio kilo, mas a minha conta estava feita.

No global, gostei desta sessão de pesca, apesar de não ter sido muito produtiva. A beleza do local e o lindo entorno da lagoa do Viriato são elementos fundamentais na pescaria. Fiquei com uma ideia de como as trutas se comportam nesta lagoa e da próxima vez já não vou ao engano, pois andei a perder tempo na primeira parte da pescaria.

P.S: alguns dias mais tarde chegou-me a informação de que tinha saído uma truta de 4,5 kilos nesta mesma lagoa.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.