Julho 2016 – mês mais quente de sempre!

Julho 2016 – mês mais quente de sempre!


De acordo com informação divulgada pela Agência Aeroespacial Norte-Americana (NASA), o passado mês de Julho foi o mês mais quente de sempre, desde que se começaram a recolher as primeiras estatísticas meteorológicas consistentes em 1880. Este facto notou-se, não só no resto do mundo, mas também em Portugal com temperaturas acima da média, que nalguns casos chegaram a atingir os 45 graus.

Segundo alguns especialistas em meteorologia, esta situação deve-se não só a uma conjugação bastante especial de alguns fenómenos atmosféricos, como o El Niño e outros, mas também ao resultado da acção humana.

Como será de esperar, esta situação constitui um primeiro sinal de alerta para uma situação que cada vez se torna mais visível que é o aquecimento global. Apesar de todos os esforços e convénios assinados, começa a parecer mais claro que a situação poderá ser mesmo irreversível e que dentro em breve os efeitos do aquecimento global passarão a ser mais claros e a terem efeitos mais práticos sobre as reservas de água e a alteração dos habitats em todas as zonas do planeta. No caso Português, e no que respeita a populações truteiras, não é difícil de antecipar um panorama complicado, pois estamos basicamente no limite sul de distribuição desta espécie fluvial. De facto, a jusante do rio Tejo esta espécie já não encontra condições para sobreviver sem assistência humana permanente.

Neste cenário, e sabendo que a truta está grandemente dependente da temperatura da água e de um nível óptimo de oxigenação, é natural pensar que estará bastante vulnerável a um óptimo contínuo das temperaturas médias nos próximos anos. Especialmente, nalguns rios do interior, que chegam quase a secar e onde a truta se resguarda nos poços mais fundos, a calamidade pode chegar mais cedo com dois ou três anos de seca completamente fora do normal.

Truta na Feira da Caça e Pesca de Ponte de Lima

Enfim, penso que esta notícia é o primeiro de muitos sinais aos quais devemos estar atentos, sobretudo na qualidade de pescadores de uma espécie bastante sensível a este tipo de fenómeno. À medida que a situação se for alterando, a intervenção humana pode ser o único meio de permitir a manutenção desta espécie nos nossos rios. E isto pode ser num futuro não muito distante …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.