Trutas em zona exclusiva do Mondego!

Trutas em zona exclusiva do Mondego!

Mais um fim de semana e mais um convite para uma pescaria às trutas na zona centro do país em conjunto com os meus parceiros do costume. A ideia era verificar qual o estado de uma população de trutas numa concessão de pesca que tem vindo a fazer um trabalho exemplar na gestão e conservação de um troço com algumas vicissitudes. A proposta pareceu-me aliciante, mas sendo a primeira vez que ia pescar naquele troço não sabia muito bem como abordar a zona. De qualquer forma e atendendo à largura considerável do rio, resolvi iniciar a faina com cana de 2,7 metros, linha 0,18 e amostra nº3.

Depois de recolher as licenças e descobrir quais os lotes a pescar, avançámos para o primeiro açude. Apesar de o rio ser relativamente largo nesta zona, verifiquei logo que a profundidade era bastante baixa. Nalguns locais centrais do rio não chegava mesmo ao meio metro e ainda por cima o caudal era reduzido, pois a montante existia uma barragem que condicionava o débito de água.

De qualquer forma, saíram os primeiros lançamentos junto ao açude. Viam-se alguns peixes a mexer ao centro do rio, mas a única coisa que vi a tocar na amostra acabaram por ser as algas. Portanto, e sem hesitação, resolvi mudar para o Black Minnow. Fui pescando para montante, juntamente com o Manuel Jorge e o Dr. Manuel Oliveira e logo junto a uma árvore, senti um primeiro toque. A truta mordiscou, mas não abriu a boca! 100 metros mais à frente, o mesmo cenário, e passados 200 metros deparo-me com uma zona onde estão 4 a 5 trutas, e uma delas com cerca de 45 centímetros, e o cenário repete-se. Brincadeiras com o Black Minnow e nada de ferrar! Parecia mentira. Procurando inverter a situação, ainda mudei para uma colher Tanger nº3 cor de cobre, mas então é que deixaram de haver toques. Sinal de que pelos vistos a colher é um isco bastante usado por ali.

Bem, durante duas horas andei a coar água. As trutas estavam a levar a melhor e a partir de uma zona relativamente inacessível, deixei de as ver. Com mais de meia hora sem ver, nem sentir uma truta, resolvi voltar para trás e juntar-me à equipa. Estava tudo ainda sem nenhuma captura, à excepção do amigo Arlindo que tinha tirado um pequeno exemplar. Pelos vistos, tinha fugido uma truta enorme ao rapala ao Dr. Sousa Rodrigues, mas sem testemunhas, nem fotos era difícil de confirmar o tamanho 🙂 🙂

De volta ao carro, e com tempo a aquecer e o sol a bater bem na água, resolvi mudar para a minha cana de 1,8 metros e trabalhar uma zona mais a jusante, procurando incidir nos locais ainda com sombra. Entrei ao rio e numa ponte sobre o mesmo, começo a disparar alguns lançamentos numa zona de açude. Primeiro para montante e depois para jusante. Quando disparo o primeiro lançamento para jusante, deixo a colher derivar com a corrente e mal ela entra numa zona mais calma, sinto uma pancada na linha e cravo imediatamente. A truta saltou fora de água, mas estava bem presa. Lá a trabalhei dentro das minhas possibilidade e quando verifiquei que estava cansada e que tinha um tamanho não muito grande, levantei-a a peso e coloquei-a ao meu alcance. Uma linda truta de 26 centímetros que rapidamente voltou para a água.

Truta 26 cm Rio Mondego Junho 2016

Com esta captura, safei a grade e comecei a pensar na forma de fazer mais um ou outro exemplar, porque o tempo já estava contado para o almoço. Meti-me sozinho a caminhar para montante pela margem esquerda, procurando lançar longe e sobretudo nas zonas mais difíceis e ainda com sombra junto à minha margem. Fiquei impressionado com a densidade de trutas encontrada. Em cada 50 metros, levei um toque, na maioria de trutas de tamanho razoável e duas delas descravaram-e já quase aos meus pés. Numa zona mais profunda, tive um bicho com mais de 40 cravado que se soltou e já na ponta final, num lançamento para montante junto à minha margem, cravei um linda truta de kilo. A truta estava mesmo encostada à minha margem e atacou mal viu a colher. Ainda pensei que estivesse mal cravada, mas nada disso. Sentindo-se presa deu uma boa luta durante cinco minutos e eu tive que usar a cana e a linha ao máximo para conseguir levar a captura a bom porto. Só depois de cerca de 10 passagens é que a consegui meter dentro do camaroeiro. Uma linda truta de 48 centímetros.

Truta 48 cm Rio Mondego Junho 2016

Mal acabei de tirar a truta, recebi uma chamada dos meus colegas a alertar-me para o almoço, pois já estávamos atrasados. Quando lhes disse o que se tinha passado não acreditaram, mas mais tarde tiveram mesmo que se render à evidência fotográfica.

Tenho a sensação de que a pescaria estava apenas a começar com esta última captura, mas infelizmente pescar em grupo obriga a que muitas vezes se tenha que deixar de lado boas oportunidades. No entanto, atendendo ao cenário inicial, não havia muito a lamentar e tive oportunidade para conseguir viver alguns bons momentos de pesca e tirar um bom exemplar.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.