A metralhar nos viveiros de Montalegre …

A metralhar nos viveiros de Montalegre …


Apesar de já ter relatado alguns pormenores da última visita à Barragem do Gerês realizada por um grupo de pescadores de trutas bem intencionados (“que não queriam apanhar trutas a sério”), falta ainda abordar a parte mais hilariante da expedição … e essa começou a surgir à saída do Restaurante em Pisões. Em amena cavaqueira com um dos empregados, suscitada pela curiosidade relativamente a uma foto de um rio truteiro da zona, apareceu um apontamento referente a um parque de pesca onde se poderia tirar algumas trutas contra a entrega de euros.

Com uma boa porção de carne Barrosã para digerir e com o calor a apertar e a indicar claramente que as trutas selvagens iam estar nas profundidades nas próximas horas, resolvemos partir para a brincadeira e toca a andar para Montalegre, que era onde o dito estabelecimento funcionava. Antes paramos no Multibanco para abastecer e depois cortamos a caminho de Espanha, virando posteriormente à esquerda num caminho de terra onde aparecia uma placa já velha a anunciar uma truticultura de Manuel Rebelo! Parecia ser aquilo!!

Com algum receio relativamente ao cenário que nos esperava, paramos o carro à entrada e vimos que estava por ali alguma gente entretida. Deviam estar cerca de oito pessoas, sendo duas delas as responsáveis pela gestão do local. Entramos, demos uma volta e ficamos surpreendidos pelo espectáculo: rádio da região com um som bastante elevado, tanque pequeno com algumas trutas a rodar continuamente e muita gente a fazer algazarra e a pescar à bóia com um isco qualquer. A maioria do pessoal era Espanhol e parecia dia de feira, gerando-se um ambiente que me pareceu sobretudo bastante cómico e caricato. Trutas a sair é que nem sinal, mas dava pica ver o povo a tentar (alguns a mergulhar para dentro de água) e as trutas a fugir de um lado para o outro. Para trutas de ração até que não lhes faltava exercício.

Depois deste primeiro cenário, virámos a nossa atenção para uma zona mais calma onde estavam alguns tanques mais pequenos e onde a pesca não era permitida. Ali deambulavam trutas de todo o tamanho, incluindo um conjunto de trutas com pesos entre os 2 e os 3 kg. Segundo nos foi dito, eram zonas de reprodução que serviam depois de base, não só a manutenção do parque de pesca, mas também aos repovoamentos dos rios locais.

Feito o levantamento exaustivo do local, cheguei-me à frente para saber as condições que eram as seguintes: pesca livre e só se pagava o que se apanhasse, sendo o imposto de 5 euros o kilo. Quando ouvimos a palavra pesca livre, toca a pegar nas canas!! Com tanta algazarra e falta de peixe a sair, o cenário parecia imensamente favorável a uma jornada onde se passariam duas horas de pesca apenas a experimentar amostras sem tirar nada!!

Tanque nos viveiros de trutas de Montalegre Setembro 2016

Efectivamente, quase que assim foi!! Infelizmente, as várias horas passadas na margem dos rios começou logo de imediato a compensar com as trutas a começarem a dar coça nos Black Minnows, Rapalas e outras amostras menos vistas naqueles local. Numa zona onde o lançamento máximo não podia passar dos 12 metros e tinha que ter em conta pelo menos 9 linhas a pescar quase em simultâneo, os toques eram muitos, as cravadelas eram poucas, mas muitas delas eram tornadas ineficazes pelo facto de se afrouxar ao máximo a tensão para evitar capturas. Enfim, foram momentos de boa disposição e de brincadeira com as trutas. Como era de esperar, por muito jeito aplicado na prevenção de capturas, não conseguimos deixar de pôr 5 trutas em terra. Isto, enquanto do outro lado, ninguém tirava nada.

Sem saber como, estivemos entretidos durante cerca de duas horas, até que acabamos por ser os últimos a abandonar o local. Só mesmo quando já achamos que tínhamos espancado as trutas o suficiente é que resolvemos empacotar o material. Resultado final: 5 euros pagos, 5 trutas capturadas e duas horas de boa disposição e pesca contínua num ambiente descontraído.

Havia uma truta (única) de mais de 3 kg no tanque onde pescamos e o Torres não a conseguiu capturar. No entanto, já me prometeu que ela vai sair com um isco especial que ele vai trazer de Gibraltar 🙂 🙂 Esperemos que ela entretanto não fuja com medo desse isco bastante peludo!!!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.